Nova York — Donald Trump não fez gol nesta Copa do Mundo, mas deu algumas bolas fora. Agora, o presidente dos Estados Unidos terá de encarar o seu maior teste público no torneio: aparecer diante de mais de 80 mil pessoas na final do Mundial, no MetLife Stadium, em New Jersey, ao lado de Gianni Infantino e de outros convidados ilustres da Fifa.

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Trump estará na tribuna de honra no dia 19, assim como esteve na decisão do Mundial de Clubes do ano passado, entre Chelsea e PSG. A diferença é que agora o palco é mais pesado, a audiência é global e o estádio não será ocupado por americanos. Haverá espanhóis, ingleses ou argentinos, muitos latinos, europeus e torcedores de várias partes do mundo. Se houver vaias, elas não ficarão restritas ao estádio. Vão rodar o planeta. Trump deverá entregar a taça ao campeão do mundo, como ele fez no Mundial de Clubes.

Gianni Infantino e Donald Trump: parceria na Copa do Mundo de 2026 que será julgada pelo mundo esportivo / Fifa

A possibilidade existe porque Trump atravessou a Copa sem ir aos jogos, mas também sem ficar distante dela. Não compareceu nem às partidas dos Estados Unidos, embora tenha sido esperado em alguns estádios americanos. Ele preferiu assistir aos jogos do Salão Oval, na Casa Branca, entre uma reunião e outra. Foi de lá que ligou para Infantino para “sugerir” a revisão do cartão vermelho dado ao atacante Balogun, dos Estados Unidos, pelo árbitro brasileiro Raphael Claus.

Trump e o cartão vermelho ‘cancelado’

A comissão de arbitragem manteve o cartão vermelho aplicado por Claus, mas aceitou o efeito suspensivo. Balogun pôde jogar a partida seguinte, na derrota dos Estados Unidos para a Bélgica. O próprio atacante admitiu que a situação gerou desconforto dentro do grupo. “Minha reação inicial foi de felicidade por estar de volta à equipe. Mas, ao refletir melhor, percebi que isso causaria controvérsias. Eu quase conseguia ver um pouco de nervosismo nos meus companheiros, porque é algo muito singular. Conforme o jogo se aproximava, eu tentava me concentrar o máximo possível, mas era difícil”, disse Balogun.

O episódio colocou Trump dentro da Copa pela porta da política. Não foi a única vez. O presidente também atazanou a delegação do Irã durante a competição, em meio a decisões de entrada e saída de membros da seleção e do estafe nos Estados Unidos. O Irã acabou levando a sua base para o México e passou a entrar e a sair das cidades americanas apenas nos dias de jogos.

Gianni Infantino, presidente da Fifa: entidade se dobrou às vontades, desejos e pedidos do governo americano / Fifa

Para Trump e Infantino, a eliminação precoce do Irã evitou um problema ainda maior. Enquanto o Mundial acontecia em seu quintal, o presidente americano manteve o tom duro contra os iranianos no campo político, diplomático, bélico e estratégico. A Copa tentava vender festa. A política americana lembrava o tempo todo que o torneio também estava dentro de um país cheio de contradições e pronto para disparar contra seus alvos.

Ice nas ruas gerando o medo

O outro ponto sensível dos EUA é a imigração. Trump é criticado por reforçar ações do ICE, o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos, durante a Copa do Mundo. As prisões de imigrantes irregulares foram intensificadas no período do torneio. Houve medo em comunidades estrangeiras, protestos e questionamentos de senadores americanos depois da morte de um colombiano em Maine durante uma ação.

A meta do governo era chegar a até 2 mil prisões por dia de imigrantes ilegais no país. As detenções saltaram de 5 mil para 10 mil em uma semana. No site do governo americano, havia registro de 139 brasileiros presos pelo ICE, entre homens e mulheres, por diferentes acusações, incluindo crimes graves. O dado entrou no radar de quem acompanha a Copa, especialmente entre torcedores estrangeiros que viajaram aos Estados Unidos.

Teste no estádio da final

É nesse ambiente que Donald Trump aparecerá na final da Copa. Não será apenas o presidente do país-sede sendo mostrado no telão. Será um personagem político em um estádio global, diante de torcedores que podem reagir de várias formas. Aplausos, silêncio ou vaias. Tudo estará em jogo na imagem.

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O teste de popularidade talvez não diga muito sobre o governo Trump dentro dos Estados Unidos. A final da Copa não será um retrato fiel do eleitorado americano. Mas dirá algo sobre a percepção internacional de um presidente que atravessou o Mundial de futebol interferindo, pressionando, provocando e levando sua política para dentro de um torneio que a Fifa prefere vender como território neutro. Infantino deve sorrir ao lado de Trump com o dever de missão cumprida e de um até breve. A Fifa sabe fazer isso como poucas instituições. Mas também sabe que o futebol tem seus próprios julgamentos. Quando o telão mostrar Trump no MetLife, o estádio vai responder. E, se a resposta vier em forma de vaia, será o som mais político desta Copa. E o que vai ficar.

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