Ancelotti parece ter ‘caído na real’ sobre os riscos de escalar apenas dois jogadores no meio

Amistoso contra o fraco Panamá mostra que a seleção ficará bastante vulnerável se o técnico insistir no 4-2-4

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O resultado de um jogo preparatório de seleção às vésperas de uma Copa do Mundo é o que menos importa. No caso do Brasil, se fizer 6 ou 12 gols em cima do Panamá, ou se fará 2 ou 4, ou empatar ou até perderá diante do Egito no próximo sábado, pouco importa. Tudo isso fica em segundo plano. O que realmente interessa nesta reta final da Copa são as virtudes e, principalmente, os defeitos da seleção brasileira. E os 6 a 2 sobre os panamenhos revelaram um problema importante: a exposição a que o time se submete com apenas dois jogadores no meio de campo.

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Isso ficou bastante claro no primeiro tempo do amistoso no Maracanã neste domingo. Com apenas dois no setor, ficou um buraco no meio. Além disso, sacrificou Matheus Cunha, que, ao ser designado para compor o setor, não conseguiu nem ajudar na marcação nem ser um articulador eficiente, muito menos um meia-atacante efetivo. Pior ainda foi colocar Raphinha como “falso 9”, o encarregado de ficar mais perto da área adversária.

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Talvez se Carlo Ancelotti tivesse invertido as funções desses dois, o funcionamento pudesse ter sido melhor. Ainda assim, seria insuficiente. Aliás, com os jogadores que ele vai levar para a Copa é bastante difícil que alguém lá da frente consiga preencher plenamente as necessidades que o setor de meio de campo exige no futebol atual.

Atacantes em disputa

Sorte que o italiano parece ter percebido os riscos de ter um meio de campo com pouca gente, com base no desempenho da etapa final da festa de despedida realizada no Maracanã. Claro que o adversário continuou sendo fraco, mas o setor ficou mais bem povoado e isso também possibilitou um desempenho melhor dos homens de frente na etapa final. O ataque, aliás, não precisa ter quatro jogadores, principalmente contra as grandes seleções que o Brasil certamente enfrentará a partir da fase eliminatória.

Com três no meio, o Brasil ficará mais equilibrado, sem perder a velocidade e a verticalidade. As características dos atacantes, sobretudo os que jogam pelos lados, ajudam. Claro que, para isso, um dos atacantes que iniciaram a partida contra os panamenhos irá para o banco, dando lugar a Paquetá (foi muito bem no amistoso) ou Danilo Santos. Ou até mesmo Neymar, quando puder jogar, como indicou Ancelotti depois da partida. Opção, aliás, que talvez não seja a ideal pelas características de Neymar. Nesse caso, Luiz Henrique é o mais cotado para sair.

Com um meio de campo formado por Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá/Danilo Santos, o setor ganhará três jogadores que podem atuar de uma área à outra. Com maior ou menor intensidade e até se revezando nessa função.

Bola dentro

Ancelotti acertou em cheio ao avisar que não vai cortar Neymar, independentemente de quando o atacante estará apto para jogar. Assim, acaba com o lenga-lenga da vez na seleção, e para azar de quem só tem um assunto. O valor do centroavante Igor Thiago, homem de área por excelência, mostrou ser excelente opção para determinados momentos das partidas. Não é um Pedro, mas é bom centroavante.

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