Roger Machado terá o seu nome gritado neste sábado no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, pela principal e mais respeitada torcida do São Paulo, a Independente. O time recebe o Mirassol com mando de campo na cidade a 70 quilômetros de sua casa. O Morumbi será usado para um show musical previamente agendado. É jogo do Brasileirão. A decisão já está tomada.
The Football entrevistou o líder da torcida organizada do São Paulo para entender o posicionamento da entidade em relação ao treinador. Henrique Baby não compactua com o tratamento dado a Roger desde que ele chegou ao clube, e exime o técnico dos fracassos dos jogadores e do time em campo.

A Independente não gritou o nome de Roger Machado na partida do São Paulo contra o Juventude no Morumbis na terça-feira porque o seu líder entendeu que o gesto poderia dividir o torcedor naquele momento. Poderia ser um tiro no pé. Baby também rechaça o que ele chamou de “racismo estrutural” do clube e de parte dos torcedores com o treinador. “Eu me coloquei no seu lugar e vi minha filha de 9 anos sofrendo bullying na escola. Não podemos permitir que isso aconteça no São Paulo. Não somos assim e não é justo com o treinador”, disse o torcedor ao The Football.
O que disse o líder da torcida
Portanto, Roger Machado ganha um forte aliado a partir de agora nos jogos do São Paulo. Ele será cobrado quando o time perder ou ser eliminado de competições, mas nunca depois de uma vitória, como aconteceu após o 1 a 0 diante do Juventude, pela Copa do Brasil, com gol de Luciano. O entendimento é que passou do ponto. Havia 35 mil torcedores no Morumbis. “Vamos sempre cobrar os resultados. Mas não podemos vaiar o São Paulo quando ele ganhar um jogo”, disse Baby.

A Independente também quer acabar com o viés político dentro do São Paulo e até mesmo no vestiário do time. Ao The Football, o líder da torcida organizada admitiu que Roger também sofre perseguição porque ele fez o “L” de Lula em algum momento, como alguns jogadores, como Lucas Moura, já tinham manifestado apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “O São Paulo não é isso. Precisamos ter liberdade de expressão, mas a política nacional não pode atrapalhar o time. Não tenho dúvidas de que o Roger paga pelo “L” de Lula.”
‘Não somos racistas’
O entendimento do torcedor que mais acompanha o time é de “compaixão” com o treinador e seus familiares nesse momento. “O cara pode surtar sem culpa de nada. Precisamos ser grandes. Vamos gritar o nome do Roger em Campinas e vamos mostrar que não somos racistas.” Roger será cobrado como qualquer outro técnico do São Paulo.
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O líder da torcida também é contrário à troca de comando técnico. Dorival Júnior, demitido do Corinthians, teve o seu nome associado ao clube novamente, mas parte do torcedor tricolor ainda aponta que ele “abandonou” a equipe para defender a seleção brasileira. “É preciso um trabalho para reconquistar o torcedor”. O São Paulo lidera o seu grupo na Sul-Americana e ocupa uma das quatro primeiras posições no Brasileirão, além de ter saído na frente no mata-mata da Copa do Brasil. Ao The Football, Baby disse que é preciso recolocar o São Paulo no caminho da boa gestão, afastar quem quer usar o clube para se promover, principalmente em ano de escolha de um novo presidente.





