O Palmeiras ganhou um reforço. Mas não do jeito que o torcedor imagina. O retorno de Paulinho à lista de jogadores relacionados contra o Santos não é sobre minutos. É sobre processo e sobrevivência. Depois de nove meses longe do jogo, o atacante volta a existir dentro do elenco alviverde. E isso, no futebol de alto nível, é quase tão importante quanto jogar. Paulinho não reaparece para resolver. Reaparece para reaprender. O jogo é neste sábado, pelo Brasileirão, no Allianz Parque.
O time de Abel Ferreira é líder do Brasileirão, tem padrão, tem resposta coletiva, mas sempre esperou por este dia. Nunca acelerou o retorno do atacante nem nunca precisou disso. O treinador se virou como pôde, assim como os seus companheiros de vestiário. Ninguém foi mais esperado do que Paulinho desde que Abel chegou ao Brasil. E esse talvez seja o maior trunfo do Palmeiras neste momento: poder respeitar o tempo de um jogador que, em outro cenário, seria empurrado para o campo antes da hora.

Não há espaço para ansiedade — mesmo que ela exista. É a regra de Abel e do vestiário da Academia. A ansiedade sempre existiu, mas ela foi controlada como nunca antes. Abel soube esperar. Os jogadores souberam esperar. A torcida, à sua maneira, soube também esperar. A presidente Leila Pereira soube esperar. Paulinho esperou.
O dia chegou para Paulinho
O próprio Paulinho já havia admitido o desejo que esse dia chegasse. Falou de emoção, de família, de um período difícil que não foi só físico. Porque nunca é só físico. Uma lesão longa, que tira o jogador do campo por meses, deixa marcas, mas também traz ensinamentos. Paulinho deixou de competir há muito tempo na Academia para sobreviver no futebol. Já não era mais apenas para voltar a jogar. Era para não morrer esportivamente.
Agora, começa o caminho de volta. O discurso interno é bastante claro: controle de carga, minutagem reduzida, avaliação constante e tudo mais que o torcedor se cansou de ouvir e de duvidar. Paulinho só está relacionado porque ele próprio se relacionou ao atingir intensidade de jogo. Certamente, ele ainda não suporta o volume de uma partida e o que vem pela frente. Mas sente-se pronto.

“Já está sendo um dia marcante e emocionante. Nesta semana, tinha na minha cabeça que havia uma grande chance de ser relacionado para o jogo (contra o Santos) e trabalhamos muito em cima disso desde segunda-feira. Por mais que a gente prepare nossa mente, sempre bate um pouco de ansiedade, o que é normal”, disse o camisa 10.
O que esperar de Paulinho?
Mas o que separar de um retorno como esse? Pode haver recaídas, claro. Passos para trás a fim de andar para frente depois, mais seguro e sem medos. O Palmeiras aprendeu a lidar com isso. Paulinho também. A tendência, se ele jogar, é de poucos minutos, cenários específicos, talvez um segundo tempo controlado. Mas o suficiente para reacender o ritmo sem comprometer o corpo. O clube não trabalha com prazos. Nunca trabalhou. Nem os internos nem os públicos. O Palmeiras se ocupou nesses nove meses de respostas físicas, clínicas e mentais. E isso muda tudo no cenário do futebol brasileiro. Quantos jogadores caíram e voltaram?
O que ele disse
“Acredito que amanhã será mais emocionante ainda, com a minha família no estádio, retornar depois de um período difícil, tanto físico quanto mental. Estou tentando assimilar esse momento e espero coroar com uma vitória e, se possível, alguns minutos no jogo.” The Football tinha a informação de que ele voltaria em maio.
Há um outro ponto relevante na volta de Paulinho: o calendário. O mês de maio e a pausa para a Copa do Mundo funcionam como uma segunda pré-temporada para ele. Um luxo raro no futebol. É nesse intervalo que o Palmeiras projeta transformar Paulinho de “relacionado” em “utilizável”, de opção emocional em peça real do time de Abel. Mas sem pressa e sem risco. Porque, no fim, o reforço não é o retorno imediato. É a chance de ter Paulinho inteiro quando a temporada realmente cobrar.
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Daniel Gonçalves, coordenador do Núcleo de Saúde e Performance do Palmeiras, sabe tudo sobre Paulinho. A palavra final é sempre dele sobre a condição do jogador. Ele explicou que o atacante já apresenta intensidade de jogo, mas ainda com algumas limitações importantes. “Ele progrediu ao longo dos últimos dias. Tem tido intensidades semelhantes às de jogo, porém ainda com algumas restrições de volume, que seriam distância e tempo. Mas isso já o permite, diante destas estabilidade e regularidade desde a semana passada, ser convocado e ficar à disposição”, disse.





