A primeira rodada da Copa do Mundo acendeu um sinal de alerta para quatro seleções da América do Sul. Não exatamente um incêndio, porque Argentina e Colômbia fizeram a sua parte, venceram, respectivamente, Argélia e Uzbequistão, e confirmaram a força de duas seleções que chegaram ao torneio com ambições altas. Mas, para um continente que carrega dez títulos mundiais, a largada teve mais incômodo do que celebração.
O Brasil empatou com o Marrocos, o Uruguai parou na Arábia Saudita, o Equador perdeu para a Costa do Marfim e o Paraguai foi atropelado pelos Estados Unidos. Um início que não acontecia desde a Copa do Mundo de 1974, quando os quatro representantes do continente não ganharam na primeira rodada. Em poucos dias, a pergunta deixou de ser apenas quem poderia brigar pelo título. Passou a ser também quem conseguiria sobreviver ao próprio mau começo.

América do Sul mostra competitividade
A segunda rodada, porém, começou a mudar o tom da conversa. Primeiro veio o Brasil. Depois do empate frustrante na estreia com o Marrocos, a seleção brasileira fez o que precisava fazer diante do Haiti: venceu por 3 a 0, recuperou saldo, aliviou o ambiente e recolocou alguma paz em uma campanha que já nascia cercada por cobranças. O resultado não apaga todos os problemas, nem transforma uma atuação obrigatória em prova definitiva de força. Mas, em Copa do Mundo, reagir rápido também é uma virtude. E o Brasil, pressionado pela própria história, precisava mais do que ganhar. Precisava respirar.
Na sequência, foi a vez do Paraguai dar uma resposta ainda mais dramática. Depois da derrota pesada por 4 a 1 para os Estados Unidos, a seleção paraguaia entrou contra a Turquia carregando o peso de quem não podia errar de novo. Com um gol aos 65 segundos do primeiro tempo, venceu em uma partida de resistência, sofrimento e personalidade. Com um jogador a menos durante todo o segundo tempo, segurou o resultado, derrubou um adversário que também jogava a sua sobrevivência e transformou uma estreia traumática em uma vitória com cara de reconstrução emocional.
É esse o ponto que faz a segunda rodada ganhar uma dimensão continental. O assunto já não é apenas o Brasil que venceu o Haiti ou o Paraguai que resistiu à Turquia. A América do Sul, que saiu da primeira rodada com parte de seus representantes sob desconfiança, tem a chance de fechar a volta seguinte com uma reação perfeita entre os que haviam tropeçado. Para isso, faltam Equador e Uruguai fazerem o dever.

Próximos desafios
Neste sábado, o Equador enfrenta Curaçao, em Kansas City, às 21h (horário de Brasília), em um jogo que não permite rodeios. Depois da derrota por 1 a 0 para a Costa do Marfim, a seleção equatoriana precisa vencer. Não apenas pela tabela, mas pela mensagem. Do outro lado estará a equipe que sofreu o resultado mais duro da primeira rodada, os 7 a 1 para a Alemanha. Isso aumenta o favoritismo equatoriano, mas também aumenta a obrigação. Em Copa, enfrentar um adversário ferido pode ser uma oportunidade ou uma armadilha. Para o Equador, não há espaço para descobrir isso tarde demais.
No domingo, o Uruguai terá missão parecida contra Cabo Verde, às 19h (horário de Brasília), em Miami. A Celeste estreou com empate por 1 a 1 diante da Arábia Saudita, em um jogo no qual saiu atrás, buscou a igualdade, mas parou em uma atuação decisiva do goleiro Mohammed Al-Owais. O resultado não foi desastroso, mas foi insuficiente para uma seleção que carrega tradição, elenco competitivo e expectativa de fazer uma campanha relevante. Contra Cabo Verde, vencer significa recuperar o controle do próprio destino antes do duelo pesado contra a Espanha na última rodada.
Se Equador e Uruguai confirmarem o favoritismo, a leitura mudará de forma importante. Os quatro sul-americanos que começaram pressionados — Brasil, Paraguai, Equador e Uruguai — terão respondido com vitória na segunda rodada. Não será uma prova de superioridade absoluta, nem uma garantia de classificação tranquila. Mas será uma reação coletiva, dessas que ajudam a mudar o clima de uma competição curta, cruel e pouco paciente com quem demora a acordar.
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Camisa não pesa tanto
A Copa de 2026, ampliada para 48 seleções, tem mostrado desde o início que tradição não entra em campo sozinha. Favoritos precisam correr, sofrer, se adaptar e corrigir rota. A América do Sul sentiu isso logo na primeira rodada. Agora, tenta mostrar que ainda sabe reagir como continente grande. O susto da estreia existiu. A resposta começou. Falta saber se Equador e Uruguai vão completar o movimento e transformar uma semana que parecia perigosa em sinal de retomada.





