Foi na esquina das ruas José Paulino e Cônego Martins no Bom Retiro que cinco operários se reuniram para fundar um clube de um esporte até então restrito para a elite brasileira. Foi um alfaiate que encontrou a maneira correta de definir a nova entidade esportiva. “O Corinthians vai ser do povo e o povo vai fazer este time”. Dessa maneira surgiu um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro: o Sport Club Corinthians Paulista, em 1º de setembro de 1910.

Tudo sobre o Corinthians

Esse episódio e os primeiros momentos do clube de Parque São Jorge estão no espetáculo  “Os fundadores – A origem do time do povo”, que estará em cartaz aos sábados em maio e junho no Teatro Corinthians, localizado na rua São Jorge, 777, Tatuapé, em São Paulo. A peça conta a origem do Corinthians, cuja opção desde o início era representar os trabalhadores, os imigrantes e os meninos de várzea.

Teatro: o espetáculo ‘Os fundadores’ aborda a fundação e os primeiros dias da criação do Corinthians / Divulgação

A montagem mistura teatro, ritmo popular e coreografia para contar os primeiros anos do futebol paulista. Contudo, o espetáculo não se resume ao esporte bretão, trazido pelas mãos de Charles Miller. Os embates ideológicos, a força das primeiras assembleias e a participação das mulheres num tempo de um machismo absoluto demonstram como a equipe surgiu baseada em um projeto de transformação social gigantesco.

Veracidade histórica com ficção

“A nossa proposta foi ser o mais fidedigno possível aos fatos históricos”, revela o diretor Edhuardo Osório ao The Football. “Mas com algumas cenas de ficção para deixar a história mais convidativa e emocionante ao público”. Com texto e concepção de Camila Lopes, Juliana Lucilha e Tom Rogé, o espetáculo conta com 13 atores e produção da Cia. Interiorando.

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A proposta da peça foi originalmente do departamento cultural do próprio clube paulista. Com muito trabalho e análise, eles idealizaram uma encenação de 80 minutos, totalmente palatável para o público que gosta de futebol. The Football conversou com o ator e diretor do espetáculo, Edhuardo Osório.

The Football: Como surgiu a ideia de montar uma peça de teatro sobre a fundação do Corinthians?

Edhuardo Osório: O Departamento Cultural do Sport Club Corinthians Paulista teve a ideia de homenagear o clube resgatando a sua história. E resolveram que através do teatro seria uma forma bacana e nova. Aí, então, o espetáculo tomou forma com a parceria da Cia. Interiorano de Teatro e o departamento cultural do clube.

Quais foram as maiores dificuldades do espetáculo?

A principal dificuldade foi colocar em cena todas as pessoas que contribuíram na fundação do clube. Muitas pessoas foram importantes, porém, era inviável colocar tantos personagens em cena. Por isso nos concentramos nos cinco fundadores apenas.

Com rigor histórico, o espetáculo buscou ser o mais fidedigno sobre as primeiras décadas do Século 20 / Divulgação

Durante a pesquisa, você se surpreendeu com algo relativo à fundação do Corinthians?

O mais surpreendente foi descobrir que os fundadores eram muito jovens: entre 15 e 18 anos apenas. O mais velho era o Rafael, que tinha 27 anos. Nós imaginávamos que eles eram bem mais velhos na época.

Como o espetáculo aborda a trajetória de Miguel Battaglia, o primeiro presidente corintiano?

No espetáculo, nós não nos concentramos na história dele, mas ele tem uma participação importante na peça. Miguel Battaglia ficou um período curto como presidente, somente 14 dias por não concordar com a questão hierárquica no clube. Ele era um anarquista. Deixamos muito claro que ele era muito respeitado e vangloriado pelos demais.

O Corinthians foi fundado por pessoas simples: operários e imigrantes. Esse fato incomodou a elite da época?

Incomodou muito. E isso nós retratamos em várias cenas do espetáculo.

‘Os fundadores’ estreia no Teatro Corinthians no próximo sábado, dia 9, às 20h30 / Corinthians

Um dos diferenciais da obra é citar a participação de mulheres na fundação do Corinthians. Como foi isso?

Quando os autores estavam escrevendo o texto, foram achados poucos registros de mulheres que fizeram parte da fundação do clube. Mas elas estavam presentes, isso é um fato. Estavam presentes na confecção da bandeira, do primeiro distintivo… Elas lavavam e costuravam os uniformes e estavam presentes na fundação também. Elas participavam ativamente, mas não há muitos registros. Colocamos essa mulheres em cena, demos nomes a elas. Uma das mulheres que aparece no espetáculo, e é a única de que se tem registro, é a Antônia Perroni, que bordou o primeiro distintivo do clube.

A peça “Os fundadores – A origem do time do povo” é uma obra de grande rigor histórico ou tem um lado de ficção?

A nossa proposta foi ser o mais fidedigno possível ao que aconteceu, aos fatos históricos, mas por se tratar de um gênero teatral a Companhia optou também por trazer um lado poético e com algumas cenas de ficção para deixar a história mais convidativa e emocionante.

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