Há muitas semelhanças entre o surpreendente Bodo/Glimt, da Noruega, e o brasileiro Mirassol. Os dois times foram fundados em cidades pacatas, jogam de amarelo e estão fazendo bonito nos campeonatos que disputam. Enquanto o time do interior paulista vive o sonho de disputar a fase de grupos da Libertadores pela primeira vez na sua história, o clube de Bodo, uma cidade costeira, com aproximadamente de 54 mil habitantes, situada a cerca de 300 quilômetros no interior do inóspito Círculo Polar Ártico, é a grande surpresa na Liga dos Campeões da Uefa.

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Na edição deste ano, o campeão da Noruega já tinha virado sensação ao derrotar adversários poderosos como o Atlético de Madrid e o Manchester City. Só que não parou por aí. Sua mais recente façanha aconteceu na partida de ida dos playoffs: derrotou, impiedosamente, a forte Inter de Milão, atual líder do campeonato italiano e que vinha embalada após bater a Juventus.

Bodo/Glimt, da Noruega, é a nova sensação da Liga dos Campeões da Europa desta temporada / Bodo

Na partida disputada em um estádio nos confins da Noruega, a equipe da Inter teve 56% da posse de bola, mas não teve eficácia. Perdeu por 3 a 1, fulminada pelas jogadas cerebrais do dinamarquês Kasper Högh, um dos grandes nomes da equipe.

Alçapão de gelo

Poucos dias antes, Högh já tinha sido decisivo em outro inesquecível triunfo do Bodo/Glimt por 3 a 1, também no Aspmyra Stadion, contra o Manchester City, quando marcou dois gols. Contra a Internazionale, desta vez, ele foi o garçom. Na jogada do primeiro gol, foi dele o toque de calcanhar para Brunstad Fet abrir o marcador. Após os italianos empatarem, Högh voltou a entrar em ação dando um passe preciso para o atacante Jens Petter Hauge desempatar. E coube ao próprio camisa 9 do Bodo/Glimt fazer o terceiro gol.

Como se viu na partida contra a Inter de Milão, uma das razões do sucesso do Bodo/Glimt é saber aproveitar muito bem as vantagens de sua inóspita localização geográfica. Dois dias antes da partida contra os italianos, nevou tanto em Bodo que os administradores do Aspmyra Stadium, principal estádio da cidade, tiveram de utilizar um trator para retirar cerca de 80 toneladas de flocos congelados que tinham caído no campo. Na hora do jogo, a temperatura era de -6ºC. Para suportar tanto frio, o gramado do estádio com 8 mil pessoas é artificial: tudo isso ajuda a criar enormes dificuldades para os visitantes.

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O comandante

Claro que na fórmula do sucesso do Bodo/Glimt também entra um boa pitada de futebol eficiente. E é aí que está o trabalho do técnico norueguês Kjetil Knutsen. À frente da equipe desde 2018, Knutsen moldou um estilo que se adaptou como uma luva ao perfil do clube. Fã da filosofia de jogo do argentino Marcelo Bielsa, ele treinou uma equipe – basicamente formada por jogadores nascidos na Noruega e na Dinamarca – para pressionar incansavelmente seus adversários, já no seu campo, para forçar erros e partir com velocidade rumo ao gol.

Esta receita simples, mas eficaz, já tinha dado certo na temporada passada, quando a equipe norueguesa passou às semifinais da Liga Europa, eliminada pelo Tottenham, da Inglaterra, que depois se sagraria campeão do torneio. Pois, desta vez, os noruegueses querem chegar ainda mais longe.

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