
Há títulos que encerram uma espera. E há títulos que mudam o tamanho de um clube. O Paris Saint-Germain já havia atravessado a primeira fronteira no ano passado, quando goleou a Inter de Milão por 5 a 0 e conquistou pela primeira vez a Liga dos Campeões. Neste sábado, em Budapeste, foi além: venceu o Arsenal nos pênaltis, por 4 a 3, depois de empate por 1 a 1, e transformou uma conquista inédita em afirmação histórica.
O PSG agora entra em um espaço reservado a pouquíssimos. Na era moderna da Liga dos Campeões, iniciada em 1992/93, apenas o Real Madrid havia conseguido defender o título — e fez isso em sequência, com o tricampeonato entre 2016 e 2018.

Tensão até a última penalidade
Entre os 90 minutos e a prorrogação, o jogo, em si, teve como grande emoção apenas os dois gols. O Arsenal saiu na frente cedo, com Kai Havertz, aos seis minutos, e passou boa parte da final defendendo uma vantagem construída mais na eficiência do que no controle. O PSG empatou no segundo tempo, em pênalti convertido por Ousmane Dembélé, após falta sobre Khvicha Kvaratskhelia.
A prorrogação manteve o 1 a 1, e a decisão foi para os pênaltis pela primeira vez desde 2016 em uma final de Champions. Pelo PSG, que abriu as cobranças, anotaram Gonçalo Ramos, Doué, Hakimi e o brasileiro Beraldo. Nuno Mendes parou no goleiro Raya. No Arsenal fizeram Gyokeres, Declan Rice e o brasileiro Gabriel Martinelli. Perdeu nos chutes para fora de Eze e do brasileiro Gabriel Magalhães, que vai para a Copa.
PSG se torna insaciável
A imagem que fica, porém, é maior do que a disputa da marca da penalidade. O PSG, tantas vezes definido pelo dinheiro investido, pelas quedas traumáticas e pela dificuldade de transformar talento (Messi, Neymar e Mbappé) em hierarquia europeia, atravessou a barreira mais difícil do futebol continental: repetir. Ganhar uma Liga dos Campeões já muda o vocabulário em torno de um clube. Ganhar duas ligas seguidas muda a forma como ele é tratado pelos rivais, pelo mercado e pela própria história.
É por isso que o bicampeonato pesa tanto. O PSG deixa de ser apenas o clube que finalmente realizou sua obsessão e passa a ser o clube que sustentou a conquista no ano seguinte, quando todos passaram a estudá-lo, medi-lo e persegui-lo. Em uma competição que costuma devorar campeões ainda nas fases eliminatórias, o Paris chegou à final como alvo e saiu dela como referência.
PSG do grande Luís Enrique
Para o PSG, do técnico Luis Enrique, dois títulos com o clube e um com o Barcelona, a noite de Budapeste não foi apenas de taça levantada. Foi uma mudança de prateleira. O campeão de 2025 poderia ser lembrado como o time que rompeu uma obsessão. O bicampeão de 2026 passa a ser outra coisa: uma potência que entrou no território histórico em que, na era Champions, só o Real Madrid havia pisado.
Arsenal amarela de novo
Do outro lado, o Arsenal reencontra uma dor conhecida. Vinte anos depois da primeira final de Liga dos Campeões, perdida para o Barcelona por 2 a 1 no Stade de France, na região metropolitana de Paris, o clube londrino voltou à decisão com a França novamente no caminho — antes, como cenário; agora, como adversário. Em 2006, o sonho caiu diante de Ronaldinho, Eto’o, Belletti e do peso de jogar com um a menos desde cedo. Em 2026, caiu diante de um PSG que não precisou encantar como em 2025, mas soube resistir, empatar, sobreviver e decidir.
Para o Arsenal ainda, resta a crueldade do “quase”. Isso porque saiu invicto da competição, já que a derrota foi em cobranças de penalidades. A equipe de Mikel Arteta voltou ao ponto mais alto da Europa, competiu, sofreu pouco em muitos momentos e esteve a uma noite de completar a restauração esportiva iniciada nos últimos anos. Mas a Champions cobra algo além de projeto. Cobra instante, detalhe, nervo e destino. E, outra vez, o destino europeu dos Gunners encontrou uma barreira francesa.

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Outro ponto que o Arsenal frustra é deixar escapar para a Inglaterra a tríplice coroa dos campeonatos europeus. Desde que existem as atuais competições, Liga dos Campeões, Liga Europa e Conference League, nenhum país levou os três torneios na mesma temporada. A Inglaterra saiu vitoriosa com o Aston Villa na Liga Europa e o Crystal Palace foi campeão na Conference League.





