O Canadá entrou em campo pressionado pela própria história. Não era apenas o segundo jogo na Copa do Mundo de 2026. Era a chance de vencer pela primeira vez em um Mundial masculino, diante de sua torcida, em Vancouver, e transformar a boa impressão deixada na estreia em algo concreto na tabela. Saiu do Estádio BC Place com muito mais do que isso: um 6 a 0 sobre o Catar, a maior vitória canadense em Copas e um passo enorme rumo ao mata-mata.

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A noite começou a ser construída cedo. Depois do empate por 1 a 1 contra a Bósnia e Herzegovina, o time de Jesse Marsch precisava transformar volume em contundência. Contra o Catar, conseguiu. Aos 16 minutos, Cyle Larin abriu o placar e tirou o peso das costas de uma seleção que carregava um dado incômodo: até esta Copa, o Canadá havia disputado seis jogos de Mundial, entre 1986 e 2022, e perdido todos.

Canadá Em jogo histórico, Jonathan David (dir.) entra na lista dos jogadores com três gols em um único duelo de Copa do Mundo
Em jogo histórico, Jonathan David (dir.) entra na lista dos jogadores com três gols em um único duelo de Copa / Canmnt

Canadá vira rolo compressor

O gol de Larin mudou o ambiente. O Canadá passou a jogar com a confiança de quem percebeu que havia encontrado o caminho. A pressão alta incomodou a saída catariana, Tajon Buchanan deu profundidade pelo lado, e Jonathan David começou a transformar a partida em uma noite particular. Aos 29 minutos, o atacante fez o segundo. Pouco depois, o Catar ficou com um jogador a menos, com a expulsão de Ahmed, aos 33 minutos, e o controle canadense virou domínio absoluto.

Antes do intervalo, David voltou a aparecer. Aos 45 minutos, marcou o terceiro e levou o Canadá para o vestiário com uma vantagem que já parecia decisiva. Mais do que o placar, impressionava a postura: o time não administrava a história, acelerava para escrevê-la com letras maiúsculas.

Expulsões ajudam canadenses

No segundo tempo, a partida ficou ainda mais desequilibrada. Madibo foi expulso aos seis minutos, deixando o Catar com nove jogadores. O lance, porém, também trouxe a nota amarga da noite: Ismael Koné deixou o gramado machucado, substituído por Nathan-Dylan Saliba. A resposta emocional veio no próprio jogo. Aos 18 minutos, Saliba marcou o quarto gol canadense e transformou a comemoração em homenagem ao companheiro.

A partir daí, o que já era vitória virou goleada histórica. Aos 30 minutos, Al Mannai marcou contra, aumentando o drama catariano. Nos acréscimos, aos 46 minutos, Jonathan David completou o hat-trick, fechando o 6 a 0 e assinando uma atuação de protagonista. O camisa 10 foi o jogador da partida e deixou o Canadá em situação privilegiada no Grupo B.

Matemática da vaga

O placar de 6 a 0 é a maior vitória do Canadá em Copas do Mundo. Mais do que isso, é a primeira. Antes do Mundial de 2026, os canadenses tinham seis derrotas em seis jogos, com apenas dois gols marcados. Como haviam empatado na estreia desta edição, o triunfo sobre o Catar se tornou, ao mesmo tempo, a primeira vitória e a maior goleada da seleção masculina canadense na história da competição.

Na tabela, o impacto também foi gigantesco. O Canadá foi a quatro pontos, com sete gols marcados, um sofrido e saldo positivo de seis. A Suíça, que venceu a Bósnia por 4 a 1, também chegou a quatro pontos, mas com saldo de três. Bósnia e Catar ficaram com um ponto cada, muito atrás também no saldo.

Canadá Cyle Larin começa a construção da primeira vitória do Canadá na história das Copas do Mundo
Cyle Larin começa a construção da primeira vitória da seleção canadense na história das Copas do Mundo / Canmnt

Por isso, a classificação canadense está praticamente encaminhada. Na última rodada, contra a Suíça, um empate garante uma vaga de ambos e ainda pode manter o time na briga pela liderança do grupo. Uma vitória coloca o Canadá na ponta, com autoridade. Mesmo uma derrota dificilmente tiraria a seleção do mata-mata, porque Bósnia ou Catar precisaria vencer o confronto direto e ainda tirar uma diferença enorme no saldo de gols.

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Na prática, o Canadá saiu de Vancouver com duas conquistas: apagou a marca de nunca ter vencido em Copas e colocou um pé na próxima fase. O duelo que começou como teste virou afirmação. E, para uma seleção que esperou décadas por um triunfo mundial, o primeiro veio do jeito mais barulhento possível.

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