O documentário de longa-metragem “Zico, o Samurai de Quintino” revela bastidores e  histórias inéditas sobre o maior ídolo do Flamengo. Seja no subúrbio do Rio de Janeiro ou em Tóquio, Arthur Antunes Coimbra marcou época no futebol e é reverenciado até hoje. Astro do clube rubro-negro, o Galinho passou ainda pela Udinese, da Itália, e Kashima Antlers, do Japão. O filme aborda a trajetória do meio-campista, desde sua origem, passando pelo início franzino na Gávea, até as participações com a seleção brasileira, relembrando também as lesões que tanto o prejudicaram na carreira.

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O filme é do cineasta João Wainer e estreia no circuito comercial no próximo dia 30 de abril. A disciplina e o perfeccionismo do jogador aparecem ao longo da narrativa. “Um dos conceitos principais que conduziu as gravações foi justamente a busca por decifrar e dialogar com o Spirit of Zico, lema escrito em uma bandeira da torcida do Kashima”, ressalta Thiago Iacocca, roteirista do longa.

Cartaz de ‘Zico, o Samurai de Quintino’ que estreia no circuito comercial no próximo dia 30 de abril / Divulgação

Entre os depoentes do filme estão personagens do futebol brasileiro e amigos de Zico, como Ronaldo Fenômeno, Júnior, Paulo César Carpegiani, Carlos Alberto Parreira, o narrador José Carlos Araújo, o cantor Fagner e familiares do eterno camisa 10 da Gávea. O filme contou ainda com o acervo do próprio craque, com imagens de fitas VHS, Super-8 e registros da infância do ídolo flamenguista.

Imagens do Japão

O documentário não se limitou a realizar entrevistas apenas no Brasil. A produção foi até o Japão para entender como e porque o ex-atleta é tão admirado na Ásia. “Seria impossível realizar a obra sem ir até lá”, explica Iacocca, que acredita que o tempo no Kashima foi uma espécie de “rito de passagem” na trajetória de Zico. Para entender melhor as etapas da realização do documentário, The Football conversou com o cineasta e documentarista Thiago Iacocca, roteirista do longa-metragem.

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The Football: Como surgiu a ideia de fazer o doc Zico, o Samurai de Quintino?

Thiago Iacocca: Fui convidado pelo João Wainer, diretor, quando o projeto começou a ganhar corpo em 2023. A ideia era criar uma obra documental à altura da impressionante trajetória do Zico no futebol brasileiro e mundial.

O Zico já foi assunto de diversos livros e documentários. Na sua opinião, qual o diferencial do trabalho de vocês?

Como documentarista, acredito que os temas e personagens merecem diversos pontos de vista e perspectivas. No nosso caso, percebemos que teríamos que ser fiéis à complexidade da história esportiva sem se afastar do percurso pessoal e subjetivo, a experiência pessoal do Zico que escapa às narrativas factuais. A relação com a família e com os amigos, por exemplo, que é uma parte estruturante da personalidade dele, e o fato de que ele conseguiu se tornar ídolo em diversos contextos e em fases diferentes da carreira.

Além da vitoriosa passagem pelo Flamengo, Zico esteve muito tempo na seleção brasileira. Como o filme aborda isso?

A seleção brasileira é retratada como parte fundamental da trajetória e do filme. Foi inevitável entender que os dramas vividos por ele com a camisa amarela serviriam como elementos dramáticos, antagônicos às glórias como jogador do Flamengo. São episódios que ajudam a dar a dimensão da figura de Zico para o futebol brasileiro e mundial.

José Carlos Araújo, Daniela Boaventura e Zico durante conversa para o longa-metragem sobre o ídolo / Divulgação

Ele fomentou o futebol no Japão, atuando no Kashima Antlers, e depois como técnico e dirigente. Como esse aspecto da vida dele é retratado no longa?

Temos um conteúdo relevante captado no Japão, não à toa se chama Zico, o Samurai de Quintino. Seria impossível realizarmos o documentário que imaginamos sem ir ao Japão, pois esse encontro de Zico com o país oriental foi entendido por nós como uma espécie de rito de passagem na vida dele, o começo de sua iniciação simbólica como um samurai. Ele já tinha uma carreira consagrada, estava aposentado, e decide se aventurar mais uma vez. É o começo de uma segunda jornada, longe do caos brasileiro, do Rio de Janeiro, da família, que se você observa em retrospectiva tinha tudo para dar errado. Mas de alguma forma a personalidade do Zico se encaixa muito bem com a mentalidade local e sua chegada marca o início de uma revolução no futebol japonês.

Quais foram as maiores dificuldades do roteiro e da produção?

A maior dificuldade vem a partir do maior prazer para documentaristas, já que no dia que entramos na casa do Zico nos deparamos com uma quantidade absurda de conteúdo. Tínhamos desde recortes de todas matérias de jornal absolutamente organizados, rolos de filmes dos anos 70, camisas e troféus icônicos, e muito mais… Esses itens foram catalogados e servem ao filme como faíscas para entrarmos nos episódios que marcaram a sua vida.

Zico, o Samurai de Quintino parece não ser uma obra apenas para torcedores do Flamengo. Está correta essa interpretação?

É um filme sobre a força do futebol e sobre uma trajetória única, que une de uma maneira muito consistente o bairro de Quintino ao interior do Japão. Uma jornada sobre o poder do esporte, sobre as glórias e dramas que fazem parte de quem se arrisca nesse universo. Havia muita expectativa em torno do Zico desde muito jovem, e ele foi muito além das melhores projeções. Claro que o Flamengo foi a plataforma para que ele alcançasse esse sucesso, mas, como toda jornada heróica, essa história carrega lições universais que vão além do clubismo.

Qual aspecto da vida ou da trajetória do Zico te surpreendeu?

A obsessão e senso de perfeccionismo do Zico, e como ele se manteve fiel aos objetivos, mantendo sempre vivo o espírito competitivo. Um dos conceitos principais que conduz a evolução da narrativa é justamente a busca por decifrar e dialogar com o “Spirit of Zico”, lema escrito em uma bandeira que a torcida do Kashima leva até os dias atuais nos jogos do clube.

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