Pelo que vem jogando, Neymar não merecia uma vaga entre os 26 jogadores que representarão o Brasil na Copa do Mundo. Por seu histórico, porém, não é ruim que ele esteja no grupo. Dentro de campo, Neymar é o único fora de série do futebol brasileiro. Pode ser importante na campanha do torneio que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México. Principalmente se conseguir, por pouco menos de dois meses, fazer aquilo que poucas vezes fez ao longo da carreira: ser um jogador que coloca os interesses e metas do grupo à frente de seus objetivos pessoais.

Tudo sobre a Copa do Mundo

Carlo Ancelotti vai negar, mas não cumpriu aquilo que várias vezes falou ao ser questionado sobre Neymar, ou seja, que só iria levar quem estivesse 100% em condições de ser competitivo em uma disputa tão forte como a Copa do Mundo. Neymar não está 100% fisicamente, embora tenha evoluído bastante. Tecnicamente, ele se mostra bem abaixo daquilo que seu talento o tornou capaz. Erra jogadas fáceis e se equivoca em tomadas de decisão no campo.

Neymar consegue na reta final mostrar que pode ser útil à seleção brasileira como líder dentro e fora de campo / Santos FC

Do Neymar do ápice, resta apenas o comportamento de quem se acha intocável dentro de campo e se irrita com qualquer coisa (às vezes até tem razão, como na inexplicável substituição que foi obrigado a aceitar no jogo entre Santos e Coritiba). É preciso saber como ele vai se comportar na seleção, mesmo porque Ancelotti não deu garantias de que ele será titular. Se comprar o projeto, será útil; se não comprar, vai tumultuar o ambiente.

Um Neymar maduro, que entende que pode ser reserva ou aproveitado durante as partidas, substituído no meio delas e até passar o jogo inteiro no banco de reservas sem reclamar, certamente será de grande valia para o grupo. Se entrar e der conta do recado, melhor ainda. Ancelotti disse que não chamou Neymar para ser reserva de luxo.

Sem surpresas

Os 26 de Ancelotti eram, quase todos, esperados. No gol, a opção por Weverton como terceiro da posição pode até surpreender. Mas o italiano preferiu, em cima da hora, a experiência do gremista à irregularidade de Hugo Souza e Bento. No meio-campo, Fabinho foi escolhido por ser quem mais se assemelha a Casemiro, cuja ausência fez muita falta no jogo contra a Bélgica nas quartas de final da Copa da Rússia, para ficar só no exemplo mais gritante.

No ataque, a opção pelo jovem e bom Rayan em vez de Pedro ou João Pedro está ligada à velocidade e a uma possível necessidade de “abrir” o campo contra adversários que se fechem.

A opção pelos multifunções

Fica claro na lista de Carlo Ancelotti uma preferência por jogadores que possam ser utilizados em mais de uma posição. Danilo, do Flamengo, pode jogar na lateral-direita e na zaga; Ibañez, na zaga e na lateral-direita. Douglas Santos, no limite, pode atuar do lado esquerdo da zaga, o antigo quarto-zagueiro. Ainda na defesa, o italiano até cogitou apostar na experiência de Thiago Silva, mas decidiu levar dois zagueiros canhotos, Gabriel Magalhães e Léo Pereira.

Carlo Ancelotti convocou 26 jogadores para a Copa do Mundo no Canadá, Estados Unidos e México / CBF

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin

No meio-campo, tanto Danilo Santos quanto Bruno Guimarães e Lucas Paquetá podem jogar mais avançados ou mais recuados. E também pelos lados. Como poucos meio-campistas no grupo, o treinador também optou por atacantes que possam jogar mais recuados, atrás do centroavante, como meias. O próprio Neymar pode fazer isso, apesar do desgaste maior. Raphinha e Matheus Cunha também atuam nesse setor. Ancelotti disse que vê Neymar como um atacante mais centralizado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui