A definição mais comum para as quedas precoces de Alemanha e Uruguai na Copa do Mundo é decepção. Natural. A participação das duas seleções nos Mundiais sempre cria expectativa. Por conta do passado de ambas, pois, quem olha friamente para o presente não deve ter se surpreendido. No futebol atual, a tradição é cada vez menos importante. Tem seu valor, por óbvio, mas de nada adianta se não vier acompanhada de um jogo eficiente e competitivo. Tudo que alemães e uruguaios não tiveram.

Tudo sobre a Copa de 2026

O fracasso da equipe europeia talvez seja até mais significativo do que o da sul-americana. É fato que a Alemanha chegou à Copa dos Estados Unidos, México e Canadá ainda em meio a um processo de reconstrução. Processo este que se tornou necessário após as eliminações na primeira fase em 2018 e 2022. Porém, também é fato que a Alemanha atual não tem grandes jogadores em quantidade, como teve por exemplo ao ganhar a Copa disputada em 2014 no Brasil.

Alemanha, mais uma vez, foi eliminada precocemente de uma Copa do Mundo após derrota do Paraguai / Alemanha

Nos últimos anos, o futebol de clubes da Alemanha apresentou, a rigor, um único grande time, o Bayern de Munique – que por sinal teve sete jogadores incluídos no grupo que o técnico Jules Nagelsmann montou para a Copa. Só que não se pode ignorar o fato de que quase todas as principais estrelas das equipe da Baviera são estrangeiras. Upamecano é francês como Olise, Luis Díaz é colombiano, Harry Kane é inglês… E por aí vai.

Observando friamente os 26 convocados pela Alemanha, era possível prever que seria difícil disputar o título. Porém, os tetracampeões deveriam ir um pouco mais longe. Isso não ocorreu por vários motivos: entre eles um esquema tático confuso, que mostrou-se ineficiente em termos ofensivos (os 7 a 1 sobre Curaçau não pode ser considerado, né?), uma lentidão irritante e, algo surpreendente quando se trata de Alemanha, jogadores abalados emocionalmente.

Também faltou garra aos alemães, o que ficou claro na derrota para o aguerrido Equador ainda na fase de grupos, e na eliminação para o Paraguai. O forte esquema defensivo foi o aspecto mais comentado dos paraguaios. É até injusto, porém, relegar a segundo plano a vontade, a dedicação, a determinação dos vizinhos, que lutaram como leões durante todo o tempo.

Por tudo isso, a Alemanha se despede cedo da Copa. De forma incontestável, e merecida.

Queda anunciada

Do Uruguai também não dava para esperar muito. A Celeste vive a décadas da fama, mas nada faz de relevante em Copas desde 1950, ou seja há 76 anos. Com boa vontade, as exceções ficam pelos quartos lugares em 1970 e 2006. Dessa forma, não há de se falar em tradição. Na realidade o Uruguai, há décadas, é apenas mais um participante.

O que é uma pena para o um país que tem apenas cerca de 3 milhões de habitantes e que nunca deixou de produzir bons jogadores – proporcionalmente, revela mais jogadores de qualidade do que o Brasil, aliás. O problema é que, quando chega uma grande competição com a Copa do Mundo, o Uruguai está sempre na “conta do chá”. O que torna situações como contusões e problemas de relacionamento determinantes para o fracasso.

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Em 2026, o Uruguai chegou ao Mundial sem seu melhor jogador e cabeça pensante, Arrascaeta, em plena condições técnicas e físicas. Pior que isso: desde que assumiu, em 2023, o argentino Marcelo Bielsa, que tem mais fama do que resultados, arranjou várias encrencas como os jogadores. Pelo que consta, era inflexível em relação a seus métodos, se colocava sempre acima dos jogadores e não compreendeu a “alma’ do futebol uruguaio.

Com ambiente ruim – segundo a imprensa uruguaia, Bielsa só ficou porque a federação local não tinha dinheiro para pagar a multa se rescindisse seu contrato -, sem seu craque e com jogadores de um lado e treinador do outro, a ida da seleção ribanceira abaixo era questão de tempo. E, assim como em 2022, a Celeste não passou da fase de grupos. Desta vez foi ainda pior: não obteve nenhuma vitória e ainda apelou para a violência na partida em que foi eliminada ao perder para a Espanha.

Holanda sem identidade

A eliminação da Holanda já na segunda fase decepcionou nem tanto por cair nos pênaltis diante de Marrocos, que tem uma excelente seleção. O que frustrou foi a maneira como os holandeses atuaram contra os africanos. Deixaram o futebol vistoso e ofensivo de lado, optando por um inexplicável esquema defensivo (Koeman escalou cinco defensores). A Holanda foi encurralada o tempo todo e não mostrou poder de reação. Ao contrário, se encolheu ainda mais quando ficou em vantagem no placar. Quis segurar o resultado, sofreu o empate, quase perdeu na prorrogação e dançou nos pênaltis. Castigo justo e merecido para uma seleção que, de Holanda, só teve o uniforme laranja em Monterrey.

Pitaco sobre a seleção brasileira

Quase todos os torcedores, e até boa parte da imprensa, devem ter xingado Carlo Ancelotti ao ver que Casemiro voltou a campo para o segundo tempo contra o Japão. E quando colocou Martinelli no lugar de Matheus Cunha, que havia melhorado o desempenho ao mudar de posição com a entrada de Endrick. Pois Casemiro cresceu, passou a chegar mais na área e fez o gol do empate. E Martinelli não trombou com Vini Jr., como alguns pensaram que iria acontecer, e ainda fez o gol da vitória. Muita vezes, os técnicos merecem críticas. Mas em tantas outras só eles enxergam determinadas situações. O italiano mostrou isso.

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