O São Paulo poderia aprender com o Palmeiras. Na verdade, grande parte dos clubes do Brasil poderiam aprender como tratar e lidar com seu técnico em um ambiente que exige resultados rápidos e consistentes. A demissão de Hernán Crespo, oficializada nesta segunda-feira, dia 9, é só mais uma entre tantas outras que acontecem rotineiramente no futebol brasileiro sem aviso prévio. Nesse sentido, o exemplo de Abel Ferreira, que enfrentou um 2025 sem títulos e sob forte pressão, se mostra válido. O português permaneceu no cargo e colheu os frutos com a conquista do Estadual neste domingo. Ele mesmo disse que se estivesse em outro clube “teria sido mandado embora”.

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Assim, a queda de Crespo ocorre em um momento onde o argentino vinha realizando um trabalho sólido. Eram 21 vitórias em 46 jogos nesta segunda passagem pelo clube. No entanto, a divergência de pensamento com o presidente Harry Massis e o diretor Rafinha pesou mais do que o desempenho em campo. Enquanto Abel destaca que a manutenção dos processos internos foi o segredo de sua volta por cima, no Morumbi, a falta de autonomia e a entrega de “oportunidades de mercado” em vez de reforços minaram o trabalho da comissão técnica.

Crespo: demissão abrupta de treinador do São Paulo expõe imediatismo estrutural do futebol brasileiro / São Paulo FC

Essa realidade de ruptura precoce ganha contornos mais nítidos quando se olha para os vizinhos. Recentemente, o próprio Abel declarou que “em outro clube, ele teria sido despedido” pelos vices do ano passado, uma frase que aponta para a cultura de interrupções que domina o país. Recentemente, o Flamengo agiu exatamente conforme essa lógica ao desligar Filipe Luís diante da primeira instabilidade. Como resultado, o São Paulo repete o erro carioca ao ignorar que a consistência de um elenco campeão nasce da proteção ao treinador nos momentos de baixa e da continuidade do trabalho.

Carência do São Paulo

Isso porque, de alguns meses para cá, Crespo passou a apontar as carências estruturais do clube, afirmando que o Tricolor não tinha condições de enfrentar Palmeiras e Flamengo de igual para igual. Contudo, em vez de a diretoria absorver a crítica como um diagnóstico para o crescimento, a postura foi lida como pessimismo. Enquanto o Alviverde blindou Abel para que ele superasse o jejum de taças, o São Paulo optou por descartar o profissional que melhor compreendia as feridas do elenco.

Lideranças e a “meta dos 45 pontos”

Vale ressaltar que, apesar do clima estranho no grupo após a saída do volante Alisson, os principais líderes do elenco seguiam fechados com o treinador argentino. Ainda assim, a visão de Harry Massis prevaleceu, focada na insatisfação com o setor defensivo e no incômodo com o discurso de sobrevivência de Crespo no Brasileirão. A menção aos 45 pontos para evitar o rebaixamento foi o estopim para uma diretoria que prega que o clube deve jogar para ganhar tudo, mesmo sem oferecer as ferramentas necessárias para tal.

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O São Paulo encerra um ciclo de 99 jogos de um técnico que, comprovadamente, sabe montar equipes competitivas. Por outro lado, a manutenção desse ciclo de trocas apenas reforça a hegemonia do rival, que entende o tempo como um aliado, não como um inimigo. Afinal, sem a paciência demonstrada com Abel, o clube continuará buscando soluções mágicas no mercado, enquanto assiste, de longe, à consolidação de projetos que priorizam a continuidade acima do clamor momentâneo por mudanças.

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