O Internacional terminou a 20ª rodada do Campeonato Brasileiro em 16º lugar, com 21 pontos, exatamente a mesma pontuação de Vasco e Remo, os dois primeiros integrantes da zona de rebaixamento. Perdeu os dois jogos desde a retomada — 2 a 1 para o Cruzeiro, no Beira-Rio, e 2 a 0 para o Athletico, em Curitiba —, transformou um julgamento no STJD em constrangimento nacional ao apresentar um áudio falso atribuído ao VAR e agora recebe o Flamengo, nesta quarta-feira, às 19h30 (horário de Brasília), em Porto Alegre. O adversário também carrega um peso histórico: o Inter não vence o Rubro-Negro desde 23 de abril de 2023, quando ganhou por 2 a 1 no Beira-Rio. Foi, portanto, também a última vitória colorada em casa sobre os cariocas, há mais de três anos.
A pausa para a Copa do Mundo deveria oferecer tempo para reorganizar um time que já demonstrava fragilidades. Serviu, porém, para tornar ainda mais visível o tamanho do problema. O Inter voltou sem corrigir erros defensivos, sem melhorar a eficiência no ataque e sem apresentar uma resposta física ou emocional capaz de alterar o rumo da temporada.

Internacional sem defesa
Contra o Cruzeiro, Paulo Pezzolano escalou três zagueiros, apostou em transições e viu a equipe desperdiçar oportunidades antes de perder novamente em casa. Ao final, abandonou qualquer tentativa de suavizar o cenário. “É um ano difícil. É um ano que vamos ter que lutar muito”, afirmou o treinador, reconhecendo publicamente que o clube já disputa um campeonato particular contra a queda.
A derrota para o Athletico aprofundou a sensação de descontrole. Sem Pezzolano no banco, o auxiliar Esteban Conde montou uma linha de cinco defensores, mas a tentativa de proteção terminou em novos erros individuais. Juninho perdeu a bola no lance do primeiro gol; Félix Torres recuou mal no segundo, foi substituído logo depois e deixou o campo irritado. Na frente, o time voltou a desperdiçar chances, enquanto Alerrandro, que retornou do recesso sem as condições físicas consideradas ideais, simbolizou uma preparação que não produziu a evolução esperada.
O problema não ficou restrito ao gramado. O presidente Alessandro Barcellos novamente evitou entrevistas, e o vice Victor Grunberg assumiu a comunicação depois da derrota. Em vez de mobilizar o torcedor para uma partida decisiva, reconheceu que entenderia uma eventual ausência das arquibancadas. A frase “se não quiser se fazer presente, eu entendo” pode ter sido sincera, mas soou como resignação em um momento no qual o clube precisava transmitir comando, urgência e convicção.
Então veio o episódio do STJD.
No julgamento de Victor Gabriel pela entrada que causou a fratura na perna de Gabriel Pec, a defesa do Internacional apresentou como prova um diálogo fake entre o árbitro e o VAR. O material, porém, era falso: uma paródia retirada das redes sociais. A CBF nem sequer havia divulgado oficialmente o áudio da cabine. Questionado durante a sessão, o advogado não soube precisar a origem do conteúdo. O clube e o escritório responsável pela defesa reconheceram a falha, negaram má-fé e pediram a retirada do material dos autos. Ainda assim, o dano estava produzido. Victor Gabriel foi suspenso até que Gabriel Pec volte aos treinamentos, com limite máximo de 180 dias, e o Inter acrescentou à crise esportiva um grave problema de credibilidade institucional.

É neste ambiente que o Flamengo chega ao Beira-Rio. Vice-líder, com 38 pontos em 19 partidas, o time carioca representa um salto de dificuldade para quem não conseguiu pontuar contra Cruzeiro e Athletico. O empate por 1 a 1 no Maracanã, em fevereiro, mostra que o confronto não é impossível. Mas o passado recente também recorda que a última vitória colorada ocorreu naquele 2 a 1 de 2023, decidido por dois gols de Mauricio.
Zona do rebaixamento é logo ali
O Inter ainda está fora do Z4. Mas apenas pelos critérios de desempate. Sua margem de segurança desapareceu, sua preparação não entregou respostas e sua direção parece incapaz de construir um discurso que reorganize o ambiente. O risco já não está no horizonte: ocupa o cotidiano do clube.
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A luta contra o rebaixamento começou antes mesmo de o Internacional admitir. Agora, depois da Copa, não há mais espaço para eufemismos. O Colorado precisa parar de errar no campo, no banco, nos microfones e nos tribunais. Caso contrário, o abismo deixará de ser metáfora para virar destino.





