O Santos diante da Universidad Central, da Venezuela, por 4 a 2, de virada, nesta terça-feira, na Vila Belmiro, e se classificou às oitavas de final da Copa Sul-Americana. Na partida, o Peixe levou o gol de Samuel Sosa, aos 19 segundos da primeira etapa, depois Miguelito igualou quase no final do primeiro tempo. No segundo tempo, Gabigol, Gabriel Menino comandaram a virada. Gonzalo Mottes fez o segundo do visitante. O desfecho, porém, é apenas uma parte da questão que acompanhará o clube nas próximas semanas. Mais importante do que avançar ou ser eliminado será compreender como o Peixe distribuirá energia, minutos e jogadores em uma sequência que reúne três competições — e um perigo que não permite distrações.
O Campeonato Brasileiro precisa ser a prioridade institucional. Não porque a Copa do Brasil e a Sul-Americana sejam dispensáveis, mas porque o custo de uma nova queda seria muito superior ao de qualquer eliminação. Depois do empate por 2 a 2 com a Chapecoense, o Santos encerrou a 20ª rodada em 14º lugar, com 22 pontos, cercado por adversários separados por margem mínima na parte inferior da tabela. A permanência ainda depende de uma campanha consistente, não de um ou dois resultados isolados.

Santos pressionado
O técnico Cuca foi direto escancarou o tamanho da preocupação. Após a partida contra a Chapecoense, o comandante afirmou que o time precisa somar ao menos mais 23 pontos, dos 54 em disputa, e classificou o resultado na Vila Belmiro como “muito ruim”. Foi além: reconheceu que escalar os jogadores tecnicamente mais fortes não basta quando o funcionamento coletivo desaparece. A declaração desmonta a ideia confortável de que o Santos poderá atravessar a maratona apoiado apenas no talento de Neymar e de seus principais nomes.
O calendário exige uma definição rápida. Depois do compromisso continental, o Peixe enfrentará o Remo duas vezes, nos dias 1º e 4 de agosto, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Em seguida, receberá o Athletico-PR pelo Brasileirão, em 9 de agosto. Na sequência, pela Copa Sul-Americana, terá o Macará, do Equador, nas semanas seguintes, com os jogos das oitavas marcados para as janelas de 11 a 13 e de 18 a 20 de agosto. No meio desse confronto, visitará o Vasco, outro clube envolvido diretamente na luta da parte de baixo.
Poucas opções no time
Não há elenco que atravesse uma sequência assim sem rodízio. A discussão correta, portanto, não é escolher uma competição e abandonar as demais. O Santos deve hierarquizar partidas. Pode preservar titulares quando possuir vantagem confortável em um mata-mata, mas não tem o direito de tratar confrontos diretos do Brasileiro como intervalo entre decisões mais atraentes.
A utilização de Neymar ajuda a revelar esse dilema. O camisa 10 começou no banco contra a Universidad Central, depois de ser relacionado normalmente. Ele atuou todo o segundo tempo. Como está suspenso para enfrentar o Athletico-PR, sua preservação também aponta para a Copa do Brasil, na qual o duelo com o Remo começa sem vantagem. É uma decisão compreensível, mas que mostra como o planejamento precisa considerar o impacto de cada jogador, e não apenas o prestígio de cada torneio.
Dinheiro alivia as contas
As copas também carregam um argumento financeiro impossível de ignorar. O Santos já recebeu R$ 3 milhões pela classificação às oitavas da Copa do Brasil. Na Sul-Americana, chegar às quartas renderá mais US$ 600 mil (cerca de R$ 3 milhões, na cotação de hoje), enquanto o campeão receberá US$ 10 milhões (R$ 51 milhões). Para um clube pressionado por suas contas, cada avanço representa receita, exposição e alguma possibilidade de reconstrução. Mas há uma fronteira que a necessidade de arrecadar não pode apagar. Nenhuma premiação de mata-mata compensa esportivamente o efeito de retornar à Série B. A queda reduziria receitas futuras, dificultaria a preservação do elenco e aprofundaria uma instabilidade que o clube ainda tenta superar.

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Por isso, a ordem deve ser clara: o Brasileiro vem primeiro; a Copa do Brasil merece força máxima sempre que o calendário permitir; a Sul-Americana deve ser disputada com seriedade, aproveitando um caminho que coloca o Macará, nas oitavas de final. Não se trata de apequenar a ambição, mas de impedir que ela se transforme em imprudência. O Santos pode buscar uma taça. O que não pode é permitir que o sonho de levantá-la esconda o abismo que continua aberto sob seus pés.





