Mikel Merino tem uma estrela gigantesta que parece ter firmado um acordo particular com os minutos finais. Quando as pernas pesam, os espaços desaparecem e a tensão passa a comandar as decisões, o meio-campista espanhol encontra uma maneira de mudar a história. Foi assim contra a Alemanha, nas quartas de final da Eurocopa de 2024, quando marcou de cabeça aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação. Repetiu o roteiro diante de Portugal, com o gol aos 46 minutos da etapa final que colocou a Espanha nas quartas desta Copa do Mundo. Nesta sexta-feira, precisou de ainda menos tempo: entrou aos 41 minutos do segundo tempo e, aos 43 minutos, aproveitou o rebote do goleiro Senne Lammens para decretar a vitória por 2 a 1 sobre a Bélgica.

Tudo sobre a Copa do Mundo

A Espanha está de volta à semifinal de uma Copa do Mundo após 16 anos. O adversário será a França, na terça-feira, 14 de julho, em Arlington, na região de Dallas. A campeã da Eurocopa de 2024 enfrentará uma seleção francesa novamente instalada entre as quatro melhores do planeta e que busca a terceira final consecutiva na competição. Será o encontro das duas maiores forças europeias desta Copa para definir o primeiro finalista do Mundial.

Merino comemora seu gol
Com dois minutos em campo, Merino faz sua estrela brilhar mais uma vez e anota o gol da classificação da Fúria  / Sefutbol

Merino, o iluminado

O lance do gol da classificação reuniu, em poucos segundos, os dois destinos da partida. De um lado, a Espanha novamente encontrou uma solução no banco de reservas. Do outro, a Bélgica pagou o preço de uma sequência de problemas físicos que consumiu parte de suas forças. Amadou Onana já estava fora depois de sofrer uma grave lesão no joelho contra os Estados Unidos. Pouco antes do início das quartas, o capitão Youri Tielemans sentiu a parte posterior da coxa durante o aquecimento e precisou ser retirado da escalação. Hans Vanaken entrou em seu lugar, enquanto Kevin De Bruyne recebeu a braçadeira.

O golpe mais doloroso ocorreu no segundo tempo. Thibaut Courtois sofreu lesão na coxa esquerda, tentou permanecer em campo, mas acabou substituído aos 26 minutos, visivelmente emocionado. Em seu lugar entrou Senne Lammens, de 24 anos, para fazer a primeira partida de sua carreira em uma Copa do Mundo justamente em uma eliminatória contra a atual campeã europeia. Durante quase 17 minutos, o jovem goleiro sustentou o empate. Então, o chute de Cubarsí quicou à sua frente. A finalização não tinha grande potência, mas Lammens rebateu para o centro da área. Merino não perdoou.

Espanha mina as energias

A crueldade do desfecho não apaga a superioridade espanhola durante boa parte do primeiro tempo. Luis de la Fuente surpreendeu ao deixar Pedri no banco e entregar a Fabián Ruiz uma vaga no meio-campo ao lado de Rodri e Dani Olmo. A escolha respondeu rapidamente dentro de campo. A Espanha controlou a posse, movimentou a bola com velocidade e encontrou boas combinações especialmente pela direita, com Pedro Porro e Lamine Yamal.

Aos 30 minutos, Porro tabelou com Yamal e cruzou rasteiro. Dani Olmo finalizou de primeira, Courtois defendeu, mas deixou o rebote disponível. Fabián chegou à área e concluiu para abrir o placar. Era o prêmio para a equipe mais organizada e agressiva naquele momento e, também, a justificativa imediata para a alteração realizada por De la Fuente. O jogador escolhido para ocupar o espaço de Pedri havia encontrado justamente o espaço que definiu o primeiro gol.

Adeus, invencibilidade

A Espanha cresceu depois da vantagem. Trocou passes rápidos nas proximidades da área, empurrou a Bélgica para trás e pareceu próxima de ampliar. Mas os belgas demonstraram por que haviam chegado às quartas mesmo diante das perdas acumuladas. Aos 41 minutos, De Bruyne abriu o jogo para Timothy Castagne, que cruzou da direita. Charles De Ketelaere antecipou-se a Cubarsí e cabeceou para vencer Unai Simón. Além de empatar a partida, De Ketelaere encerrou uma marca impressionante. Foi o primeiro gol sofrido pela Espanha nesta Copa e rompeu uma sequência de 650 minutos de Unai Simón sem ser vazado em Mundiais. O goleiro havia atravessado as cinco partidas anteriores do torneio com a meta intacta. A Bélgica marcou em sua primeira finalização certa e levou o confronto igualado para o intervalo, apesar dos melhores momentos espanhóis.

O segundo tempo foi menos fluido e mais tenso. Courtois ainda apareceu para impedir conclusões perigosas, enquanto a Bélgica passou a ameaçar nos contra-ataques e nas jogadas de força com Romelu Lukaku. A lesão do goleiro, porém, alterou o cenário emocional. Sem Tielemans, cortado no aquecimento, capitão originalmente escalado, sem Onana e, depois, sem Courtois, os belgas precisaram reorganizar novamente uma equipe que já havia percorrido um caminho desgastante na competição.

A Espanha não dominava como antes, mas manteve a paciência. De la Fuente recorreu ao banco, lançou Pedri, Ferran Torres, Nico Williams e, por fim, Merino. A estratégia repetia uma característica da seleção campeã europeia: qualidade suficiente para controlar o jogo com os titulares e profundidade para encontrar novas respostas quando o plano inicial deixa de funcionar.

Merino Fabian Ruiz e Dani Olmo celebram o primeiro gol da Espanha na vitória sobre a Bélgica
Autor do primeiro gol, Fabián Ruiz (dir.) celebra com Dani Olmo o gol que abre o caminho da vitória da Espanha  / Sefutbol

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Merino entrou no lugar de Dani Olmo e fez o que já havia realizado contra Portugal — e o que fizera diante da Alemanha na Eurocopa. Não precisou de uma construção brilhante nem de uma oportunidade limpa. Precisou apenas compreender o momento. Cubarsí chutou, Lammens falhou e o meio-campista atacou o rebote. Em partidas eliminatórias, a diferença entre sobreviver e voltar para casa muitas vezes está menos na beleza da jogada do que na velocidade para interpretar o acaso. Dessa maneira, para Merino, o relógio não anuncia o fim. Anuncia a oportunidade.

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