O Corinthians apostou todas as fichas na Copa do Brasil. A decisão de Fernando Diniz de preservar praticamente todo o time titular no empate com o Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro, tinha um objetivo muito claro: chegar ao Beira-Rio descansado para construir um resultado que permitisse decidir a vaga diante da Fiel, na Neo Química Arena. O planejamento fazia sentido. Mas o futebol não segue essa lógica.
Além de desperdiçar dois pontos no Brasileirão, o Corinthians voltou de Porto Alegre derrotado por 2 a 0 pelo Internacional e agora terá pela frente uma missão das mais complicadas para seguir vivo na luta pelo bicampeonato da Copa do Brasil. O que parecia uma estratégia inteligente acabou produzindo um cenário catastrófico.

Durante 60 minutos, o Corinthians fez exatamente o jogo que Diniz imaginava. Teve mais de 70% de posse de bola, controlou a partida, empurrou o Internacional para trás e obrigou o adversário a atuar em função da marcação. Mas do que adianta posse de bola sem efetividade?
Yuri Alberto fez falta
E é aí que aparece o tamanho da ausência de Yuri Alberto. Sem seu principal atacante, o Corinthians rodou a bola de um lado para o outro, cercou a área colorada, mas quase nunca conseguiu atacar o espaço entre os zagueiros. Faltou presença dentro da área, mobilidade e, principalmente, alguém capaz de transformar o controle do jogo em oportunidades de gol. Gui Negão até lutou, mas foi engolido pelos zagueiros. Mas essa não foi a única razão da derrota.
Outro fator determinante foi a quantidade de erros na saída de bola. A “saidinha” desde a defesa, uma das principais assinaturas do trabalho de Diniz, voltou a expor os seus riscos. Em pelo menos quatro oportunidades, o Corinthians entregou a posse de presente ao Internacional ainda no campo defensivo. Na melhor delas, Carbonero arrancou livre e só não abriu o placar porque Hugo Souza fez uma defesa espetacular. Foram erros que poderiam ter custado caro antes mesmo dos gols colorados.

Paulo Pezzolano montou um Internacional disciplinado. Com uma linha de cinco bem posicionada à frente da área, entregou deliberadamente a bola ao Corinthians, fechou todos os espaços por dentro e esperou pacientemente o erro do adversário para acelerar nos contra-ataques.
O Inter reagiu com gols
Logo no primeiro minuto, Breno Bidon obrigou Matheus Cunha a fazer boa defesa. Parecia um prenúncio de uma noite ofensiva do Corinthians. Não foi. A equipe paulista passou a maior parte do primeiro tempo trocando passes sem conseguir desmontar o bloqueio rival. Ainda assim, o empate parecia um resultado administrável para quem decidiria a classificação diante da própria torcida.
Só que o futebol muda depressa. Aos 15 minutos do segundo tempo, após uma cobrança de escanteio, a bola sobrou dentro da área para Matheus Bahia finalizar e abrir o placar. Três minutos depois, Gustavo Henrique cometeu um pênalti desnecessário sobre Bruno Gomes. Alan Patrick deslocou Hugo Souza e fez 2 a 0. Foram menos de cinco minutos suficientes para desmontar tudo aquilo que o Corinthians havia construído durante uma hora de partida.

Os dois gols nasceram de situações evitáveis. O Internacional não precisou sufocar o adversário nem exercer qualquer domínio técnico. Bastou aproveitar um rebote em bola parada e um erro individual dentro da área para transformar um jogo equilibrado em uma vantagem enorme. O pior aconteceu depois. O Corinthians desmoronou emocionalmente. As substituições reduziram ainda mais o nível técnico da equipe e escancararam um problema que acompanha o clube durante toda a temporada: a enorme distância entre os titulares e as peças de reposição. O time perdeu organização, criatividade e lucidez.
Ainda faltam 90 minutos
Restou insistir nos cruzamentos para a área, reclamar de todas as decisões da arbitragem e pedir pênaltis que nunca vieram. Nenhuma das estratégias produziu resultado. O Internacional, por sua vez, fez o jogo que pretendia fazer. Aceitou não ser protagonista nem mesmo atuando em casa, marcou com enorme disciplina, competiu cada dividida como se fosse a última e foi premiado por uma atuação madura, eficiente e competitiva.
Na saída de campo, Rodrigo Garro tratou de manter viva a esperança. “Ainda faltam 90 minutos e temos força para virar com a nossa torcida.” Ele tem razão. A classificação ainda está aberta. O Corinthians já mostrou inúmeras vezes, principalmente em Itaquera, que é capaz de transformar noites improváveis em capítulos históricos. A força da Neo Química Arena e da Fiel nunca deve ser subestimada.
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Mas, desta vez, só a alma não bastará. O Corinthians precisará jogar mais futebol do que apresentou no Beira-Rio. Precisará transformar posse de bola em agressividade, domínio em oportunidades, controlar melhor os riscos da saída de bola e evitar os erros individuais que decidiram o primeiro confronto. Porque, depois de transformar um jogo sob controle em um prejuízo de dois gols, o Corinthians já não tem mais margem para falhar. Quinta-feira, em Itaquera, será preciso fazer a partida perfeita.





