Por Leonardo de Sá
Mesmo em meio ao caos e às crises que parecem não ter fim, o futebol resiste como o último pilar do Morumbis. Após a renúncia de Julio Casares em meio a denúncias de corrupção (e possibilidade de impeachment), o clima entre atletas do São Paulo e cúpula foi de mal a pior até o início da renovação. Nesse cenário de desconfiança e frustração, Hernán Crespo falou em coletiva após vitória sobre a Ponte Preta no Paulistão sobre a importância de quem permaneceu e colocou a casa em ordem. O técnico foi enfático ao defender a figura de Rui Costa, diretor de futebol do Tricolor.
Crespo não mediu palavras ao destacar a união do grupo. “Estamos todos juntos. É fundamental parabenizar o nosso diretor Rui Costa, porque em um momento complicado politicamente e financeiramente ele deu tudo, luta todos os dias para tentar melhorar o time”. Para o comandante, o trabalho de bastidor é o que sustenta a sobrevivência do elenco. “É muito difícil trabalhar nesse ambiente, acho que todo mundo fala dos atletas e da comissão, do Rafinha, do Massis, mas Rui Costa merece seu lugar nesta situação porque não é fácil trabalhar”, desabafou.

Carro na pista e o prazo de março
A gratidão de Crespo se estende ao campo, onde os jogadores precisaram tapar os ouvidos para a crise institucional. O técnico reconheceu que o início da jornada foi tortuoso, mas valorizou a resiliência do vestiário: “Tenho de parabenizar os jogadores porque o início do campeonato foi difícil. Tínhamos de colocar o carro na pista, chegar nas quartas de final do Estadual e o grupo merece porque seguiu acreditando”. É o reconhecimento de quem sabe que o São Paulo jogou contra o adversário e contra o próprio ambiente do clube.
Com a classificação garantida, o olhar agora se divide entre o gramado e o mercado. Crespo lembrou que o trabalho de reconstrução de Rui Costa não parou. “Ainda temos tempo até 3 de março”, pontuou, referindo-se ao fechamento da janela de transferências. Em um clube com complicações financeiras, cada movimento é uma partida de xadrez para tentar dar fôlego a um elenco que se recusa a entregar os pontos diante da recuperação de um início de ano turbulento.
Decisão em Bragança Paulista
O próximo desafio do São Paulo será contra o Red Bull Bragantino, pelas quartas de final do Paulistão. O duelo, em jogo único, será na casa do rival, que terminou a fase de grupos em 3º lugar. Sem a vantagem do mando, o Tricolor terá de provar que a união pregada por Crespo é forte o suficiente para superar um adversário estável e organizado.
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O São Paulo que entrou no mata-mata é um time forjado na pancada. Se o apoio público de Crespo a Rui Costa é o suficiente para aplacar a crise, só os resultados dirão. Por enquanto, o futebol respira, sustentado pela entrega dos jogadores e pela blindagem de uma comissão técnica que tenta separar o jogo da página policial. A próxima parada definirá o tamanho da resistência desse Tricolor em reconstrução.





