Corinthians e Chapecoense protagonizaram na noite fria da Arena Condá, nesta segunda-feira, o primeiro 0 a 0 do Brasileirão de 2026 depois de quase 70 jogos disputados. Um dado curioso que, por si só, já diz muito sobre o que foi a partida — e, principalmente, sobre o momento preocupante do Corinthians.

Siga The Football

O ponto conquistado fora de casa, que em outro contexto poderia ser celebrado, cai como mais um capítulo de frustração para uma torcida que já começa a olhar o campeonato com desconfiança. O empate em Chapecó amplia para seis a sequência de jogos sem vitória e reforça a sensação de que o time, mais uma vez, corre o risco de ver o Brasileirão escapar ainda nas primeiras curvas.

Corinthians e Chapecoense ficaram no empate sem gols na Arena Condá, em Chapecó / Chapecoense

Em sete rodadas, o Corinthians já deixou pelo caminho pontos que, lá na frente, costumam fazer falta. Perdeu na estreia para o Bahia em casa, caiu diante do Coritiba e agora desperdiça dois pontos contra a Chapecoense. O filme parece repetido — o que deixa a paciência da Fiel cada vez mais curta.

Pressão sobre Dorival

A pressão sobre Dorival Júnior cresce de forma inevitável. Ainda mais com o horizonte apontando para um duelo em casa com o Flamengo, em que, pelo futebol apresentado, o favoritismo está longe de vestir preto e branco. Pelo contrário. Mais uma vez, Dorival optou pelo rodízio e pagou caro. Mandou a campo uma defesa completamente reserva e um meio-campo que não se entendeu. O resultado foi um time lento, previsível e sem qualquer agressividade ofensiva, especialmente no primeiro tempo.

Nem mesmo a volta de Yuri Alberto, ausente desde 15 de fevereiro, foi suficiente para tirar o Corinthians do marasmo. O primeiro tempo foi um retrato fiel da apatia: 65% de posse de bola, troca de passes estéril entre zagueiros e raríssimas chances reais. A melhor delas nasceu no pé de Rodrigo Garro, em cobrança de falta que explodiu no travessão — um lampejo isolado em meio à monotonia.

Trocação no final

Na etapa final, o jogo ao menos ganhou em intensidade. As duas equipes se soltaram, e por momentos a partida virou uma trocação franca, quase desorganizada, como uma luta de boxe em que ninguém consegue aplicar o golpe decisivo. Chances surgiram dos dois lados, mas os goleiros prevaleceram.

De novo, a melhor oportunidade corintiana caiu no pé de Garro. Após bela arrancada de Yuri Alberto pela esquerda, a bola chegou limpa ao argentino dentro da área. Ele cortou o zagueiro com categoria, mas finalizou em cima do goleiro — o retrato de um time que até cria, mas não resolve.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok

E, ao fim, surgem as mesmas explicações de sempre. Calendário apertado, falta de tempo para treinar e necessidade de poupar jogadores. Desta vez, soma-se também a crítica ao gramado sintético da Arena Condá. Mais uma muleta num repertório já conhecido. A verdade é que o Corinthians preocupa menos pelo resultado isolado e mais pelo conjunto da obra. Falta intensidade, falta repertório e falta convicção. E, principalmente, faltam vitórias. Num campeonato de pontos corridos, a repetição desse roteiro pode acabar com mais um final infeliz.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui