A final da A2 é nesta quarta-feira. Juventus e Ferroviária decidem o Campeonato Paulista na Arena da Fonte Luminosa, em Araraquara, depois de um empate sem gols no primeiro confronto. O time da Mooca precisa da vitória de qualquer maneira para ser campeão e erguer uma taça. Por ter feito uma melhor campanha nas fases anteriores, a Ferrinha conquista o título com novo empate. Independentemente de quem for campeão, os dois clubes já conseguiram o acesso para o Paulistão de 2027.

Permanecer no Paulistão pode ainda ajudar o Juventus a voltar a ter uma presença no futebol nacional. A primeira divisão paulista estadual abre caminho para garantir vaga no Campeonato Brasileiro da Série D ou ainda na Copa do Brasil, o que daria calendário para o clube grená o ano inteiro. Isso daria ao clube uma volta ao passado, quando o Juventus festejou um título nacional.
Presença nacional
Em 1983, o time da Mooca venceu a Taça de Prata, o equivalente ao campeonato brasileiro da Série B. O Juventus eliminou Itumbiara (GO), Galícia (BA), Joinville e decidiu o título contra o CSA, de Alagoas, em três jogos. “Foi o título que mais me marcou na carreira. Mandaram a final para o Parque São Jorge, do Corinthians, porque a Javari era menor. Um campo muito bom e fomos felizes lá. Ganhamos um campeonato muito difícil”, relembra com nostalgia o ex-lateral-esquerdo Carlos Roberto Bento, o Bizi.
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Aos 70 anos, o jogador é o recordista de partidas no Clube Atlético Juventus em todos os tempos. São 358 jogos com a camisa grená e 17 temporadas no Moleque Travesso. O lateral conversou com The Football sobre o momento do time paulistano e relembrou alguns fatos da sua trajetória profissional. Ele fez sua estreia profissional contra o Santos, de Pelé. Só isso.
The Football: O Juventus empatou o primeiro jogo contra a Ferroviária em casa. O senhor acredita que o clube pode vencer a final fora?
Bizi: Estou contentíssimo com o acesso. O Juventus ficou muito tempo fora da primeira divisão do Paulista. O mais importante é que o clube voltou, mas se fizer uma vitória na casa do adversário será melhor ainda. Mas no meu modo de pensar, o time fez o mais difícil: conseguiu o acesso. Estou muito contente, muito feliz. Até rezei para o Juventus subir no Campeonato Paulista.
O que o senhor acha do projeto de reformar a Rua Javari para se tornar uma arena coberta de 15 mil lugares e grama sintética?
A Rua Javari é um campo bom, joguei a minha vida inteira lá. Tem pouco espaço, é verdade… Mas sempre foi daquele jeito, não tem como mudar. Agora, sobre a grama sintética, quando eu jogava não sentia diferença nesse tipo de campo: jogava em qualquer estádio.

O senhor conquistou a Taça de Prata e o Torneio Início no Juventus. Qual deles foi mais importante?
O que marcou mais foi a Taça de Prata, porque era considerado um campeão brasileiro. Foi uma benção na minha vida e na minha carreira. Fiquei muito feliz. Um dos problemas da decisão é que a final não pôde ser realizada na Rua Javari. Tinha uma capacidade pequena. Os dirigentes levaram o jogo para o Parque São Jorge, campo do Corinthians. Mas foi muito bom e fomos muito felizes lá. Ganhamos um campeonato muito difícil, contra o CSA, que tinha sido campeão estadual de Alagoas no ano anterior. Nosso capitão era o Deodoro, uma pessoa que sempre me orientou muito e me dava ótimos conselhos.
O senhor fez quantos jogos com a camisa do Juventus? Qual é o jogo mais inesquecível?
Foram 358 jogos. Eu acho que sou um dos que mais vestiram a camisa do Juventus. Mas o jogo inesquecível ocorreu quando eu tinha 16 anos. Eu vinha das categorias de base e o treinador chamado Milton Buzetto me convocou para ficar na reserva do lateral-esquerdo titular. Foi um jogo contra o Santos, do Pelé, no Morumbi. Eu nunca tinha jogado no profissional. No dia do jogo, o Buzetto colocou a mão no meu ombro e falou que eu ia entrar. Tinha aparecido a oportunidade e eu marquei um ponta-direita chamado Manoel Maria. Nessa partida, o Pelé me cumprimentou, me abraçou e eu chorei. O melhor jogador do mundo teve essa gentileza comigo. Esse foi um momento muito especial na minha vida e na minha carreira. Era uma época diferente, todos jogavam por amor à camisa.

O senhor acredita que o Juventus na A1 de 2027 pode voltar a ser aquela pedra no sapato dos grandes?
Eu acredito que sim. Isso depende dos jogadores e do time que vão montar no ano que vem. Vou te falar uma coisa: sempre colocam a culpa no treinador. Mas não é o técnico que joga. Não pode ser colocada toda a culpa em cima do técnico. Mas tenho fé em Deus que o Juventus vai voltar a ser como naquela época.





