O Corinthians chegou ao dia D da renovação de Memphis Depay. O atacante holandês voltou ao Brasil, passou por exames e testes físicos e depende dos últimos trâmites para assinar o novo contrato com o clube por duas temporadas. A expectativa é de vínculo até junho de 2028, depois de uma negociação longa, desgastante e cercada por pressão política no Parque São Jorge. Memphis não é unanimidade no clube, mais pelos valores do seu contrato do que pelo seu futebol, embora o primeiro semestre foi de quase uma “enganação” ao torcedor por causa da Copa do Mundo.
Não se trata apenas de uma simples renovação. Memphis virou uma operação de sobrevivência esportiva e financeira para o Corinthians. O clube quer manter o seu jogador mais midiático, Fernando Diniz quer contar com o atacante o mais rápido possível em campo, a torcida espera o desfecho, mas a conta continua pesada. O acordo só avançou porque o holandês aceitou mudanças importantes nas condições financeiras. Vai ganhar menos: de R$ 4,5 milhões para R$ 2 milhões por mês. Em um ano, o clube terá de pagar R$ 24 milhões ao jogador. Sem contar bônus, premiações e 13º salário.

A renovação encaminhada prevê um contrato mais baratinho do que o vínculo anterior. No The Football, a situação já vinha sendo tratada como uma negociação inevitável, mas complexa: Memphis aceitou reduzir a remuneração fixa e o Corinthians tentaria parcelar a dívida que tem com o jogador ao longo do novo acordo. O valor citado gira em torno de R$ 42 milhões, referente a pendências acumuladas do contrato anterior, que acabou no dia 31 de julho. E o mesmo valor que a Gaviões da Fiel arrecadou em ‘vaquinha’ para ajudar a pagar o estádio em Itaquera.
Contrato de dois anos e mais um
Esse é o ponto central da novela Memphis-Corinthians. O Corinthians aceitou renovar com Memphis, mas colocou na mesa a reorganização da dívida entre as partes. O atleta aceitou e abriu mão dos juros. O valor poderia chegar a R$ 70 milhões. O contrato assinado em 2024 foi caro, cheio de bonificações e difícil de sustentar, como se vê. Por isso que a permanência do holandês só passou a ser viável porque o novo modelo diminui o custo mensal e empurra parte da dívida para dentro de um planejamento mais longo: em 24 meses.
Existe a possibilidade de ter um ano a mais em extensão automática. O Corinthians não confirmou isso. Memphis gostou do Brasil e decidiu ficar. Ele tem outros negócios no país e também não recebeu ofertas para voltar para a Europa após a Copa.
Diniz aguarda pelo atacante
A bem da verdade, a assinatura da renovação está demorando mais do que se esperava. Nesta quinta, ele deve ser aplaudido na Neo Química Arena no camarote do Corinthians, quando o time enfrenta o Inter pela Copa do Brasil. A torcida pode até gritar o seu nome. O time depende dele mais do que deveria. O problema continua sendo o mesmo desde a sua chegada: como pagar a conta Depay?

Nesta semana, ele fez exames médicos e leu as minutas do novo acordo. Depay não vai mudar de estilo de vida, só vai ganhar menos no futebol brasileiro. Ele jogou a Copa e emendou umas férias. Há metas e premiações ainda, mas menos absurdas. O que se sabe é que, por ora, o Corinthians não tem dinheiro para pagar um contrato que deve assinar nesta quinta-feira.
Mesmo assim, o Corinthians sabe que perder Memphis agora seria um baque esportivo e simbólico. O holandês é o jogador de maior peso internacional do elenco, dá visibilidade ao clube e tem qualidade para decidir jogos grandes. Em um time pressionado por resultados, dívidas e cobrança, abrir mão dele também teria custo. Talvez não no boleto imediato, mas no campo e na arquibancada. A permanência atende a Fernando Diniz. Ele já jogaria na volta da Libertadores, semana que vem.
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O treinador precisa de jogadores capazes de desequilibrar, atrair marcação, prender a bola e resolver quando o coletivo não funciona. Memphis não é um atleta comum no futebol brasileiro. Por isso, o dia D da assinatura é mais do que o fim de uma novela. É um retrato do Corinthians atual. Um clube gigante, endividado, pressionado, mas ainda capaz de atrair e manter um jogador raro no mercado brasileiro. O Corinthians precisa de Memphis.





