Atlanta – Por mais que o técnico argentino Lionel Scaloni tenha declarado em sua entrevista coletiva na véspera do confronto entre Argentina e Inglaterra que as duas seleções “farão apenas um jogo de futebol”, o duelo em Atlanta nunca será apenas isso. Pois quando os jogadores argentinos, de camisas azuis, e os britânicos, vestidos de branco, pisarem o gramado do Mercedes-Benz Stadium, haverá muito mais coisas em jogo.

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Para começar, virão as lembranças de 1982, quando a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, em uma cartada do ditador, o almirante Leopoldo Galtieri, para mobilizar as massas no seu país – e prolongar o regime na marra. E do brutal contragolpe dos ingleses, que mobilizaram uma armada ultraequipada que reconquistou o território. Esta guerra deixou 907 mortos – 649 militares argentinos, 255 soldados britânicos e três cidadãos do Reino Unido, que residiam nas Ilhas Falklands (Malvinas, para os sul-americanos).

Não por acaso, a Guerra de 44 anos atrás foi parar em um cântico: “Pelas Malvinas, por Diego”. Ele foi entoado pela “hinchada” argentina e também por Lionel Messi e seus companheiros de equipe após a vitória da equipe contra o Egito, nas quartas de final, no mesmo estádio de Atlanta.

Gol de mão de Maradona na Copa de 1986 é um dos temperos da rivalidade entre Argentina e Inglaterra / Reprodução

Mas esta rivalidade tem outros ingredientes. Na história dos confrontos entre os dois países houve o gol de mão e, depois, o golaço de Diego Maradona, driblando seis jogadores ingleses rumo ao título no México, em 1986. E, 20 anos antes, a fúria da imprensa inglesa com o gesto de Antonio Rattín, o lendário capitão azul-celeste, em 1966, que, expulso de campo, recusou-se a sair, exigindo um tradutor ao árbitro alemão Rudolf Kreitlein.

No dia seguinte, sua foto, arrancando uma bandeirinha inglesa do campo, correu as capas dos tabloides ingleses junto com uma manchete que se referia a ele e aos outros jogadores argentinos como verdadeiros “animais”.

Novo capítulo

Não por acaso, a Batalha de Atlanta, como foi apelidada esta semifinal do Mundial de 2026, terá um esquema de segurança reforçado como nenhuma outra partida da competição teve. Além de policiais e agentes do FBI, as medidas incluem vigilância reforçada. O jogo é considerado o de maior risco na Copa.

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Devido ao grande número de torcedores de ambos os países e a tudo que envolve uma das partidas mais aguardadas da disputa, em que o vencedor vai para a final com a Espanha, o esquema de segurança inclui policiamento ostensivo nas ruas de Atlanta e entradas de cada uma das duas torcidas por portões separados. Cerca de 1.600 policiais e agentes farão a segurança. Até agora, nenhum dos jogos da competição teve este tipo de controle ou foi denominado de “alto risco”. Porque, por todo o passado e peculiaridades que ostentam, partidas entre Argentina e Inglaterra nunca serão apenas um mero jogo de futebol.

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