O Palmeiras está correto em desistir da Libra e adotar uma postura de espera para saber o que vai acontecer sobre a criação de uma liga única de futebol no Brasil. A briga da presidente Leila Pereira não é apenas contra o Flamengo. Leila entende a postura do colega Bap, embora não concorde em nada com o dirigente da Gávea. Bap é forjado numa formação esportiva de “levar vantagem em tudo” e puxar a brasa para a sua sardinha o tempo todo, mesmo se isso prejudicar outros clubes ou quem quer que seja. Claro, dentro das leis estabelecidas. O Flamengo trabalha nas brechas.

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Por isso, o Palmeiras deixou a liga. Bap está “atropelando” todos os seus pares porque entende que o Flamengo merece ganhar mais dinheiro do que os outros 19 times da Série A. Leila não concorda. Ele tem os seus números de audiência e age do tamanho do Flamengo. Ganhou R$ 150 milhões a mais por causa disso até o fim do contrato com a Libra. Se ele ganhou mais e o valor da receita não aumentou, é certo que alguém está ganhando menos.

Leila Pereira deixou a Libra numa manobra que pode trazer a CBF novamente para o comando dos negócios / Palmeiras

O Flamengo faz o que o Vasco, de Eurico Miranda, fazia e o que todos os outros dirigentes tentam fazer em prol de suas bandeiras, alguns com mais coerência e outros com menos. O Palmeiras não é tão diferente. O Flamengo responde aos anseios da sua torcida. O clube registrou receita de R$ 2 bilhões no ano passado. Isso viabiliza pagar as contas e reforçar o elenco. O caminho é de bonança. E tem de ser assim mesmo.

CBF de volta no comando

O Palmeiras faz a mesma coisa, com R$ 300 milhões a menos na arrecadação de 2025, mas sem, em princípio, passar por cima dos seus pares do Brasileirão. Leila defende um discurso de que o futebol brasileiro deve repartir melhor o dinheiro movimentado das receitas de transmissões e todas as outras que o bloco negocia anualmente. Leila prega clubes fortes financeiramente para um futebol nacional forte. Seus argumentos têm caminhado nesta direção.

O Flamengo, ao que tudo indica, não se importa com a participação da CBF na tentativa de organizar uma liga, projeto que se arrasta há anos sem solução. Anda para trás. Daria até para dizer que o projeto da liga fracassou no Brasil. Há dinheiro, há dois blocos com receitas, mas não há um acordo único, tampouco um entendimento financeiro dos clubes. Todos querem ganhar mais. Os mais fortes conseguem. Os bastidores fazem diferença.

Bap, presidente do Fla, trabalha em prol do clube e entende que deve ganhar mais com as transmissão / Flamengo

Nessa brecha e na falta de capacidade de um final feliz, a CBF voltou atrás em sua decisão de delegar aos clubes o direito de organizar uma liga. O combinado de a CBF sair de cena nesse assunto foi do presidente anterior, Ednaldo Rodrigues, e não de Samir Xaud. De modo que a CBF trabalha para retomar o assunto e ser ela a responsável em comandar tudo, gostem ou não os clubes.

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A dura verdade é que os clubes não foram capazes de se organizar. São entidades de visão míupe e ultrapassada, que conseguem pensar apenas no bem próprio e não no crescimento coletivo do produto, das competições e do engajamento financeiro compartilhado. A briga é entre Flamengo e Palmeiras, mas o fracasso é generalizado dos dirigentes que comandam o futebol brasileiro.

2 COMENTÁRIOS

  1. Leila tem razão. Não se pode tolerar conchavo entre Flamengo e Gremio. Nunca teremos uma liga modelo no Brasil, uma CBF incompetente ao extremo, aliada a decisões politicas que predominam sobre ações técnicas, logisticas, juridicas e comerciais para uma liga saudável.

  2. Leila tem razão. Não se pode tolerar conchavo entre Flamengo e Gremio. Nunca teremos uma liga modelo no Brasil, uma CBF incompetente ao extremo, aliada a decisões politicas que predominam sobre ações técnicas, logisticas, juridicas e comerciais para uma liga saudável.
    Exemplo – Há 12 vantagens para a serie A ser disputada por 18 clubes. Mas é proibido tocar no assunto.

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