Nova York — Messi é maior do que Maradona? Para muitos torcedores com menos de 40 anos, talvez seja. Para metade da Argentina, nunca será. O país é dividido por esse debate e talvez continue assim por mais algumas gerações. Mas há uma verdade que já não comporta muita discussão: Messi foi o melhor jogador de sua época desde que Ronaldinho Gaúcho passou o bastão para ele no Barcelona.
Cristiano Ronaldo foi quem mais se aproximou dele nos últimos vinte anos, mas por outros caminhos. Nesta segunda-feira, 22 de junho, Messi colocou mais um recorde entre ele e todos os outros. Marcou os dois gols da vitória da Argentina sobre a Áustria, pela segunda rodada da fase de grupos, e se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo.

Em duas partidas neste Mundial, Messi marcou cinco gols. Fez três na estreia e mais dois diante dos austríacos. Até agora, só ele marcou pela seleção argentina nos Estados Unidos. O mundo acompanha atento a sua conta: 17,18,19… Messi nasceu para jogar futebol. Agora tem 18 gols em seis edições. Felizmente para quem gosta do jogo, ele voltou atrás na decisão de encerrar a carreira pela seleção depois do título mundial passado, quando conquistou a única taça que faltava em sua trajetória, em 2022.
Messi superou lendas como Ronaldo
Ninguém marcou mais gols do que ele em Copas desde 1930. A dimensão do feito é gigantesca. Messi superou Klose, que tinha 16, deixou para trás Ronaldo, com 15, passou Gerd Müller, com 14, e todos os outros artilheiros da competição da Fifa. É mais uma estatística que parece apenas número, mas ajuda a explicar o tamanho de um jogador que atravessou gerações sem perder a naturalidade.
O mais curioso é que Messi nunca pareceu perseguir esse tipo de coisa. Ele só queria jogar futebol, ganhar partidas pelo clube e, se um dia fosse possível, pela Argentina. Sua fama o precede. E como o rio sempre corre para o mar, Messi se transformou também no maior artilheiro dos Mundiais. É uma espécie de Leonardo da Vinci do futebol. Tudo nele parece simples até alguém tentar fazer igual.
Desafio a Just Fontaine
Já há quem diga que ele é capaz de desafiar até Just Fontaine nesse outro recorde. O francês fez 13 gols em uma única edição, em 1958. Parece inimaginável. Mas não dá mais para duvidar de Messi. Em 180 minutos nesta Copa, o camisa 10 marcou cinco vezes e ainda parece estar apenas se aquecendo. Poderia ter feito mais se não tivesse desperdiçado um pênalti no primeiro tempo contra a Áustria e perdido outro gol que geralmente não perde.

Por enquanto, Messi é a essência deste Mundial. O farol que ilumina a competição. Conduz a Argentina como se estivesse brincando com os filhos no quintal de casa. Joga sem fazer força. Sua naturalidade para disputar a sexta Copa é a mesma de um tanguero no salão. Os movimentos são firmes, alegres e certeiros. A bola chega nele e parece obedecer a uma ordem antiga.
O feito de Maradona no mesmo dia
O futebol também escreve certo por linhas tortas. Neste mesmo 22 de junho, mas de 1986, a Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 na Copa do Mundo do México. Seria campeã. Messi nem havia nascido. Nasceria um ano depois. Mas foi naquele dia que Maradona fez o gol de mão, a “Mano de Dios”, e depois o golaço em que driblou meio time inglês. Quarenta anos depois, no mesmo dia, Messi entra para a história como o maior artilheiro de todas as Copas.
Maradona fez oito gols em Mundiais. Disputou quatro edições: 1982, 1986, 1990 e 1994. Foi campeão uma única vez. Messi agora tem 18 gols, seis Copas, um título mundial e um recorde que nenhum jogador havia alcançado. Compará-los continuará sendo um exercício de memória, afeto, idade e identidade argentina. Mas Messi empilha argumentos como quem empilha gols. E a história, mesmo quando resiste, costuma se curvar aos números.
Ranking dos artilheiros das Copas
Messi — 18 gols
Klose e Mbappé — 16 gols
Ronaldo — 15 gols
Gerd Müller — 14 gols
Just Fontaine — 13 gols
Pelé — 12 gols





