Rui Costa e Rafinha foram os alvos escolhidos pela torcida depois da derrota do São Paulo para o Palmeiras no Morumbis. Agora são 12 jogos sem ganhar. A dupla de gestores terá de assumir a bucha porque foi decisão conjunta dos dois, com o aval do presidente Harry Massis, a demissão de Crespo e a contratação de Roger Machado talvez num momento errado. O que mais pegou na troca foi mexer no que estava dando certo. Roger não é culpado pela decisão dos dirigentes. Mas ele vai sofrer a reboque. Já sente na pele o dissabor de perder um clássico e de “desarrumar” o time, dando a ele morosidade e pouca agressividade ofensiva, com transição mais lenta e um esquema de jogo ainda sem identificação. O São Paulo perdeu por 1 a 0 diante de 55 mil torcedores.
Por enquanto, a torcida leva o treinador em fogo baixo, mas ele será alvo dos bombardeios na retomada do futebol após a data-Fifa caso o São Paulo naufrague, como muitos torcedores e parte da mídia já antecipam em anunciar. “Roger não dará certo”. Ainda é cedo para qualquer avaliação nesse sentido.

Diferentemente do treinador, Rafinha pode ser cobrado neste momento. Ele conduziu e defendeu boa parte das mudanças na comissão técnica. O jogador adotou um discurso longe da realidade que ele mesmo viveu no vestiário do Morumbi. O São Paulo não é esse clube maravilhoso que essa nova diretoria insiste em panfletar. Aliás, está longe de tudo isso em todos os segmentos. Mas nenhum deles apareceu para motivar o elenco e a torcida após a derrota para o Palmeiras em casa. Rafinha não mostrou nenhum conhecimento da função que ocupa. E em seu primeiro ato, defendeu a troca de treinador porque “o São Paulo tem de pensar grande”. É pouco.
Motivação de vestiário não é gestão
Agiu mais como um fanfarrão do que como um gerente de futebol, contratado para pensar mais e falar menos, a intervir com boas ideias e não a proclamar discursos motivacionais desses que ele fazia no vestiário para ganhar jogo e motivar os companheiros. Gestão não é isso. Um gerente precisa ser sério e dar passos com firmeza e conhecimento. Harry Massis ainda passa a impressão de estar deslumbrado com tudo o que está acontecendo em sua vida na presidência.
Rui Costa ganha terreno nesse “deserto” de ideias que ainda é o São Paulo, mas precisa ser melhor do que os seus pares, menos emotivo e amador como foi antes do clássico com o Palmeiras ao falar de arbitragem, mesmo questionado sobre o assunto. Jogou para a torcida. Foi positivo para o jornalismo, no entanto, ter respostas quando necessárias. Rui também tem de dar as caras quando as coisas não vão bem. Um time se constrói tijolo por tijolo, mesmo nestes tempos acelerados do futebol. Por isso que ele tem de trabalhar rápido e mover as peças com mais certeza. Está sendo cobrado.
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Também pegou mal ele autorizar três dias de folga para o elenco nesta data-Fifa, uma vez que Crespo foi demitido, entre outras acusações, por ter liberado o elenco em situação parecida. Portanto, não faz sentido cometer o mesmo erro que essa mesma diretoria condenou. Sobre Rafinha, me parece que não chega ao fim do mandato do presidente. Ou se chegar, não será lembrado pelos seus feitos.




