Prefiro escrever sobre o futuro. Como jamais considerei a possibilidade de a seleção brasileira ir longe na Copa de 2026, não vou me juntar àqueles que estão correndo atrás dos motivos, dos vilões e culpados pelo fracasso em gramados dos Estados Unidos. Tem um país inteiro fazendo isso. Sem ignorar os ensinamentos deixados pela pálida campanha nem desrespeitar a ressaca nacional, acho mais produtivo olhar para frente. Enxergo boas perspectivas para 2030.
O Brasil tem tudo para ser considerado favorito ao título mundial daqui a quatro anos. Favorito de fato, não com base na tradição, que, sozinha, não ganha campeonatos nem no videogame. Um dos postulantes, claro, pois outras seleções estarão ou continuarão fortes e competitivas. Mas para isso, porém, será preciso fazer um trabalho sério, planejado e de longo prazo. Um dos requisitos básicos é que o técnico tenha tempo para observar, testar, revelar e colocar de maneira clara e convicta seus conceitos e maneira de jogar – e, evidentemente, as variações que podem ser necessárias.

Carlo Ancelotti teve seu contrato renovado até 2030, mas com a CBF nunca se sabe. De qualquer maneira, já deu para aprender que pular de galho em galho quando se trata de treinador é queda certa da árvore. No atual estágio do futebol, é cada vez mais raro obter bons resultados a partir de improvisos e mudanças emergenciais. Mesmo nestes casos, os resultados só vêm quando se consegue reunir vários craques. O que não é possível no futebol brasileiro, que tem vários excelentes jogadores, mas nenhum craque.
Há bons jogadores para 2030
Porém, o Brasil tem jogadores suficientes para montar um grupo competitivo. Até porque haverá forçosamente uma renovação, que passa pelo aproveitamento de vários dos atletas que estiveram com Ancelotti no Mundial e que estarão mais experientes; outros que não foram convocados agora por causa de contusões ou por opção do treinador; além daqueles que estão surgindo ou vão surgir.
Jogadores como Vinícius Júnior, Danilo Santos, Martinelli e Luiz Henrique, além dos muito jovens Rayan e Endrick, devem ser mais bem aproveitados no novo ciclo. Mesmo Bruno Guimarães e Gabriel Magalhães, que terão 32 anos em 2030, poderão ser importantes. Assim como Estêvão, Rodrygo e Militão, que certamente teriam ido aos Estados Unidos se não tivessem sido nocauteado por graves lesões.
A renovação já começou
João Pedro, Matheus Martinelli (o meia do Fluminense), o palmeirense Allan, Vitor Roque, Breno Bidon, os laterais Wesley e Kaiki (ainda no Cruzeiro), o zagueiro Vitor Reis e até o veterano Pedro (terá 33 anos), se não aparecer mais nenhum grande centroavante, também devem fazer parte da nova seleção.
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Deficiências
Porém, ainda há muitas lacunas a preencher. Faltam ao futebol brasileiro bons laterais, de ambos os lados, e novos zagueiros. É desejável que os goleiros sejam renovados. Também será preciso arranjar um primeiro volante, visto que Casemiro já não aguenta mais. André, ex-Fluminense, até pode ser opção. Desde que mostre o futebol dos tempos de Tricolor carioca e que não mostrou quando teve chance na seleção principal nem no futebol inglês.
Sem contar que já passou da hora de um futebol brasileiro voltar a ter armadores. Jogadores clássicos, inteligentes, que ditam o ritmo do jogo, e que pensem. O tal do camisa 10, que atualmente se pode ver em profusão na Argentina, até em times pequenos.
No frigir dos ovos, porém, material humano o Brasil tem. Se souber trabalhar direito, vai dar para sonhar em 2030.
Neymar sempre foi isso
A Copa de 2026 serviu para confirmar o que todos já sabiam. Neymar entende estar acima de todos. Somente seus interesses importam. Qualquer perna de pau que fizesse um gol que reduzisse a vantagem do adversário certamente pegaria a bola nas redes e a colocaria rapidamente no meio de campo, na esperança de ainda dar tempo para empatar. Mas o “princeso” preferiu confrontar o goleiro norueguês. O Brasil, o time, os companheiros, a nação que se… danem. Tomara que realmente tenhamos nos livrado desse encosto!
Fifa envergonha o futebol
Desprezível, covarde, repugnante. Gianni Infantino mostrou não ter a menor vergonha na cara ao aceitar a ordem de Donald Trump para anular o cartão vermelho dado ao americano Balogun. Seria inacreditável se não se tratasse desse cartola fraco e puxa-saco de poderosos. Uma vergonha para o futebol.





