Sob protesto de parte da torcida, com vaias e o coro de ‘time sem vergonha’, o Santos voltou a descobrir, da maneira mais incômoda possível, que a distância entre uma reação e uma recaída pode ser curta no Campeonato Brasileiro. Neste domingo, na Vila Belmiro, o Peixe perdeu por 2 a 0 para o Athletico-PR, com dois gols de Viveros, e terminou a 22ª rodada novamente dentro da zona de rebaixamento. O resultado ampliou para três partidas a série sem vitória na competição e deixou o Peixe em 17º lugar, 22 pontos em 21 partidas disputadas. O Furacão ganha um alívio após a eliminação na Copa do Brasil, soma 40 pontos, em 22 jogos, e segue em terceiro lugar.
A derrota começou a ser desenhada cedo. O Santos até criou a primeira boa chance, com Caballero, mas bastou o Athletico encontrar espaço às costas da defesa para mudar completamente o cenário. Aos 14 minutos, João Ananias não conseguiu cortar a jogada, a zaga se atrapalhou e Viveros apareceu livre dentro da área para abrir o placar. Pouco depois, aos 26 minutos, João Cruz lançou nas costas da última linha santista, o colombiano ganhou a corrida e bateu na saída de Gabriel Brazão. Dois ataques mais agudos, dois gols e uma vantagem que permitiu ao time paranaense jogar exatamente a partida que queria.

Santos repete apatia
Sem Neymar, suspenso pelo terceiro cartão amarelo recebido no empate com a Chapecoense, Cuca perdeu justamente o jogador com maior capacidade de alterar o ritmo de uma partida em uma jogada. Para se ter uma ideia, pelo Brasileirão, com Neymar, que acompanhou a partida em um camarote, o Peixe obteve quatro vitórias, dois empates e três derrotas. Sem o camisa 10, uma vitória, cinco empates e cinco derrotas. Assim, a esperança foi Gabriel Barbosa, que ficou como referência, acompanhado por Bontempo, Caballero e Barreal, mas o Santos teve enorme dificuldade para transformar posse em ameaça real. Gabigol tentou uma finalização acrobática ainda no primeiro tempo e obrigou Mycael a trabalhar em outro lance, porém o volume produzido quase sempre esbarrou na organização visitante.
A estatística ajuda a explicar o tamanho do problema. O Santos terminou com 62% de posse de bola e 22 finalizações. Apenas duas, no entanto, tiveram a direção do gol. O Athletico precisou de oito arremates para acertar quatro e marcar duas vezes. Mais do que uma diferença de eficiência, os números retratam uma equipe que circulou a bola, ocupou o campo ofensivo e acumulou tentativas sem encontrar clareza na frente da área.
Sob gritos de ‘time sem vergonha’ na saída para o vestiário, Cuca mexeu depois do intervalo. Rollheiser entrou no lugar de Caballero; Rony substituiu Christian Oliva; mais tarde, Willian Arão e Thaciano também foram acionados. O Santos aumentou a pressão, Barreal levou perigo e a área atleticana passou a receber mais bolas, mas não houve uma mudança efetiva na qualidade das oportunidades. Em alguns momentos, foi o Athletico quem esteve mais perto do terceiro gol: Benavídez chegou a balançar a rede em lance anulado por impedimento, e Viveros ainda teve a chance de completar o hat-trick, parada por Brazão.
Jejum e zona da degola
O 2 a 0 pesa ainda mais porque não aparece isolado. Nos três últimos compromissos pelo Brasileiro, o Santos somou apenas um ponto de nove possíveis. Perdeu por 2 a 1 para o Botafogo, fora de casa, empatou por 2 a 2 com a Chapecoense, na Vila, e agora voltou a ser derrotado diante de sua torcida. A partida contra o São Paulo, prevista para a 21ª rodada, foi adiada. Por isso, a sequência corresponde aos três jogos mais recentes do clube na competição, ainda que não sejam três rodadas efetivamente disputadas.
O recorte dentro da Vila também incomoda. Em dois jogos consecutivos como mandante pelo campeonato, contra Chapecoense e Athletico, o Santos conquistou somente um dos seis pontos disponíveis. Para quem tenta se afastar da parte de baixo, desperdiçar terreno em casa torna qualquer recuperação muito mais cara.
A consequência é simbólica e prática. O Santos não terminava uma rodada no Z4 desde a 17ª, quando a derrota por 3 a 2 para o Grêmio o deixou em 17º, com 18 pontos. Na rodada seguinte, venceu o Vitória por 3 a 1, chegou a 21 e saltou para a 15ª posição. Desde então, havia atravessado quatro rodadas do calendário — da 18ª à 21ª — fora da zona, embora sem entrar em campo pelo Brasileiro na última delas por causa do adiamento do clássico. A derrota deste domingo devolveu o clube ao grupo dos quatro últimos.

Duelo mata-mata
E o calendário não oferece muito espaço para lamentação. Na quinta-feira, dia 13, às 19h (horário de Brasília), o Santos recebe o Macará, do Equador, na Vila Belmiro, pela partida de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Neymar, ausente contra o Athletico por uma suspensão aplicada no Brasileiro, volta a ficar à disposição para o torneio continental.
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A mudança de competição pode oferecer outro ambiente, mas não apaga o sinal emitido pelo Brasileiro. O Santos vinha tentando construir a sensação de que o pior havia ficado para trás. Três jogos, um ponto e o retorno ao Z-4 mostram o contrário. A Sul-Americana começa agora como oportunidade de resposta, mas a tabela nacional voltou a lembrar qual é a urgência que não pode ser adiada.





