O Corinthians voltou a campo nesta quarta-feira após quase duas semanas de paralisação do Campeonato Brasileiro, mas parece que seguiu no modo data-Fifa — sem jogar nada. Diante do Fluminense, a equipe foi derrotada por 3 a 1, no Maracanã, num roteiro que já se tornou repetitivo e preocupante para quem acompanha o dia a dia do clube.
A atuação decepcionante escancarou, mais uma vez, os erros crônicos de um time que parece incapaz de evoluir, mesmo com tempo para treinar e descansar. O resultado amplia a pressão sobre Dorival Júnior, que chega à oitava partida sem vitória na temporada e vê sua equipe estacionada nos 10 pontos em nove jogos, perigosamente próxima da zona de rebaixamento — um cenário que remete ao calvário recente vivido pelo clube nas últimas temporadas.

Esperava-se que o período de treinos servisse ao menos para corrigir parte desses problemas. Não serviu. O Corinthians voltou a campo com as mesmas fragilidades estruturais, sobretudo na transição da defesa para o ataque. A saída de bola continua sendo um drama anunciado: qualquer adversário minimamente organizado fecha os corredores laterais e trava o time. Foi exatamente assim que o Fluminense tomou conta do jogo no Rio.
Vazio no meio de campo
Mas, desta vez, houve um agravante. Ao tentar marcar alto a saída do adversário, o Corinthians abriu um vazio enorme no meio-campo — um convite para os articuladores do Fluminense, como Martinelli, Acosta e Savarino, dominarem o jogo com absoluta liberdade. Foi por ali que o time carioca construiu a vantagem ainda no primeiro tempo, explorando contra-ataques em velocidade contra uma defesa desorganizada e exposta.
O primeiro gol, aos 18 minutos, nasceu de um erro de Breno Bidon no meio. Serna disparou, ganhou de Gabriel Paulista e serviu John Kennedy, que driblou Kauê antes de marcar. No último lance da etapa inicial, a cena se repete quase como um replay constrangedor: Serna novamente encontra espaço, acerta a trave e, no rebote, Hércules amplia, livre, como em gol de pelada de fim de ano — daqueles sem marcação, sem compromisso, sem vergonha. Um gol de churrasco!
O segundo gol foi um golpe definitivo. O Corinthians foi para o intervalo já nocauteado, emocionalmente abalado. Dorival tentou uma cartada desesperada no segundo tempo, promovendo mudanças e lançando mão até da estreia de Jesse Lingard. Mas qualquer possibilidade de reação durou pouco.
Ausência de respostas
Aos sete minutos, a expulsão irresponsável de Allan, após sair no tapa com Acosta e fazer gesto obsceno na direção do banco do Flu, escancarou o descontrole de um time já perdido. Com um a mais, o Fluminense transformou o restante da partida em ritmo de treino. O terceiro gol saiu com naturalidade, resultado de uma linha de passe dentro da área corintiana, concluída por Castillo, simbolizando a facilidade com que o adversário atravessava a frágil estrutura defensiva corintiana.

Se o placar não foi ainda mais elástico, muito se deve ao jovem goleiro Kauê, que evitou um vexame maior com ao menos três grandes defesas. Muita coisa se explica quando o time perde de 3 e o goleiro é o melhor em campo… o Corinthians, entregue, abatido, sem reação, apenas assistia ao jogo terminar. Nem mesmo as mudanças feitas por Dorival — como as entradas de Dieguinho e Zakaria Labyad — trouxeram qualquer impacto. Pelo contrário: reforçaram a sensação de um time sem rumo.
Gol de honra
O gol de honra, já aos 42 minutos, em chute de André após bate-rebate em escanteio, pouco muda a história do jogo. Foi um lance isolado, quase acidental, incapaz de mascarar uma atuação coletiva profundamente preocupante. Mais do que a derrota, o que se impõe é a ausência de respostas. O Corinthians é um time que não cria, não infiltra, não chega à linha de fundo. Yuri Alberto joga isolado, os meias atuam abertos como pontas de outra era, e a equipe, mesmo com três volantes, continua exposta defensivamente.
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As perguntas se acumulam — e já não são novas. Por que a escalação muda tanto? Por que o time não evolui? Por que os problemas se repetem? E talvez a mais alarmante de todas: por que eles parecem não ser corrigidos? Há também um componente físico impossível de ignorar. O Corinthians perde praticamente todos os duelos individuais, chega atrasado nas divididas, não sustenta intensidade e demonstra um preparo aquém do exigido para competir em alto nível. No fim, a sensação que fica é a de um time que ainda não voltou da data-Fifa. E, se não voltar rapidamente, corre o sério risco de passar o restante da temporada tentando escapar de um destino que já conhece bem.





