O Palmeiras não fala de arbitragem. Mas não aceita mais calado as provocações e choradeiras do São Paulo sempre que as equipes se enfrentam. É dessa forma que o futebol do time de Abel Ferreira se sente antes e depois dos jogos contra o rival. E desta vez resolveu atacar, apesar que, dentro do clube, fala-se em contra-atacar. Para o Palmeiras, é o São Paulo que sempre começa primeiro com a ladainha das faltas, expulsões e pênaltis não marcados nos últimos confrontos.
Já são 11 jogos que o time do Morumbi não ganha do rival. Neste sábado, eles se enfrentam pelo Brasileirão, a partir das 21h, na casa tricolor, como torcida única. O jogo vale pela oitava rodada e traz um componente mais apimentado ainda: a briga pela liderança da competição. Ambos estão empatados em 16 pontos.

Os dois lados se dizem descaradamente prejudicados pela arbitragem nos últimos confrontos, de modo a colocar muito mais responsabilidade no árbitro escolhido para mediar o jogo: o fortão Anderson Daronco, que tem o estilo de parar muito a partida e distribuir “peitadas” nos atletas. Daronco entra no jogo pressionado como nunca antes. Mas não deveria ser assim.
Abel riscou o primeiro fósforo
O estopim, mais uma vez, foi lançado pelo técnico Abel Ferreira, que trouxe o assunto das confusões e dos “complôs” apontados por ele para prejudicar o Palmeiras em anos anteriores. Disse isso ao ser questionado em sua última entrevista coletiva. Poderia ficar quieto e deixar passar. Mas o português também é um estrategista (sentido negativo) fora de campo e viu na oportunidade a chance de dar o primeiro tiro.

Só que desta vez o lado tricolor, segundo seus seguidores, muito mais fraco nos bastidores da CBF, decidiu reagir. O executivo Rui Costa, também questionado sobre o tema, condenou a arbitragem e as “manobras” do Palmeiras e suas narrativas para apontar o dedo para o lado do Morumbi. O clima esquentou a ponto de motivar o diretor Anderson Barros, fiel escudeiro da presidente Leila Pereira, a gravar um vídeo institucional criticando o colega do São Paulo e pedindo para que o assunto fosse deixado de lado. Fez isso com palavras duras e provocadoras. Ou seja: colocou mais lenha na fogueira.
Gestores sobem ao ringue
De modo que os gestores de São Paulo e Palmeiras sobem ao ringue para provar quem é mais prejudicado ou beneficiado pela arbitragem nos clássicos. Briga, diga-se, de bons torcedores e não de profissionais que administram milhões de reais por ano em seus respectivos clubes. Desceram degraus no entendimento e amadurecimento do futebol. Mas faz parte. E isso vai apimentar o jogo certamente.

O motivo de toda essa bravata é um só: se valer da arbitragem para ganhar o clássico deste sábado ou não perder. Eles, Abel, Rui e Anderson, apelam para os bastidores e tentam contaminar a arbitragem a fim de torná-la tendenciosa para depois justificar derrotas ou empates. Andam na contramão. O vencedor, como de costume, vai optar pelo silêncio após o jogo.
Leila x Harry
Também é de se admirar que os mandantes dessas duas bandeiras tradicionais e pesadas alimentam esse tipo de situação para abafar problemas mais sérios de suas gestões. Leila e Harry Massis deveriam se dar mais ao respeito, esclarecer fatos para a sociedade e seus seguidores e promover um duelo com o tamanho que ele tem. Mas fazem o contrário. Provocam factóides pensando no amanhã.
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Tomara que os jogadores dos dois lados, talvez a parte mais sã dessa confusão, joguem debaixo do tapete toda a sujeira de seus dirigentes da semana e consigam fazer a melhor partida desta rodada do Campeonato Brasileiro, diga do tamanho de suas carreiras e dos seus clubes e não entrem nessas choradeiras e condenação da arbitragem, alimentada por torcedores e por boa parte da mídia engajada.





