A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quarta-feira para a seleção brasileira. Começa porque os jogadores, a maioria deles, se apresentam ao técnico Carlo Ancelotti na Granja Comary, em Teresópolis, prontos para iniciar os treinos para mais uma tentativa de conquistar o hexacampeonato mundial. Dão início? Sim. Isso porque o que deveria ser a fase final de preparação acabou se transformando no tempo que o italiano tem para montar um time competitivo, capaz de lutar pelo título contra rivais mais bem preparados nas fases agudas.
Nunca é demais lembrar que o Brasil jamais teve um ciclo tão atribulado entre uma Copa e outra. Nem mesmo em 1966, cuja preparação, de acordo com relatos da época, foi tumultuada mais por uma tentativa de “fazer média” com todos os clubes e jogadores relevantes por questões administrativo-políticas. Resultado: convocação final ruim e time desentrosado.

Ancelotti acaba de completar um ano como treinador da seleção. É pouco. Claro que sempre se pode argumentar que em 1970 Zagallo assumiu menos de três meses antes do início do Mundial e o Brasil foi campeão. E que em 1974, segundo contam, Rinus Mitchells decidiu adotar o estilo de jogo que ficou conhecido como “Laranja Mecânica” menos de duas semanas antes da estreia da Holanda na Copa da Alemanha. E o time só foi parado na decisão.
Outros tempos, outro futebol…
Porém, há que se ponderar que os tempos são outros, o futebol é outro. E que Zagallo, por exemplo, tinha a base deixada por João Saldanha. Que ele aperfeiçoou, e muito, diga-se. E que, sem saudosismo, naquele tempo as duas seleções citadas eram recheadas de craques, algo que nem em sonho existe nos dias atuais.
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De qualquer maneira, Ancelotti, nesse ano de trabalho, pelo menos já definiu alguns jogadores para fazer parte do time titular, além de uma maneira de jogar. Ele vai usar um 4-2-4, sem muito jogo de meio-campo, uma vez que a aposta será mudada a partir das fases eliminatórias da Copa. Ele tem experiência e conhecimento de sobra para aproveitar bem esses 18 dias de treinos até a estreia contra Marrocos. Sim, 18 dias, aí descontadas situações como viagens e folgas. É pouco, mas é mais do que os seus antecessores recentes tiveram.
Tite só teve 11 dias na reta final de preparação para o Catar. Mas contava com a vantagem de um trabalho longevo. Carlo Ancelotti terá de ser ágil nestes 18 dias para montar uma equipe capaz de bater de frente com França, Argentina, Espanha, Inglaterra… Tomara que consiga.
A chatice ‘Neymar’
Se há algo que atrapalha a seleção é o fato de Neymar estar sempre na ordem do dia. O tema da vez é se ele tem ou não condições físicas de disputar a Copa por causa de sua mais recente contusão. Como tudo que o envolve dificilmente é transparente, difícil dizer. Mas só o fato de todos continuarem a falar de Neymar antes de qualquer coisa, já atrapalha.
No gol pode haver surpresa
Há significativa parte de torcedores que prefere Weverton titular do gol brasileiro na Copa. Creio que essa turma poderá ter seus desejos atendidos. Friamente, não dá para saber como Alisson está, depois de mais uma das várias contusões que teve nas temporadas recentes. E Ederson jamais inspirou confiança. Ancelotti não incluiu o atual gremista em sua lista final à toa!





