Faltou ritmo, ensaio, harmonia, cadência, sincronia e afinidade entre os artistas em cena. Felizmente esse turbilhão de defeitos ficou restrito à errática interpretação do hino nacional brasileiro proporcionada pelos cantores Belo e Alcione, que desafinaram, perderam o andamento da partitura e erraram trechos básicos da letra de Joaquim Osório Duque-Estrada feita sob encomenda para a épica melodia criada pelo maestro Francisco Manoel da silva em 1831.
É daqueles memes que já nascem prontos. Felizmente, o espetáculo do jogo de despedida da seleção brasileira, com a goleada por 6 a 2 sobre o Panamá, a caminho da Copa do Mundo de 2026 foi bem melhor.
Nada que mereça um Grammy, mas uma demonstração de que o Brasil tem um time para chamar de seu, ainda que bem distante das melhores seleções da nossa história. Guardadas as ressalvas de que era um jogo amistoso, contra um adversário escolhido a dedo para não causar danos ao projeto de trazer a torcida para o sonho do hexa, o Brasil cumpriu a obrigação sem fazer muito esforço.

‘Torcedor’ no banco do Maracanã
Não foi preciso nem subir o tom para alcançar as notas mais agudas. Pelo contrário, deu até para poupar energias a fim de não correr risco de alguma lesão pré-Mundial. No banco, de uniforme e de boné, Neymar foi um expectador privilegiado de tudo isso, e só teve trabalho para dar conta de atender a todos os pedidos de fotos dos jogadores panamenhos.
Os demais atletas convocados, exceto os que disputaram a final da Liga dos Campeões no sábado — o capitão do PSG, Marquinhos, e Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli, vice pelo Arsenal —, tiveram a oportunidade de entrar no segundo tempo e fazer seu solo para o maestro Carlo Ancelotti concluir suas observações antes da estreia. Até lá o time ainda faz um amistoso contra o Egito, que não deve ter força para alterar nada no planejamento e nas convicções do técnico italiano.
Brasil baila com Vini Jr.
O começo do jogo induziu a torcida canarinho a ir no embalo otimista que a transmissão oficial da TV tentava impor como a “corrente pra frente, todos juntos vamos a caminho do hexa”. Aos 59 segundos, isso mesmo, antes do primeiro minuto, o Brasil abriu o placar com um golaço de Vini Júnior, e deu a nota de que iria amassar a frágil seleção do Panamá, que também vai à Copa, mas resignada a cumprir lá um papel de mero figurante.
Com a base dos “11” que devem estar em campo no jogo de estreia da Copa contra Marrocos — só faltaram Marquinhos e Gabriel Magalhães —, o Brasil iniciou a partida marcando alto, e foi assim que Casemiro roubou a bola que originou o primeiro gol. Taticamente não se viu nenhuma novidade. O técnico Carlo Ancelotti manteve a ideia de um 4-2-4 com uma linha de zaga clássica, dois volantes, e uma linha adiantada de quatro atacantes (Luiz Henrique, Matheus Cunha, Raphinha e Vini Júnior), sem um centroavante de ofício.
No conforto da vantagem construída no primeiro minuto de jogo, o Brasil tirou o pé e permitiu que o Panamá chegasse ao empate numa bola parada. Em cobrança de falta, a bola desviou na barreira e matou o goleiro Alisson. Sorte que Vini estava a fim de jogo e construiu todo o lance do segundo gol brasileiro, marcado num sutil desvio de cabeça de Casemiro já quase dentro da pequena área do Panamá.

Reservas mandam recado
No segundo tempo, como já estava programado, Ancelotti trocou o time inteiro e deu oportunidade para os considerados reservas mostrarem serviço. E eles aproveitaram a deixa e foram para cima do Panamá com mais vontade. Em 17 minutos, criaram mais emoção do que o time do primeiro tempo.
Dessa maneira, virou goleada com com três gols em um intervalo de dez minutos: Rayan, aos 7, aproveitando presente do goleiro panamenho; Lucas Paquetá, aos 14, contando com chute desviado pela zaga; e Igor Thiago, aos 17, cobrando pênalti que ele mesmo sofreu. Aos 35, Danilo Santos concluiu o show com um golaço. Recebeu passe milimétrico de Paquetá, dominou na coxa, deixou o zagueiro sentado com um sorte seco e mandou para o fundo das redes. Um gol com a assinatura de um jogador que pede passagem no time titular da Copa. Aos 38, o Panamá ainda achou mais um gol, num chute espetacular do meia Harvey, no ângulo direito de Ederson.
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A partir daí, o que começou como jogo de caráter amistoso virou um treinão de luxo, com a torcida entrando no modo “Pacheco” que embala a seleção em todas as Copas. Tomara que o time do maestro Ancelotti siga nessa toada quando for para valer e não desafine como Belo e Alcione…





