Após a vitória por 1 a 0 sobre o Mirassol na volta do time ao Allianz Parque, Abel Ferreira comentou menos sobre o resultado e a fragilidade do seu time e mais sobre o amaldiçoado (por ele) calendário do futebol brasileiro. Não é a primeira vez que faz isso e ele prometeu que não vai parar enquanto estiver no Brasil. Em um desabafo que já se tornou sua marca registrada, ganhando ou perdendo. O técnico do Palmeiras não poupou críticas à CBF, Federação Paulista e todas as entidades que administram o futebol no país e, indiretamente aos clubes e presidentes desses clubes que concordam com o massacre dos jogos seguidos, que ele chama de “desumano” para os jogadores. Mas ele não mencionou nenhum nome.

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Segundo o português, o espetáculo do jogo fica em segundo plano quando a bateria dos atletas está desgastada, transformando as disputas praticamente em uma luta de sobrevivência física, onde o critério técnico é atropelado pelo desgaste físico e emocional.

Abel Ferreira voltou a criticar o calendário brasileiro durante a sua entrevista após a vitória sobre o Mirassol / Palmeiras

Evolução do grupo

“Eu acho que o segredo é mesmo esse: evoluirmos todos os anos. Depois de um período muito vencedor de um grupo de jogadores, terminou um ciclo no Palmeiras. No ano passado, na minha opinião, foi um bom ano. Não foi excelente porque não carimbamos títulos, mas chegamos às finais. Mesmo para perder as finais, é preciso chegar e é preciso valorizar todo o trabalho que fizemos na Libertadores, no Paulistão e no Brasileirão.”

Valorização do elenco

“É normal os jogadores terem valorização dentro do plantel. O Flaco López foi um jogador que custou US$ 8 milhões e hoje vale US$ 50 milhões. O Richard Ríos custou US$ 25 milhões e hoje vale US$ 50 milhões. O Aníbal não tinha preço, estava no último ano de contrato e nós renovamos com ele: vale R$ 30 milhões ou R$ 40 milhões. Por isso é que o Palmeiras é o plantel mais jovem do futebol brasileiro.”

 Somos a equipe mais valiosa não porque contratamos, mas porque trabalhamos para evoluir esses jogadores.
ABEL FERREIRA

“Assim aconteceu também com o Maurício, que agora foi chamado para a seleção do Paraguai. No final, tudo isso se soma. Estou feliz pela consistência. Foram oito jogos em trinta dias. Os dois últimos em campos pesados, horríveis. Quero dar os parabéns ao Palmeiras e à WTorre. Temos um gramado top. A bola rola no chão.”

Desgaste físico e calendário

Pode ir buscar o Messi, o Cristiano Ronaldo, os melhores do mundo, e façam o que nós fazemos aqui aos jogadores. E não digo só pelo Palmeiras, mas pelo bem do futebol brasileiro. É inacreditável o que fazem aqui aos jogadores. Sabem quantos jogos o Mirassol fez nos últimos 30 dias? Três. Sabem quantos jogos o Palmeiras fez? Oito. Será que é possível fazer um calendário aqui igual ao europeu? As coisas difíceis são para pessoas inteligentes e organizadas. O Palmeiras contra o Mirassol sofreu para ganhar e a justificativa é fácil: não criam as mesmas condições mínimas. Depois de um título, tivemos uma viagem de noite, não dormimos nem tivemos tempo para festejar… Dois dias depois, jogamos contra uma equipe que teve 11 dias para preparar o jogo.”

Adaptação de Arias

“Vocês estão à espera que um jogador que custe 10, 15 ou 20 milhões de euros chegue aqui e tenha de resolver todos os problemas. O Arias é um jogador que tem qualidade e já mostrou isso, mas faz três anos que não tem descanso. Saiu do futebol brasileiro e foi para a Europa e voltou para cá. Isso tem interferência. Não é PlayStation, tem de se adaptar ao clube, à dinâmica e aos torcedores.”

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