Jhon Arias, Flaco López, Vitor Roque, Gustavo Gómez, Carlos Miguel, Andreas Pereira, Marlon Freitas e agora Paulinho… Não faltam ótimos jogadores no Palmeiras, mas o time não vai. E isso não tem a ver com eficiência. Porque a condição do Palmeiras é boa. A equipe de Abel lidera o Brasileirão, por exemplo. Mas no empate diante do Santos, em casa, mais uma vez o Palmeiras teve um desempenho fraco – foi até vaiado no intervalo. Na Libertadores, a equipe está longe de ficar confortável com a classificação, assim como estreou sem brilho contra um time da Série D na Copa do Brasil, o Jacuipense. Falta futebol.

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O Palmeiras, que se acostumou a empilhar troféus e a apresentar um futebol sólido, hoje vive um dilema de identidade. A queda de rendimento não é apenas estatística. Ela é visível nas partidas. O time, que antes controlava os jogos com uma defesa impenetrável e transições mortais, agora parece exposto na contenção e sem criatividade para encontrar maneiras de atacar. Abel diz que é cansaço.

Abel Ferreira não tem conseguido fazer o Palmeiras melhorar o seu desempenho em nenhuma das competições / Palmeiras

E aí a pergunta que não cala entre os torcedores: o que acontece com o Palmeiras? Por que agora, com mais jogadores de qualidade no grupo, o time piorou? O torcedor está ressabiado. Festeja, apoia, mas desconfia.

Problema do calendário

A resposta não é exata e passa por uma combinação de fatores, desde o desgaste físico de atletas fundamentais até a leitura de jogo dos adversários, que parecem ter mapeado as principais jogadas do time de Abel. Jogadores que antes eram pilares de segurança, agora cometem erros individuais que custam pontos preciosos na tabela.

Além disso, a transição entre o elenco experiente e a entrada de novos atletas ainda não atingiu o equilíbrio necessário. Há de se pontuar ainda o terrível calendário, a qualidade dos gramados e outras variações que o próprio técnico palmeirense e sua comissão costumam listar nas entrevistas.

Todos no mesmo barco

Um detalhe precisa ser colocado na balança: a maior parte dessas condições vale para o Palmeiras, mas também é uma realidade enfrentada por todos os outros concorrentes do futebol brasileiro. A questão é que o elenco de Abel é um dos melhores do país, portanto, deveria ter condições de superar os obstáculos com mais facilidade.

Piquerez se machucou em amistoso da seleção uruguai, passou por cirurgia e pode até perder a Copa / Palmeiras

Olhando para o próprio umbigo

Mas o olhar precisa se voltar para dentro do campo. O Palmeiras hoje é um time confuso e extremamente previsível. A dependência de lampejos individuais substituiu o jogo coletivo que era a marca registrada de Abel. Quando as peças principais oscilam, o castelo tende a desmoronar. O torcedor, que sempre entregou apoio incondicional, agora cobra o mínimo: organização.

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Contra o Santos, o Palmeiras perdeu a capacidade de variar suas formas de ataque, insistiu em cruzamentos infrutíferos e em uma circulação de bola lenta, que facilitou o encaixe da marcação adversária. O meio-campo, antes o motor da equipe, hoje sofre para realizar a transição defensiva, deixando a zaga exposta a contra-ataques primários. A falta de aproximação entre os setores cria “buracos” que impedem a pressão pós-perda, uma das maiores virtudes deste elenco em tempos de glória. O Palmeiras virou um time estático, que espera o erro do rival em vez de provocá-lo. Parece que há um esgotamento do modelo de jogo ou da forma de gestão da comissão técnica.

Resumo da ópera

A urgência de resultados no futebol brasileiro não permite o luxo da paciência eterna. O que acontece com o Palmeiras passa por um desgaste mental que transparece em cada passe errado. É muito difícil de explicar como um grupo com tamanha qualidade técnica se mostra tão vulnerável.

O silêncio das respostas táticas é um dos grandes inimigos do Palmeiras neste momento. O tempo das desculpas e das coletivas filosóficas acabou. O Palmeiras precisa voltar a ser o time que dita o ritmo e não o que apenas assiste ao adversário jogar – por mais frágil que ele seja.

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