Nas dez estreias anteriores como técnico, Roger Machado havia somado sete vitórias. Agora são oito. O triunfo do São Paulo em seu primeiro jogo sob o novo comando reforça o bom retrospecto do treinador, que inicia mais um desafio cercado por desconfiança e por uma indisfarçável contrariedade de parte da torcida tricolor. A saída de Crespo ainda não foi totalmente digerida, e muita gente imaginava que, diante da necessidade de troca, o clube buscaria um nome de currículo mais pesado. Roger nunca foi o técnico dos sonhos dos são-Paulinos, mas aposta de Rui Costa e Rafinha, os executivos de futebol do clube.

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Fato é que Roger chegou ao Morumbi sabendo muito bem das adversidades que o aguardavam. Tanto que, em sua coletiva de apresentação, praticamente pediu desculpas ao torcedor por estar ali. Constrangido, mas firme, garantiu que pretendia conquistar respeito e admiração como fruto exclusivo do trabalho. E pediu apoio.

Roger Machado estreia com vitória no São Paulo: 2 a 0 na Chapecoense e liderança do Brasileirão / SPFC

Com apenas dois dias de treino, seria precipitado jogar no colo do técnico qualquer que fosse o resultado de sua estreia. Ainda assim, o 2 a 0 sobre a Chapecoense, na noite desta quinta-feira, no Estádio do Canindé, teve muito das impressões digitais do novo comandante. Roger cumpriu a promessa de colocar o São Paulo para jogar com a autoridade de um time que conhece o peso da própria história, numa clara contraposição ao discurso de seu antecessor, que se queimou ao dizer que com o time que tinha o São Paulo brigaria para somar 45 pontos e evitar o rebaixamento.

Time entende os mandos de Roger

Mesmo num campo bastante prejudicado pela chuva que castigou a capital paulista ao longo do dia, o São Paulo de Roger mostrou rapidamente sua identidade. Impôs-se fisicamente nos duelos individuais, marcou pressão alta na saída de bola adversária e criou inúmeras oportunidades de gol, praticamente sem sustos defensivos. A rigor, o goleiro Rafael precisou trabalhar de verdade apenas uma vez, no fim do primeiro tempo, quando espalmou um chute cruzado e rasteiro de fora da área.

O São Paulo mandou no jogo e teve paciência para construir o resultado, contando com grande atuação de Jonathan Calleri, Luciano, Marcos Antônio, Damián Bobadilla e Lucas Ramon. O brilho individual deles tem relação direta com algumas mudanças de posicionamento já perceptíveis no trabalho de Roger. Calleri, por exemplo, ocupou muitas vezes o corredor de ataque pela direita, combinando bem com Lucas Ramon. Bobadilla e Marcos Antônio pisaram na área da Chape com frequência, aumentando o volume ofensivo e oferecendo novas linhas de passe pelo meio. Já Luciano, com menos obrigações defensivas, atuou mais perto do gol — justamente onde costuma ser mais perigoso.

Num cenário quase perfeito para a estreia de um treinador — circunstância que sempre traz a perspectiva de mudanças positivas —, o São Paulo poderia até ter goleado. Mas o 2 a 0 ficou de bom tamanho, até porque confirma o Tricolor isolado na liderança do Campeonato Brasileiro após cinco rodadas, agora com quatro vitórias e um empate:13 pontos, praticamente um terço daquele total projetado por Crespo.

Luciano amplia

Luciano e Marcos Antônio na comemoração do primeiro gol do Tricolor na partida contra a Chapecoense / São Paulo

O primeiro gol saiu logo no início do segundo tempo, quando Luciano marcou de cabeça após assistência primorosa de Marcos Antônio. O segundo não demorou: Calleri aproveitou uma linha de passe dentro da área para ampliar e fechar o placar com um toque sútil.

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É claro que o demitido Crespo também tem méritos nessa campanha. O legado deixado pelo argentino ajudou a pavimentar esse início promissor de Roger. Agora resta dar tempo ao tempo para descobrir até onde o trabalho do novo treinador pode levar o São Paulo nesta temporada. A esperança da torcida é que ele não repita no Tricolor uma tendência observada em quase todos os seus trabalhos anteriores: começos animadores que perdem fôlego depois de alguns meses de encantamento.

Quem sabe no São Paulo, o técnico Roger Machado não encontre o cenário ideal para romper essa espécie de maldição. Por enquanto, o primeiro capítulo foi escrito com vitória — e com liderança. O resto, como sempre no futebol, será obra do tempo, do trabalho e da paciência.

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