Os dirigentes da Federação Senegalesa de Futebol foram à luta para recuperar o título da Copa da África de Nações em 2025. A conquista ocorreu dentro de campo em uma final em Rabat. Ao mesmo tempo em que preparam um recurso para o Tribunal Arbitral do Esporte, ligado à Fifa, eles iniciaram uma batalha de propaganda. Levarão o troféu conquistado em Rabat para uma celebração, que acontecerá no Stade de France, nos arredores de Paris, antes do amistoso contra o Peru, dia 28 de março.

Siga The Football

Para completar a festança e a pressão das entrelinhas, haverá um show com o cantor Youssou Ndour e o rapper Booba. O cartaz de propaganda faz menção a um “grande encontro da diáspora senegalesa com os campeões da África”.

Senegal ganhou o título da Copa da África de Nações do ano passado, mas perdeu a conquista no tapetão / Divulgação

Para quem não se lembra do título em questão, foi aquele que a seleção de Senegal ganhou em janeiro, em decisão tumultuada contra o Marrocos. No fim do jogo, o árbitro congolês Jean-Jacques Ngambo Ndala deu um pênalti para os marroquinos a segundos do fim da disputa. Após consultar o VAR, Ndala alegou que Malick Diouf, de Senegal, derrubou Brahim Díaz, do Marrocos, dentro da área. E apontou a falta.

Pênalti de cavadinha

O clima esquentou no estádio depois disso. Em meio a ameaças de invasão do campo por torcedores, a equipe senegalesa indignou-se com a marcação a ponto de o técnico Pape Thiaw ordenar aos seus jogadores que deixassem o campo. Dezessete minutos depois, após muita confusão, a partida foi retomada. Brahim Díaz, o jogador que havia sofrido o pênalti, tentou bater de “cavadinha”, mas, em vez de fazer o gol e consagrar-se, chutou para a defesa tranquila do goleiro Édouard Mendy. Ele “entregou” o chute.

Logo depois, o árbitro apitou o fim do tempo normal. O jogo foi para a prorrogação e, aos 2 minutos, Gueye fez o gol decisivo, que garantiu o segundo título continental da história de Senegal. Em seguida, os jogadores e os árbitros receberam as suas medalhas e o troféu foi entregue ao capitão Kalidou Koulibaly.

Sadio Mané, jogador da seleção de Senegal, lamentou nas redes sociais que possam tirar o título do seu pais / Instagram

Toda a controvérsia parecia ter chegado ao fim onze dias após a final em Rabat, quando o comitê disciplinar da CAF negou o pedido dos marroquinos para anular o jogo. Senegal era o campeão legítimo. Mas houve uma série de sanções para os dois lados. A Federação de Futebol do Senegal recebeu uma multa de R$ 3 milhões. A do Marrocos teve de pagar R$ 1 milhão por causa de “conduta antidesportiva”.

Multas do Tribunal arbitral do Esporte

Também sobrou para o técnico senegalês Pape Thiaw. Ele foi suspenso por cinco jogos e multado em cerca de R$ 500 mil devido a “danos para a imagem do futebol”. Jogadores, como o marroquino Achraf Hakimi e os senegaleses Ilman Ndiaye, Ismaila Sarr e Ismael Saibari, entre outros, foram suspensos. No entanto, na canetada do Comitê Disciplinar da CAF neste mês, essas sanções foram revisadas. Mas apesar da derrota de Senegal no tapetão, ainda cabe recurso da decisão da Confederação Africana de Futebol ao Tribunal Arbitral do Esporte. Há bons argumentos para que a decisão de cassar o título africano seja revista sob a alegação de abuso de poder e violação das regras do futebol.

Segundo eles, para que fosse consumado o abandono de campo do time de Senegal, todos os seus jogadores deveriam ter ido embora. No entanto, durante todo o tempo que durou o tumulto, Sadio Mané, Gana Gueye, Pape Gueye, Ismaïla Sarr e Abdoulaye Seck permaneceram dentro das quatro linhas.

O que escreveu Sadio Mané

Além disso, o árbitro congolês autorizou que o jogo prosseguisse. Tanto que o pênalti foi cobrado e a partida foi para a prorrogação. O artigo 5 das Regras do Jogo, definidas pela International Football Association Board, da Fifa, informa que as decisões tomadas pela arbitragem durante o jogo são soberanas. Enquanto o tribunal (TAS) não se pronuncia sobre essa polêmica, o clima no futebol africano esquentou. “O que aconteceu foi longe demais”, escreveu Sadio Mané na sua conta na rede social X. “Estou profundamente desapontado, não apenas pelo Senegal, mas pelo futebol africano como um todo”.

O zagueiro El Hadji Malick Diouf preferiu ser irônico. “Esse troféu foi conquistado em campo e não por e-mail”. Um comunicado assinado por Mary Rose Fatou, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro senegalês no dia 18 de março, pediu investigações sobre suspeitas de corrupção na Confederação Africana de Futebol. Sinal de que o governo do Senegal vai entrar com tudo nessa briga.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok

Do lado dos marroquinos, em vez de celebração, a reação foi contida como o sorriso amarelo de Brahim Díaz, quando recebeu a notícia de que tinha sido campeão da Copa da África de Nações no tapetão. Ele foi informado quando estava sentado no banco de reservas do Real Madrid, no Etihad Stadium, em Manchester. No dia seguinte à decisão, não havia qualquer comentário nas redes sociais do lateral marroquino Achraf Hakimi. Ele é um dos principais jogadores do time. Seja como for, pelo tamanho da encrenca, este jogo entre Marrocos e Senegal ainda vai demorar muito tempo para ser resolvido.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui