O Palmeiras não vai errar novamente com o atacante Paulinho. Errou uma vez no sentido de “forçar” a escalação do jogador e não se dar conta da gravidade da contusão na tíbia direita. O próprio atleta errou ao insistir em jogar com dores e não “falar a verdade”. As decisões do clube foram todas equivocadas. Certamente por falta de informações corretas. Quando comentou que só poderia usar Paulinho por meia hora nos jogos, Abel Ferreira fez cara de quem não gostou da decisão do Núcleo de Saúde e Performance do clube. O Palmeiras estava no Mundial de Clubes da Fifa, nos Estados Unidos, no ano passado, quando Abel informou a condição de Paulinho. Não era para ter sido assim. Mas foi.

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Quase um ano depois, o Palmeiras não vai correr riscos com o atacante. Se já esperou até agora, vai esperar o quanto for preciso. Abel não pensa no jogador. O clube tem agora toda a documentação do seu caso. O Atlético-MG fez a primeira cirurgia, mas não tinha como dimensionar a gravidade da lesão antes da venda. Paulinho tentou jogar com dores. Ele já confessou isso algumas vezes. Foi o seu erro. O próprio atleta correu risco e podia ter complicado ainda mais a sua condição. Exames não detectam dor.

Paulinho avança no tratamento, já treina em campo com os companheiros, mas ainda sem data para voltar / Palmeiras

Paulinho queria jogar. O atacante foi seduzido pela troca de camisa e pela necessidade de chegar mostrando serviço no novo clube e também pelo valor pago de R$ 115 milhões pelo seu contrato. Ele ganhou a camisa 10 de Abel. Portanto, mesmo com dores, resolveu encarar. Errou. A junta médica do Palmeiras optou então pela nova intervenção. A partir daí, tomou as rédeas da contusão e do tratamento. Fase por fase.

Ele vai ser escalado a conta gotas

De modo que o Palmeiras não vai se valer do jogador enquanto ele não tiver liberação de todos os segmentos clínicos e esportivos que o assistem. Não há a menor possibilidade de o atleta jogar com dores. Paulinho ganhou massa muscular e está mais pesado. Seu corpo mudou com tanta musculação e fisioterapia. Ele deve perder mobilidade. Pode ser até que nem seja mais um atacante e passe a jogar de armador. Paulinho está mais lento. Isso é natural quando um atleta passa tanto tempo no DM.

Ele pode ficar no banco em abril

A boa notícia é o sumiço das dores na tíbia. Isso é um ótimo sinal. Mas Paulinho ainda não faz todos os movimentos de intensidade de jogo. Outro ponto positivo é a confiança que o jogador adquiriu nos treinamentos. Ele já está no campo com os companheiros. E avanço nos trabalhos. O mês de abril surge como possibilidade de o atacante ao menos ser relacionado para os jogos do Brasileirão. Ele não vê a hora. Seu último jogo foi em 4 de julho, contra o Chelsea, no Mundial de Clubes da Fifa.

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Mas Abel vai escalar Paulinho a conta gotas. O seu processo para retomar um lugar no time vai ser lento. O treinador fez o mesmo com Arias, mesmo com o colombiano atuando na Premier League e sem nenhuma lesão. O caso de Paulinho é grave. Abel pensa no jogador como um “renascimento” no futebol, de um atleta que não atua há quase um ano por causa de uma lesão muito grave.

Mesmo se for relacionado em abril para os primeiros minutos, ele terá de esperar para fazer um jogo inteiro. Talvez em maio. Há uma conta de cinco ou seis partidas para encarar os 90 minutos. Será mais um teste de paciência para Paulinho e para a torcida do Palmeiras. Mas não tem o que fazer. “A cada semana a gente tem de passar por uma adaptação. Minha transição física é um pouco diferente, porque é um pouco mais prolongada. Preciso de algumas semanas para preparar o meu corpo e assim adaptar a cada carga que aumento no trabalho”, disse ao GE.

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