A noite deste sábado confirmou algo que o campeonato já vinha insinuando rodada após rodada: o sucesso do Grêmio Novorizontino não é obra do acaso. O time do interior venceu o Corinthians por 1 a 0 nas semifinais e garantiu presença na grande decisão do Paulistão pela segunda vez em sua história. A primeira ocorreu em 1990, contra o Bragantino. Foi um prêmio merecido para quem teve a melhor campanha, somou mais vitórias do que qualquer outro concorrente e transformou sua casa em território intransponível.
Depois de eliminar o Santos nas quartas de final, o Novorizontino repetiu a dose diante de outro gigante. E se a derrota frustra a torcida corintiana, é difícil contestar o desfecho. O placar foi justo e refletiu o que se viu em campo: de um lado, um time organizado e fiel ao seu plano de jogo. Do outro, uma equipe que, mesmo completa e escalada de maneira ofensiva do meio-campo para frente, ficou devendo futebol.

O Corinthians, de Dorival Júnior, caiu exatamente na armadilha que o adversário preparou para ele. O Novorizontino entregou a bola, compactou-se muito bem do meio para trás e convidou o rival a tomar a iniciativa. O Timão aceitou o convite, mas não soube o que fazer com ele. Visivelmente desgastado pela sequência de jogos e sem inspiração de seus principais jogadores, teve ampla posse de bola sem transformá-la em perigo real. A partida se arrastou por longos trechos sem emoção.
Memphis sem estrela
Um jogo feio, truncado e excessivamente lento por parte do Corinthians, que rodou a bola entre os zagueiros inúmeras vezes, mas raramente conseguiu levá-la com qualidade até o ataque. Ali, Memphis Depay, atuando como centroavante e muitas vezes de costas para o gol, quase não participou. O único lampejo diferente no primeiro tempo veio com o meio-campista André, autor do chute mais perigoso da etapa inicial. André que está encaminhado para o Milan por R$ 103 milhões.
O roteiro do segundo tempo até sugeria que o jogo poderia ganhar em intensidade, mas nada mudou, de fato. A sensação era de que os dois times caminhavam para os pênaltis. Só que o Novorizontino jogava por uma bola — e ela apareceu aos 28 minutos. Em cruzamento de Rômulo, o lateral Maik aproveitou um vacilo de Matheuzinho e finalizou para o gol, sem chances para Hugo. Era o lance que mudaria a história da noite.

A partir daí, Dorival tentou empurrar o time para o ataque com mudanças em série, mas faltou organização, intensidade e capricho técnico. Nem mesmo o recurso do chuveirinho funcionou na tentativa de encontrar a cabeça de Pedro Raul. Na prática, o Corinthians não criou uma grande oportunidade de empate. A ausência de Yuri Alberto pesou: sem ele, o time perdeu referência e profundidade no ataque.
Foco no Brasileirão
Eliminado, o Corinthians agora ganha tempo para se reorganizar e focar no Campeonato Brasileiro, além de recuperar jogadores desgastados ou lesionados para a longa temporada que vem pela frente. O título paulista conquistado no ano passado ameniza um pouco a frustração, ainda que não apague a sensação de oportunidade perdida.
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Do outro lado, o Novorizontino segue pronto para fazer história. Aguarda o vencedor do clássico entre São Paulo e Palmeiras para disputar a final — muito provavelmente com o privilégio de decidir em casa, ao lado de sua gente, como prêmio merecido pela melhor campanha do campeonato.






