O futebol, por vezes, abandona a lógica para abraçar a crueldade. Para a Itália, a estrada que deveria levar ao renascimento na América do Norte terminou em um fundo do poço sem precedentes na Bósnia. Pela terceira vez consecutiva, “Fratelli d’Italia” não tocará nos estádios de uma Copa do Mundo. O que se viu na final da repescagem foi o colapso de um gigante que, paralisado pelo peso da própria história e pelo trauma do passado recente, viu seu destino ser selado novamente na marca da cal. O empate no tempo normal foi o ensaio de um silêncio ensurdecedor que tomará conta de Trento à Sicília por mais quatro anos. A Itália está fora da Copa.

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A partida em Zenica foi literalmente um exercício de agonia. A Bósnia, resiliente e ciente de seu papel de carrasca, não entrou no jogo de nervos dos italiano porque sabia que tinha muito menos a perder. Quando o árbitro apitou o fim da prorrogação, o ar parecia faltar para os italianos. Os pênaltis, ainda que com um sopro de esperança para a Azzurra, parecia mais um tempo de agonizar do que de ressurgir. Cada caminhada carregava o fantasma de 2018 e 2022, e, mais uma vez, os nervos traíram o talento. A queda nas penalidades não foi apenas um erro técnico; foi o desfecho de uma crise de identidade que se recusa a abandonar a Bota.

Moise Kean, ao centro, foi às redes para inaugurar o placar diante da Bósnia: time sofre empate no fim / Itália

O jogo acabou empatado em 1 a 1 no tempo normal: os gols foram de Moise Kean, aos 14 minutos, mas o zagueiro Bastoni foi expulso no fim da primeira etapa. A Bósnia empatou aos 33 do segundo tempo, com o atacante Tabakovic. E as coisas só seguiram até a prorrogação até os pênaltis porque Donnarumma pegou tudo e mais um pouco. Na marca fatal, no entanto, o goleiro italiano não pegou nenhuma, a Bósnia acertou todas e Esposito e Cristante erraram suas cobranças para definir o placar de 4 a 1.

Bósnia, classificada pela 2ª vez

A Bósnia e Herzegovina garantiu sua histórica segunda participação em Copas do Mundo, retornando ao torneio após sua única aparição anterior, no Brasil, em 2014. Com a classificação histórica contra os italianos, a seleção liderada pelo técnico Sergej Barbarez entra diretamente no Grupo B, para medir forças com Canadá, Catar e Suíça. Na disputa de 12 anos atrás – justamente o último Mundial que contou com a Itália –, os bósnios caíram ainda na fase de grupos.

Bósnia elimina a tetracampeã Itália em casa e disputará uma Copa do Mundo pela segunda vez na história / Bósnia

Suécia garantida; adeus, Polônia

A Suécia carimbou seu passaporte ao vencer a Polônia por 3 a 2 em um confronto eletrizante. A classificação foi construída com gols de Gyökeres, Lagerbielke e Elanga, que garantiram a vantagem necessária para superar a resistência polonesa comandada por Robert Lewandowski – os gols da sua equipe foram de Swiderski e Zalewski. Com o resultado, os suecos consolidam o processo de renovação de seu elenco e asseguram presença no Mundial 2026. Os suecos entram no Grupo F, junto de Holanda, Japão e Tunísia, com possibilidade de cruzar o caminho do Brasil nas oitavas de final.

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Turquia volta após 24 anos

A Turquia derrotou Kosovo por 1 a 0, em uma partida onde a eficiência defensiva e o controle emocional foram determinantes. O gol solitário em Kosovo foi marcado por Aktürkoglu. A vitória colocou a seleção turca no palco principal do futebol mundial após 24 anos, pronta para integrar o novo formato do torneio na América do Norte. A equipe do técnico italiano Vincenzo Montella completa o Grupo D, ao lado de Estados Unidos, Paraguai e Austrália.

Turquia está de volta à Copa do Mundo: time coloca fim a uma ausência de 24 anos na competição da Fifa / Turquia

República Tcheca despacha a Dinamarca

Quem também colocou fim a um longo jejum foi a República Tcheca. Depois de um empate por 2 a 2 com a Dinamarca no tempo regulamentar e na prorrogação, os Tchecos foram bem mais eficientes nos pênaltis e venceram por 3 a 1 na partida disputada em Praga, e se garantiram novamente em uma Copa do Mundo após 20 anos. Assim, os novos representantes europeus do Mundial seguem para o Grupo A, na companhia do anfitrião México, da África do Sul e da Coreia do Sul.

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