Não poderia haver roteiro mais conveniente para o Corinthians na noite desta quinta-feira, em Buenos Aires. A vitória por 2 a 0 sobre o Platense, na abertura da Copa Libertadores da América 2026, serviu como alívio imediato para um ambiente que fervia nos últimos dias — e, de quebra, como cartão de visitas para a esperada estreia de Fernando Diniz. Seria exagero, no entanto, depositar todos os méritos no novo treinador. Contratado nesta semana como bombeiro para conter o incêndio deixado pela sequência ruim sob o comando de Dorival Júnior, Diniz teve apenas dois treinos antes da viagem. Milagres, portanto, estavam fora de questão.
Mas negar que o time apresentou outra postura seria igualmente injusto. Houve mais energia, mais envolvimento, mais compromisso com o jogo — exatamente o que o treinador prometeu em sua primeira entrevista. Ainda é cedo, o caminho é longo e a vitória certamente encobre problemas antigos que seguem vivos. Mesmo assim, o resultado oferece algo que o Corinthians já não encontrava havia algum tempo: esperança.

Também é justo reconhecer que alguns jogadores responderam de maneira imediata. O principal deles foi Rodrigo Garro, que voltou a assumir o protagonismo na articulação. Foi dele a principal jogada do primeiro tempo, já aos 47 minutos, quando encontrou Yuri Alberto em condição clara de marcar — oportunidade desperdiçada na finalização.
Kayle e Yuri
Na etapa final, o roteiro se repetiu, mas com desfecho diferente. Os dois gols nasceram com o mesmo desenho da jogada anterior, mas desta vez convertidos por Kaike e Yuri Alberto, premiando uma insistência que faltara antes. Mais do que o brilho coletivo, o que se viu foi eficiência — algo essencial para um time que precisava, acima de tudo, voltar a vencer.

Taticamente, já foi possível notar intervenções com a assinatura de Diniz. André passou a atuar mais centralizado, como segundo volante, lado a lado com Raniele, que deixou de recuar como terceiro zagueiro e avançou para participar da construção. Pelos lados, Kaike contribuiu na recomposição, formando uma segunda linha mais sólida e dando suporte a Matheus Bidu. Os laterais, aliás, apareceram menos no ataque, numa clara tentativa de equilibrar o time.
Jejum foi para o espaço
A saída de bola ainda preocupa. No primeiro tempo, foi especialmente problemática diante da pressão alta do Platense, com erros técnicos que poderiam ter custado caro. Houve, porém, uma mudança estrutural: a responsabilidade pela construção inicial ficou mais concentrada nos zagueiros e no goleiro Hugo Souza, com o volante menos afundado. Nem sempre funcionou, é verdade, mas indica um caminho em construção.
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No fim, o resultado falou mais alto. Era mais importante vencer do que convencer — interromper a sequência negativa, aliviar a pressão e devolver confiança ao grupo. Missão cumprida. Fazia nove jogos que o Corinthians não sabia o que era vencer um jogo. Agora, o cenário muda de figura. O Corinthians volta ao Brasil mais leve para encarar o Palmeiras, líder do Nacional, no clássico de domingo em Itaquera. Livre do peso recente, o dérbi deixa de ser um teste de sobrevivência e passa a ser, quem sabe, um ponto de afirmação.
Porque, se ainda é cedo para certezas, a noite em Buenos Aires ao menos devolveu ao Corinthians algo essencial: a sensação de que há, enfim, um caminho possível. O Dinizismo renovou o direito aos delírios do bando de loucos.





