A Suíça já foi um país conhecido pela precisão de seus relógios, pela qualidade de seus chocolates e pela fama de montar seleções nacionais extremamente defensivas, os chamados ferrolhos suíços. Os relógios continuam marcando o tempo com a mesma exatidão, os chocolates seguem entre os melhores do mundo, mas a velha retranca suíça parece ter sido definitivamente arquivada.A melhor demonstração dessa transformação apareceu na tarde desta quinta-feira, quando a equipe comandada por Murat Yakin atropelou a Bósnia por 4 a 1, em Los Angeles, e, com quatro pontos, divide com o Canadá a liderança do Grupo B da Copa do Mundo.
Foi uma vitória que diz muito sobre a evolução da Suíça. Durante décadas, os suíços construíram sua reputação internacional apoiados na disciplina defensiva e na organização sem bola. Hoje, porém, a identidade parece outra. A equipe que entrou em campo no Los Angeles Stadium, em Inglewood, teve posse, iniciativa, profundidade e, quando encontrou espaço, uma fome ofensiva capaz de transformar um jogo equilibrado em goleada.

Suíça fura retranca
A verdade é que a Bósnia resistiu durante boa parte da partida. O primeiro tempo foi amplamente controlado pela Suíça, mas sem a produção ofensiva que o domínio sugeria. Ndoye teve a melhor oportunidade logo aos oito minutos, mas a bola não entrou. Do outro lado, os bósnios pouco ameaçaram.
A partida mudou quando Murat Yakin resolveu mexer no banco. A entrada de Manzambi no lugar de Ndoye, de Vargas na vaga de Rieder e de Sow no lugar de Aebischer deu nova velocidade ao ataque suíço. Foram justamente dois dos reservas que desmontaram a resistência bósnia. Aos 28 minutos, Vargas avançou pela esquerda e, após uma sequência confusa dentro da área, a bola sobrou para Manzambi abrir o placar.
O primeiro gol carregava também um simbolismo importante. Manzambi é filho de pais de Angola e da República Democrática do Congo e nasceu em Genebra, retrato perfeito de uma Suíça muito diferente daquela que o mundo conheceu ao longo do século passado. A transformação do futebol suíço acompanha a transformação do próprio país. Mais diverso, mais multicultural e mais aberto às influências de diferentes origens, o elenco nacional tornou-se um mosaico que reflete a sociedade moderna. E foi justamente um jovem negro nascido em solo suíço quem iniciou a tarde de celebração.
Goleada consumada
Depois disso, a Bósnia simplesmente desmoronou. Vargas ampliou, Mahmic ainda diminuiu para os balcânicos e ensaiou uma reação tardia, mas a Suíça voltou a acelerar. Manzambi marcou novamente e, já nos acréscimos, Xhaka fechou a conta. Um sonoro 4 a 1. Um chocolate suíço servido em plena Copa do Mundo.
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O placar elástico também acabou expondo as limitações de uma seleção bósnia que passa longe de impressionar. Por isso mesmo, torna-se cada vez mais difícil compreender como a Itália conseguiu ficar pelo caminho nas eliminatórias e assistir ao Mundial pela televisão enquanto este time da Bósnia ocupa uma de suas vagas.

Matemática da vaga
Como no segundo jogo da rodada, o anfitrião Canadá goleou, por 6 a 0, o Catar, e ambos estão empatados com quatro pontos na liderança, a Suíça tem a classificação encaminhada à fase 16 anos. Pelo critério de desempate saldo de gols, os cananandes levam a melhor (6 a 3) sobre os suíços. Adversários na última rodada, na próxima quarta-feira, as duas equipes se classificam com o empate.
Empatados com um ponto, Bósnia e Catar precisam vencer, fazer um bom saldo estão, respectivamente, com -3 e -6 e torcer para que saia um vencedor no confronto dos líderes. Além disso, o vencedor pode levar a vaga como um dos oito terceiros mais bem colocados.





