O cenário e o contexto de uma estreia fora de casa na altitude equatoriana até sugeriam dificuldades, mas muitos santistas chegaram a acreditar que era possível voltar para a Vila com uma vitória — na pior das hipóteses, um empate honroso. Mas o futebol não abre concessões. Na noite desta quarta-feira, o Santos estreou na fase de grupos da Copa Sul-Americana com um revés por 1 a 0 diante do Deportivo Cuenca. O resultado não apenas complica a largada como também amplia a sensação de um time ainda à deriva neste início de temporada.
Mesmo com desfalques importantes — entre eles Neymar e Gabigol — e enfrentando cerca de 2.500 metros acima do nível do mar da cidade, o Santos começou melhor. Organizado na defesa e encontrando espaços com Gabriel Bontempo na chegada ao ataque, o time brasileiro assumiu o controle das ações nos primeiros minutos. Antes dos 10, Oliva, Moisés e o próprio Bontempo obrigaram o goleiro Ferrero a trabalhar e deram a impressão de que o jogo poderia caminhar para uma vitória santista, até com relativa tranquilidade.

Aos poucos, porém, o Deportivo Cuenca equilibrou a partida, apostando principalmente nas jogadas pelo lado direito. Foi assim que quase abriu o placar aos 30 minutos, quando Vega, por centímetros, não completou cruzamento de Chacón — um primeiro aviso de que o jogo estava longe de ser resolvido.
Aquele gol improvável
Na volta do intervalo, o técnico Cuca tentou dar novo fôlego ao ataque com a entrada de Rollheiser no lugar de Moisés. E a resposta foi imediata. Com dois minutos, Gustavo Henrique fez boa jogada pela direita e encontrou o meia dentro da área, mas a finalização saiu forte demais, por cima. Na sequência, foi a vez de Bontempo acertar o travessão em chute de canhota, na melhor chance santista na partida.
O futebol, no entanto, costuma ser implacável com quem desperdiça chances tão claras de gol. E cobrou caro. Pouco depois, em um lance improvável, o time equatoriano abriu o placar. Lucas Mancinelli cobrou escanteio fechado, e o goleiro Gabriel Brazão falhou ao sair mal e não conseguir se recuperar a tempo. A bola bateu no corpo de Brazão, beijou a trave e foi para a rede. Um gol olímpico com cara de gol contra. Um castigo para um erro não só do goleiro, mas coletivo, já que faltou também proteção no primeiro pau, fundamento básico em bolas paradas.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok
O que parecia um jogo controlado se transformou em um problema. Em desvantagem, o Santos se lançou ao ataque, e Cuca tentou alternativas para dar mais presença ofensiva. O time até teve volume, mas faltaram precisão, confiança e, sobretudo, tranquilidade para transformar a agressividade em gol. A equipe rondou a área, pressionou em alguns momentos, mas não conseguiu evitar a derrota.
Ambiente complicado
Antes mesmo da bola rolar, Cuca já previa um cenário complicado, citando a altitude, a estreia e os desfalques como fatores determinantes. O que se viu em campo, no entanto, foi um time que até conseguiu competir, mas voltou a esbarrar em velhos problemas: dificuldade na conclusão e erros decisivos em momentos-chave. Fora de campo, o ambiente não ajudou. Na véspera da partida, jogadores participaram de uma reunião com o executivo de futebol Alexandre Mattos, cobrando explicações sobre atrasos no pagamento de direitos de imagem. Um ruído que, inevitavelmente, atravessa o desempenho dentro das quatro linhas.
Fase ruim do Santos
Com apenas uma vitória nos últimos seis jogos — o 2 a 0 sobre o Remo —, o Santos vê sua fase irregular ganhar mais um capítulo. E já entra pressionado na competição. O duelo da próxima rodada, na Vila Belmiro, com o modesto Recoleta, passa a ter a vitória como obrigação, missão inegociável. Quem sabe Neymar possa estar em campo para ajudar. O time precisa muito dele para jogar em outro patamar.





