A classificação da República Democrática do Congo para a Copa do Mundo virou feriado nacional. Após a vitória contra a Jamaica, pela repescagem internacional, o Ministério do Trabalho declarou a data como feriado no país. Bancos, repartições públicas e lojas fecharam as portas na capital Kinshasa para que a população pudesse comemorar. Muitos foram para as ruas. Em um jogo dramático, os congoleses superaram o time caribenho por 1 a 0 na prorrogação, com gol do zagueiro Axel Tuanzebe. A partida foi disputada no Estádio Akron, em Guadalajara, no México, uma das sedes da Copa.

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Apontada como uma das surpresas deste Mundial de 48 seleções, os “Leopardos” eliminaram a tradicional Nigéria antes de chegar à repescagem. Todos os 26 jogadores convocados pelo técnico francês Sébastien Desabre atuam no futebol europeu. Isso faz muita diferença. O treinador moldou uma equipe pragmática que não tem receio de ceder a posse de bola para adversários mais técnicos. A combinação deu certo no teste mais recente. O time africano empatou com a Dinamarca por 0 a 0 na terça-feira no último amistoso antes da Copa. O teste foi realizado no Estádio Maurice Dufrasne, em Liège, na Bélgica, e os torcedores congoleses foram maioria esmagadora nas arquibancadas.

Classificação da República Democrática do Congo para a Copa transformou-se em um feriado nacional / Fifa

O entusiasmo é pelo retorno do país a uma competição depois de 52 anos. A seleção disputou a Copa da Alemanha, em 1974. Na época, o Congo ainda se chamava Zaire por ordem do ditador Mobutu Sese Seko, que ficou no poder entre 1971 até a sua morte, em 1997. Naquele Mundial, os “Leopardos” perderam as três partidas da fase de grupos diante da Escócia (2 a 0), Iugoslávia (9 a 0) e Brasil (3 a 0). Os gols da seleção brasileira foram marcados por Jairzinho, Rivellino e Valdomiro.

Elenco com experiência europeia

Com imposição física e disciplinada taticamente “europeia”, a seleção da República Democrática do Congo quer ser mais do que um simples figurante. Mas a equipe tem alguns obstáculos, como a falta de criatividade do meio de campo e de força ofensiva. O planejamento foi drasticamente prejudicado por problemas sanitários de uma mutação do vírus Ebola no território nacional, impedindo a seleção de fazer uma despedida em Kinshasa.

Com bastante comemoração, a seleção congolesa retorna ao Mundial depois de 52 anos de ausência / Fifa

Um dos líderes do elenco, o zagueiro Chancel Mbemba é o capitão da equipe e homem de confiança do técnico Sébastien Desabre. O defensor tem experiência internacional e atua no Lille, da França. Aos 35 anos, o atacante Cédric Bakambu é o goleador do time. Ele foi artilheiro na fase das Eliminatórias. O centroavante perdeu espaço no Real Bétis, da Espanha, e é utilizado de maneira pontual pelo clube de Sevilha.

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Um dos destaques individuais é o atacante Yoane Wissa, que está no Newcastle, da Inglaterra. Ele é a principal válvula de escape para contra-ataques rápidos. Ele sabe explorar as costas das defesas rivais. A República Democrática do Congo está no Grupo K e vai medir forças com Portugal, de Cristiano Ronaldo, Colômbia e Uzbequistão. A estreia dos africanos será contra os portugueses no dia 17 no NRG Stadium, em Houston.

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