Durante quase duas semanas, o Campeonato Brasileiro saiu do centro das atenções para abrir espaço às oitavas de final da Copa do Brasil. O torneio nacional reaparece neste sábado e domingo, mas a sensação está longe de ser a de um recomeço. A pausa não serviu para reorganizar o calendário nem para aliviar o desgaste. A partir de agora, o Brasileirão deixa de caminhar sozinho e passa a conviver com o retorno dos mata-matas da Libertadores e da Copa Sul-Americana, transformando cada rodada em um exercício de equilíbrio entre ambição, planejamento e sobrevivência.

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É justamente essa mudança de contexto que torna a volta do campeonato diferente das anteriores. Não se trata apenas de mais uma rodada. Trata-se da última oportunidade de chegar aos confrontos continentais em alta, ou de aumentar a pressão antes de uma semana capaz de mudar completamente o humor de uma temporada. Nesta 22ª rodada do Brasileirão, uma vitória pode consolidar um ambiente de confiança. Da mesma forma, uma derrota tem potencial para transformar um clube embalado em alvo de desconfiança.

Brasileirão Maurício Palmeiras
Poupado contra o Fortaleza, Maurício deve ser titular para tentar fazer contra o Internacional a lei do ex / Palmeiras

Brasil na Libertadores

O dilema dos treinadores também muda de tamanho. Escalar força máxima no Brasileirão pode significar apresentar um time desgastado na Libertadores ou na Sul-Americana. Preservar titulares, por outro lado, aumenta o risco de desperdiçar pontos preciosos em uma competição que costuma premiar justamente as equipes mais regulares. É importante ressaltar que nem todos os times que disputam as oitavas de final dos torneios continentais entraram em campo na Copa do Brasil.

O cenário é especialmente delicado para quem disputa o título nacional. Líderes da competição, Palmeiras e Flamengo seguem como protagonistas da corrida, mas convivem com a necessidade de administrar elencos em sequência de partidas que dificilmente permitirá semanas livres para treinamentos. Entretanto, o Rubro-Negro, que não está na Copa do Brasil, tem o elenco mais descansado. No meio de semana, ambos encaram jogos complicados pelas oitavas de final da Copa Libertadores. O Verdão recebe o Cerro Porteño, quarta-feira, às 19h (horário de Brasília). O time carioca vai a Minas Gerais enfrentar o Cruzeiro, no mesmo dia, às 21h30 (horário de Brasília). A Raposa, que passou às quartas de final da Copa do Brasil ao eliminar a Chapecoense, tem que se virar em três competições.

Levanta poeira

A ‘ressaca’ da eliminação precisa ser curada logo para Fluminense e Corinthians, que caíram, respectivamente, diante de Vasco da Gama e Internacional. Ambos têm confrontos difíceis nesta rodada. O Flu é visitante diante do Botafogo, neste sábado, às 21h (horário de Brasília), e o Corinthians joga em Bragança Paulista contra o Red Bull Bragantino, às 19h30 (horário de Brasília). Depois disso, ambos duelas com argentinos pela Libertadores, o Tricolor carioca recebe o Independiente Rivadavia, na terça-feira, às 19h (horário de Brasília). O Timão tem pela frente o Rosario Central, na quinta-feira, às 21h30 (horário de Brasília).

Por fim, o Mirassol também tem que esquecer o trauma da eliminação diante da Grêmio na Copa do Brasil e se concentrar, primeiro na luta contra o rebaixamento, e depois em sua primeira participação em mata-mata da Libertadores. Pelo Brasileirão, o duelo é com o Cruzeiro, domingo, às 11h (horário de Brasília), no Mineirão. Na Libertadores, a equipe paulista recebe a LDU-EQU, quinta-feira, às 19h (horário de Brasília).

Brasileiros na Sula

Além da Libertadores, o meio de semana também reserva as partidas de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. O São Paulo encara o Grêmio, sábado, às 16h (horário de Brasília), em Porto Alegre, e na terça-feira joga, às 21h30 (horário de Brasília), em La Paz, diante do Bolivar. O Grêmio, que caiu nos playoffs, vai ter semana livre. Já o Botafogo faz o clássico contra o Fluminense, sábado, no Nilton Santos, e na quinta-feira, às 21h30 (horário de Brasília). O Tricolor paulista e o Alvinegro estão descansados, pois já foram eliminados da Copa do Brasil.

Brasileirão Neymar
Neymar participa do ensaio fotográfico promocional da Copa Sul-Americana; suspenso, ele não encara o Furacão / Conmebol

No domingo, o Vasco, que está nas três competições, pega o Bahia, em Salvador, às 16h (horário de Brasília). Na quinta-feira, os cruzmaltinos recebem o Olímpia, às 19h (horário de Brasília), em São Januário. O Red Bull, que recebe o Corinthians, volta a ser mandante diante do Atlético-MG, quarta-feira, às 19h (horário de Brasília). O Galo, que eliminou o Juventude na Copa do Brasil, também segue vivo nos três torneios.

Para fechar, o Santos recebe o Athletico-PR, domingo, às 18h30 (horário de Brasília), na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro; na quinta-feira, às 19h (horário de Brasília), abre, em casa, o duelo com o Macará, do Equador. Para todos esses participantes, o desafio é semelhante: somar pontos importantes no Brasileirão sem comprometer a condição física e técnica para confrontos eliminatórios que podem definir o futuro internacional da temporada.

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O calendário brasileiro sempre foi alvo de críticas pelo excesso de jogos. Entretanto, é justamente agora que essa característica se manifesta com mais intensidade. Libertadores, Sul-Americana, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil passam a disputar espaço não apenas nas datas, mas também na capacidade física dos atletas e na profundidade dos elencos. Clubes que investiram pesado justamente para suportar essa maratona esperam colher os frutos nas próximas semanas. Aqueles que contam com grupos mais enxutos terão de recorrer a improvisações e administrar riscos maiores.

 

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