A lista é grande e tende a aumentar. Fernando Diniz, Filipe Luís, Hernán Crespo, Juan Carlos Osorio, Juan Pablo Vojvoda, Jorge Sampaoli, Martín Anselmi e Tite. O que esses técnicos têm em comum? Todos foram demitidos neste início de Brasileirão. Sem dó. Atualmente, a competição tem a média recorde de um treinador desligado por rodada. Trata-se de uma média extremamente alta se comparada com as principais ligas do mundo. Os trabalhos são avaliados com o tempo que se faz um miojo.
Na elite europeia, os treinadores ainda duram até mesmo quatro vezes mais do que no Brasil. Trabalhos como o de Pep Guardiola (no Manchester City desde 2016) são quase impossíveis de se repetir no cenário brasileiro atual, onde até técnicos com alto aproveitamento sofrem demissões precoces. Filipe Luís foi um exemplo disso. Ele foi demitido do Flamengo com um aproveitamento de 69,9% e algumas taças pesadas na temporada anterior.

Na competição nacional do ano passado, apenas cinco dos vinte clubes participantes conseguiram manter o treinador do início ao fim da disputa. Essa taxa de manutenção reforça a alta rotatividade no cargo: 75% das equipes trocaram de comando durante o torneio. Alguns clubes tiveram uma instabilidade recorrente, com três técnicos diferentes na mesma edição do campeonato. O Santos começou o torneio com Pedro Caixinha, passou por Cléber Xavier e terminou com Juan Pablo Vojvoda, que já não está mais no clube. Abel, do Palmeiras, é o mais longevo, com cinco anos no comando.
Prioridade são os resultados
Linha alta, pressão alta e três zagueiros. Martín Anselmi tem um tipo de trabalho bastante característico. Foi assim no Independiente del Valle, do Equador, onde ele conseguiu os títulos mais expressivos de sua carreira. A defesa costuma jogar adiantada, próxima ao meio-campo, para compactar o time e facilitar a pressão. Durou 18 jogos no Botafogo.
Na última partida do argentino, a equipe carioca jogou dessa forma. Alexander Barbosa, Nahuel Ferraresi e Mateo Ponte fizeram o trio de zaga. O alvinegro venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 1, no Estádio Cícero de Souza Marques, pela oitava rodada do Brasileirão. Portanto, fora de casa. “Nosso foco não é o resultado, nosso foco é no rendimento do time. Estou orgulhoso dos meus jogadores”, disse Anselmi após a partida.

Mas a diretoria não teve o mesmo foco nem paciência. A demissão do treinador no dia seguinte, um domingo, não foi exatamente uma novidade no Botafogo. John Textor, dono da SAF do clube, não estava satisfeito com os resultados dele e da equipe fazia algum tempo. O Glorioso foi eliminado na fase preliminar da Copa Libertadores e não passou das quartas de final do Estadual.
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O clube tem diversos problemas fora de campo e sofre instabilidade interna em sua gestão. A equipe perdeu alguns dos seus grandes jogadores nos últimos anos, não fez grandes contratações e enfrenta um risco iminente de sofrer um transfer ban da Fifa. A saída de Martín Anselmi não vai solucionar os problemas do time carioca. Mas na cabeça de Textor ele era o problema.
Nova dívida
Com a demissão do argentino, o Botafogo terá uma nova dívida para pagar. A rescisão obrigará o clube a desembolsar o salário de Anselmi até o fim do contrato, em dezembro de 2027. Ao todo, a conta chega a 4 milhões de euros (R$ 24,3 milhões). A diretoria definiu Rodrigo Bellão, técnico do sub-20, como comandante interino até achar um novo comandante. O departamento de futebol já se movimenta. A ideia é buscar um treinador de reconhecimento internacional. O time joga, além do Brasileirão, a Copa do Brasil e a Sul-Americana.





