Carlo Ancelotti acertou em cheio ao designar Marquinhos como capitão da seleção brasileira na Copa do Mundo. O zagueiro já exerceu tal função em outras ocasiões, inclusive durante o demagógico revezamento adotado por Tite. E mostra-se cada vez mais preparado para vestir a braçadeira, dentro e fora de campo.
Marquinhos sempre teve espírito de liderança e isso ficou claro desde que era um garoto, na sua rápida passagem pelo time de cima do Corinthians — quando não teve oportunidade de ser capitão. Sempre demonstrou também qualidades que fazem um líder para além do jogo em si, da bola rolando. Entre elas estão empatia, solidariedade e companheirismo.

O mais recente exemplo, Marquinhos deu na final da Champions League entre o seu Paris Saint-Germain e o Arsenal, de Gabriel Magalhães, seu companheiro na zaga da seleção. Foi imediatamente notado o fato de ele ter deixado a comemoração do título por alguns momentos para confortar Magalhães, que acabara de perder o pênalti que representou o fim do sonho do time inglês.
Marquinhos na Copa de 2022
Como gestos empáticos são cada vez mais raros nos tempos atuais, e não só no futebol, a atitude de Marquinhos foi tema da entrevista que ele deu logo após se apresentar ao treinador Carlo Ancelotti já nos Estados Unidos. Sua explicação foi simples e objetiva. Disse que lembrou do que se passou com ele em 2022 — quando perdeu o pênalti que eliminou o Brasil nas quartas de final contra a Croácia — e sentiu que poderia perder alguns minutos da comemoração pelo bi da Champions para abraçar e consolar o companheiro. Agiu como líder e, acima de tudo, como ser humano.
Marquinhos também disse algo que talvez tenha faltado ao grupo que disputou a Copa do Catar: a empatia entre os jogadores. “Assim como eu gostaria de ter recebido um abraço naquele momento (imediatamente pós-perda do pênalti na Copa), só deixei minutos da comemoração para ir dar um abraço e falar duas ou três palavras para o Gabi”.
Não me recordo se algum jogador do Brasil foi abraçar Marquinhos naquela ocasião — só lembro de Tite deixando seus comandados na mão ao sair de fininho para o vestiário. Mas, se o zagueiro se queixou de não ter sido abraçado, é porque não foi, de fato. Algo que não deixará de fazer novamente, se necessário for, nesta Copa. Até porque os líderes também o são nos maus momentos.
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Como disse o ex-lateral Belletti, autor do gol da vitória do Barcelona sobre o mesmo Arsenal na decisão da Champions em 2006, no documentário sobre Ronaldinho Gaúcho que pode ser assistido na Netflix, “não se consegue ser campeão no futebol quando o jogador pensa só em si mesmo”. Ou seja, sem espírito de grupo, não se ganha nada. Marquinhos sabe disso, por isso é líder. Tomara que outros também saibam.
Os testes de Ancelotti
Neste sábado, contra o Egito, Ancelotti deve testar um pouco mais o esquema com três jogadores no meio-campo. A tendência é que Paquetá entre na vaga de Luiz Henrique. O time deve ficar mais equilibrado. Assim como Ancelotti no Brasil, Didier Deschamps só convocou cinco jogadores de meio-campo para a seleção francesa que disputará a Copa. Os franceses eu não sei, mas temo que a seleção brasileira acabe sentindo falta de mais opções para o setor. Raphinha e Matheus Cunha até podem ajudar, mas ainda assim o cobertor parece curto.





