São Paulo perde para o Remo e entrega a Dorival uma reconstrução urgente durante a Copa

Tricolor chega à parada do Mundial com tempo para corrigir rumos, mas sem o direito de tratar a queda como acidente de percurso

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O São Paulo deixou Belém com uma derrota que não cabe apenas no placar. O 1 a 0 para o Remo, decidido com gol de Marcelinho aos 49 minutos do segundo tempo, escancarou uma curva de queda que o Campeonato Brasileiro vinha desenhando rodada após rodada. O lance final no Mangueirão resumiu o São Paulo atual. Foi o desfecho cruel de um mês inteiro sem vitória na competição, de uma liderança desperdiçada e de um time que chega à parada da Copa do Mundo em sua pior posição nesta edição do Brasileirão.

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O contraste é duro. O mesmo São Paulo que encerrou a primeira parte do campeonato em oitavo lugar, com 25 pontos em 18 partidas, já havia olhado todos os rivais de cima. Em março, ao vencer a Chapecoense por 2 a 0, na estreia de Roger Machado, o Tricolor assumiu a liderança isolada da disputa. Naquele momento, somava 13 pontos em cinco rodadas, com quatro vitórias e um empate, três pontos à frente do Palmeiras.

São Paulo Sem brilho como toda a equipe, o atacante Arthur tenta dominar a bola no duelo com o Remo, no Mangueirão
Sem brilho como toda a equipe, o atacante Arthur tenta dominar a bola no duelo com o Remo, no Mangueirão / São Paulo

Novo técnico, velhos problemas

A queda foi menos brusca do que corrosiva. O São Paulo não despencou por uma única noite ruim, mas pela soma de tropeços que foram retirando gordura, convicção e tranquilidade. A eliminação na Copa do Brasil, diante do Juventude, pesou no ambiente e custou o cargo de Roger Machado. A troca no comando tentou estancar a crise, mas Dorival Júnior chegou já com o time ferido, pressionado e sem o conforto que costuma acompanhar os líderes de campeonatos.

No Brasileirão, a estatística é especialmente incômoda: cinco partidas seguidas sem vencer. O São Paulo atravessou todo o mês de maio sem uma vitória sequer na disputa nacional. A vitória sobre o Boston River, pela Copa Sul-Americana, serviu para aliviar momentaneamente a cobrança e garantir a liderança do grupo no torneio continental. Mas, no Brasileirão, onde a regularidade pesa mais do que respiro pontual, a equipe encerrou maio sem resposta.

São Paulo é castigado

Para o Remo, o resultado é daqueles que passam a fazer parte da memória afetiva do torcedor. Vencer o São Paulo pela primeira vez, em casa, com gol no fim, em uma rodada de Brasileirão, dá ao triunfo a dimensão de feito. Para o Tricolor, no entanto, o mesmo jogo oferece outra leitura: a de uma equipe que perdeu capacidade de controle, competitividade nos momentos decisivos e força para sustentar aquilo que construiu no início do campeonato.

Dorival Júnior terá mais de um mês com a parada da Copa do Mundo para ajeitar o São Paulo do seu jeito / SPFC

O gol de Marcelinho, aos 49 minutos, após erro infantil de Enzo Díaz na entrada da área, ajuda a explicar o momento. Um time em confiança, decide nas poucas oportunidades, costuma sobreviver a noites truncadas, administra a pressão e transforma empate fora de casa em ponto útil. Um time em crise se expõe ao castigo, vacila quando o jogo pede frieza e sai de campo com a sensação de que qualquer detalhe pode virar sentença. Foi esse São Paulo que encerrou a participação antes da pausa: inseguro, irregular e sem conseguir transformar posse, volume ou necessidade em vitória.

Reconstrução urgente

Dorival herdou um problema de várias camadas. A primeira é técnica. O São Paulo precisa recuperar mecanismos básicos: proteção defensiva, saída de bola, encaixe no meio-campo e presença mais constante no último terço. A segunda é física e de elenco. A parada da Copa do Mundo abre uma janela para ajustes internos, mas também para avaliação de reforços, saídas e correções em setores que se mostraram frágeis. A terceira, talvez a mais delicada, é mental. O time que liderou o campeonato agora precisa reaprender a competir sem o peso da desconfiança.

O segundo semestre, portanto, começa antes mesmo de a bola voltar a rolar. A pausa da Copa do Mundo não será apenas descanso. Para o São Paulo, vira uma espécie de pré-temporada emergencial. Dorival terá dias preciosos para treinar, observar, ajustar e escolher quais caminhos pretende seguir. Mas também terá a cobrança de quem sabe que tempo, no futebol brasileiro, raramente vem desacompanhado de pressão.

Sem Copa do Brasil, o Tricolor terá menos frentes, mas não menos responsabilidade. O Brasileirão ainda oferece espaço para recuperação, embora a queda na tabela tenha encurtado a margem de erro. A Sul-Americana, por sua vez, passa a carregar peso estratégico: é chance de título, vaga internacional e reconstrução de ambiente. Para isso, porém, o São Paulo precisará voltar a ser competitivo por 90 minutos — e também por todos os acréscimos.

Remo mantém a fé

A explosão da torcida azulina se justifica e muito pelo final eletrizante. O Remo nunca havia vencido o São Paulo em competições oficiais. Eram oito confrontos, com seis vitórias tricolores e dois empates. Em Belém, o histórico também era favorável aos paulistas: cinco jogos, três vitórias do São Paulo e dois empates. A lista anterior ao duelo mostra encontros desde 1972 até a Copa do Brasil de 1995. Portanto, o 1 a 0 no Mangueirão neste domingo foi a primeira vitória azulina sobre o São Paulo na nona partida oficial entre os clubes.

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Mais do que isso, a equipe subiu para 18 pontos em 18 partidas e sobe para a 18ª colocação. A equipe paraense está a três pontos do Grêmio, a primeira equipe fora da zona de rebaixamento. Assim, com esse alívio, o Remo mira se manter na elite após o retorno do Campeonato Brasileiro, no dia 22 de julho.

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