Se em seis das últimas nove edições da Libertadores o Palmeiras colecionou melhor campanha na fase de grupos, desta vez haverá emoção na luta por uma vaga para as oitavas de final. Com uma boa dose de surpresa, o time foi derrotado por 1 a 0 pelo Cerro Porteño no Nubank Parque nesta quinta rodada. Consequência: perdeu a liderança e agora terá de fazer contas no jogo derradeiro contra o Junior Barranquilla, também em casa, às 19h (horário de Brasília), na próxima quinta-feira.
Presente no torneio continental em todas as edições desde 2016, o Palmeiras vai lutar para evitar o que aconteceu pela última vez justamente naquela edição, quando ficou em terceiro lugar no Grupo 2, passaram San Lorenzo-ARG e Nacional-URU, e não se classificou para as oitavas de final.
Para evitar o fiasco, o Palmeiras precisa apenas vencer o Junior Barranquilla-COL. O adversário deu uma “força” ao derrotar o Sporting Cristal, por 3 a 2, na Colômbia. Dessa forma, a pontuação da chave ficou com o Cerro Porteño, líder e classificado, com dez pontos. O Verdão é o segundo, com oito, os peruanos têm seis e os colombianos somam quatro.
Calculadora nas mãos
Ou seja, em um cenário impensável para o torcedor palmeirense, a vaga pode vir até com derrota. Para isso, o Cerro Porteño não pode perder do Sporting no duelo que acontece, também na próxima quinta-feira, em Assunção, no Paraguai.
Se terminar em segundo, o Palmeiras vai decidir a vaga às quartas de final como visitante. Além disso, no sorteio, corre o risco de pegar um adversário brasileiro. Por exemplo, Corinthians, Flamengo e Mirassol têm grandes chances de terminarem como líderes dos seus grupos. Nas oitavas de final, por sorteio, o primeiro colocado encara o segundo colocado. Não existe trava de país nem de adversário que enfrentou na fase de grupos.
Desculpas para todos lados
Haverá quem diga que os desfalques atrapalharam. É uma verdade. Também há aqueles que colocarão na conta da arbitragem e sua permissividade com a “cera” exagerada dos paraguaios. Como ocorreu, de fato. Outros, cobertos de razão, ainda apontarão para os erros do time que levaram a equipe a ver ruir uma invencibilidade de mais de cinco anos como mandante na Libertadores. Tudo verdade.

Para qualquer uma das opções – ou até múltiplas combinadas –, o fim da linha é o mesmo: incômodo com a queda de rendimento da equipe, que saiu vaiada pelos pouco mais de 32 mil torcedores que encararam a friaca da noite desta quarta-feira para ver o time. Todos saíram frustrados e, claro, preocupados com o que vem por aí. O Palmeiras “ganhou” um jogo de vida ou morte na primeira fase da Libertadores.
Decisão fora dos planos
O que acontece agora é que, se antes havia um confronto para atrapalhar o sono do palmeirense, agora existem dois. No sábado, tem um jogo pesado diante do Flamengo, no Maracanã, que fará a bússola da equipe apontar para cima ou para baixo na direção que a equipe seguirá a partir do resultado no Rio. Se ganhar, abre gordura na liderança no Campeonato Brasileiro e vai para a pausa da Copa do Mundo com o moral elevado. Se perder, vê o rival encostar e o ânimo arrefecer.

Em seguida, virá o duelo com o Junior Barranquilla. E o que poderia ser um jogo de cumprimento de tabela, passa a ser decisivo para a sequência na Libertadores.
Quase nada a reclamar
Vitor Roque, Piquerez, Ramón Sosa, Felipe Anderson… Esses eram alguns dos desfalques na partida contra o Cerro. Importantes, claro. Fica aqui, novamente, o registro da cera absurda dos visitantes, com a conivência da arbitragem argentina comandada por Yael Falcon Pérez. Mas o Palmeiras não tem do que reclamar além dos próprios erros. Sem Sosa, machucado, Abel optou pela entrada de Emiliano Martínez para proteger a zaga, que notoriamente tem ficado exposta nos últimos confrontos.
Marlon Freitas avançou, Andreas Pereira ainda mais e Flaco López ganhou a área, com Allan e Jhon Arias na ponta. Os dois últimos, com pés invertidos, na maioria das vezes afunilavam para dar as beiradas para os laterais Arthur e Giay. Flaco, por sua vez, recuava e abria espaço para os mesmos pontas fazerem o facão e invadir a área para finalizar.
Na teoria, era tudo lindo. Taticamente montado, protegido na defesa e com rotas de ataque. Talvez até um ensaio de time que pode ir a campo sábado, no Maracanã. No entanto, tecnicamente, o time esteve abaixo. Bem abaixo. Nos momentos de encaixe ofensivo, especialmente no 1º tempo, conseguiu criar oportunidades, gerar espaços, mas não conseguia finalizar com qualidade. Na segunda etapa, nem isso fez.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Com apenas dois minutos, o ex-vascaíno Vegetti aproveitou contra-ataque letal para vencer Carlos Miguel e colocar seu time em vantagem. Foi um vacilo de marcação no meio de campo. Daí em diante, o Cerro, que já fazia cera com o empate, dobrou o número de quedas e tempo no chão, expediente padrão do futebol sul-americano, tão criticado quanto esperado.
O Palmeiras, que já não mostrava competências para atacar, começou a adotar outra postura bastante criticada e também esperada: o chuveirinho na área. Que, claro, quase nada rendeu. E o “quase” aqui existe porque, aos 35, Arias acertou um cruzamento na cabeça de Flaco. O camisa 42, que fazia uma partida bem ruim, encontrou sua “cereja do bolo” ao conseguir finalizar no travessão.
Agora, um jogo que tinha tudo para ser protocolar, virou jogo da vida na Libertadores de 2026. É mais um “jogo do ano”. O duelo com o Flamengo, que era até agora o jogo do mês, ganha um concorrente. O Palmeiras, que tem perdido o brilho, precisa recarregar as baterias para reacender a torcida. Por enquanto, a luz acesa é amarela.





