Brasil e Japão vão se enfrentar na próxima segunda-feira, às 14 horas (horário de Brasília), pela fase de dezesseis-avos de final da Copa do Mundo de 2026. O confronto foi definido na noite desta quinta-feira, após a última e emocionante rodada do Grupo F. Enquanto a Holanda confirmou a liderança da chave ao vencer a Tunísia por 3 a 1, Japão e Suécia empataram por 1 a 1 em Dallas, resultado que manteve os japoneses na segunda colocação e colocou a seleção comandada por Carlo Ancelotti diante do primeiro desafio de mata-mata do Mundial.
A definição foi construída em dois jogos disputados simultaneamente e cercados de expectativa. Em Kansas City, a Holanda praticamente resolveu sua classificação antes mesmo que o outro duelo encontrasse um vencedor. Logo aos dois minutos, Dumfries cruzou para a área e Skhiri desviou contra o próprio patrimônio. Quatro minutos depois, Brobbey aproveitou uma escorada de Van Dijk para ampliar. O início avassalador encaminhou a liderança holandesa e reduziu drasticamente as chances da Tunísia.
Holanda acaba em primeiro do grupo
Os tunisianos ainda ensaiaram uma reação na etapa final. Mastouri descontou de cabeça logo aos oito minutos e reacendeu a esperança de equilibrar o confronto. A resposta holandesa, porém, veio rapidamente. Aos 16 minutos, Van Hecke apareceu na área para marcar o terceiro gol e praticamente encerrar qualquer possibilidade de surpresa. A vitória por 3 a 1 confirmou a Holanda na liderança do grupo e a colocou no caminho do Marrocos na próxima fase.

Japão valente
Enquanto isso, em Dallas, Japão e Suécia protagonizavam um jogo muito mais equilibrado e carregado de tensão. Os japoneses foram superiores durante boa parte do primeiro tempo, controlando a posse de bola, acelerando pelos lados do campo e encontrando espaços principalmente com Nakamura e as subidas de Sugawara. A equipe de Hajime Moriyasu movimentava-se bem, trocava passes com velocidade e rondava a área sueca, mas não conseguia transformar o domínio em vantagem no placar.
O Japão voltou do intervalo ainda mais agressivo. Aos dez minutos, Doan encontrou um passe preciso para Maeda dominar livre e tocar no canto do goleiro sueco Jacob Widell, fazendo o gol que, naquele momento, alimentava a esperança de uma combinação de resultados que afastasse um possível duelo com o Brasil.
Mas a resposta sueca mudou novamente o panorama do grupo. Aos 16 minutos, Elanga acertou um chute preciso de fora da área para empatar a partida. O gol recolocou emoção na disputa pela classificação. Uma virada da Suécia tiraria o Japão da segunda colocação e lançaria os japoneses na disputa por uma vaga entre os melhores terceiros colocados. Os minutos finais foram disputados sob enorme tensão, com direito a uma bola na trave da meta do Japão nos minutos finais, mas o empate persistiu até o apito final, confirmando o cruzamento entre brasileiros e japoneses.
Brasil é dominante
O retrospecto aponta amplo favoritismo para a seleção brasileira. Em 14 confrontos oficiais e amistosos, o Brasil venceu 11 vezes, empatou duas e perdeu apenas uma, marcando 37 gols e sofrendo apenas oito. Em Copas do Mundo, existe apenas um encontro: a vitória brasileira por 4 a 1, em Dortmund, na fase de grupos da edição de 2006, com dois gols de Ronaldo, além de Juninho Pernambucano e Gilberto.
Mas quem imaginar um adversário confortável estará preso apenas ao passado. O único triunfo japonês na história do confronto aconteceu justamente no amistoso disputado em Tóquio, em outubro de 2025, quando os Samurais Azuis venceram por 3 a 2, resultado que simbolizou a evolução de uma seleção que há alguns anos deixou de ser apenas organizada para tornar-se verdadeiramente competitiva diante das principais potências do futebol mundial. Foi uma das poucas derrotas do Brasil sob o comando de Ancelotti.
Ideias consolidadas
O trabalho desenvolvido por Hajime Moriyasu desde 2018 transformou o Japão em uma das equipes taticamente mais consistentes do planeta. A força da equipe está muito mais na organização coletiva do que em individualidades. Os japoneses pressionam imediatamente após perder a posse de bola, ocupam os espaços com inteligência, aceleram as transições da defesa para o ataque e executam um jogo de alta intensidade, baseado em movimentação constante e circulação rápida da bola.
Mesmo desfalcado de jogadores importantes como Wataru Endo, Takumi Minamino e Kaoru Mitoma, lesionados antes do Mundial, o Japão preservou sua identidade. A mobilidade ofensiva de Ayase Ueda, a criatividade de Doan e a velocidade de Maeda tornam a equipe perigosa sempre que encontra espaço para acelerar. Não por acaso, foi justamente essa capacidade de jogar em bloco que levou os japoneses a surpreenderem o mundo na Copa de 2022, quando terminaram na liderança do chamado ‘grupo da morte’, à frente da Alemanha e da Espanha, antes de serem eliminados apenas nos pênaltis pela Croácia.

Caminho para os brasileiros
Ao mesmo tempo, a seleção asiática também apresenta vulnerabilidades. A bola parada defensiva tem sido um dos principais problemas neste Mundial. Contra a Holanda, boa parte das oportunidades concedidas surgiu em cruzamentos e jogadas aéreas, uma deficiência que certamente será observada pela comissão técnica de Carlo Ancelotti, especialmente diante da força brasileira nesse tipo de fundamento.
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O Brasil chega às oitavas com o favoritismo natural de uma equipe que terminou em primeiro lugar de seu grupo e ostenta um histórico amplamente favorável no confronto direto. Mas a fase eliminatória costuma ignorar estatísticas. Pela frente estará um adversário extremamente disciplinado, veloz e acostumado a competir de igual para igual contra seleções tradicionais.





