O Corinthians ganhou do Bragantino por 2 a 0, mas quem assistiu ao jogo dificilmente terá vontade de rever os melhores momentos. Se é que houve melhores momentos. Durante boa parte da partida, os dois times disputaram um duelo em que a bola parecia pesar mais do que deveria: passes errados, decisões ruins, pouca criatividade e quase nenhuma jogada capaz de levantar o torcedor. Ainda assim, o placar conta uma história que não pode ser desprezada.
O Corinthians saiu de Bragança Paulista com três pontos, interrompeu a sequência de nove partidas sem derrota do Bragantino e encontrou, depois da eliminação na Copa do Brasil, um resultado capaz de aliviar um pouco a pressão sobre o trabalho de Fernando Diniz. O time jogou pouco, mas ganhou bem no que realmente interessava no Dia dos Pais: o resultado.

É aí que está a contradição desta vitória. O Corinthians teve uma atuação pobre, mas conseguiu construir um placar que não deixa espaço para contestação. E fez isso diante de um adversário que não perdia desde maio, quando foi derrotado pelo Mirassol na Copa do Brasil. Não é pouca coisa. Também não é motivo para esconder os defeitos que continuam à vista.
Difícil de assistir
O primeiro tempo foi difícil de assistir. O Bragantino tinha a iniciativa, mas não conseguia transformar posse de bola em oportunidades. O Corinthians, por sua vez, parecia mais preocupado em não se complicar do que em procurar o gol. E foi de uma falha grosseira do adversário que saiu a vantagem. Capixaba recuou para Thiago Volpi, que tentou dar um bico para a frente, mas “furou” de maneira quase inacreditável. Rodrigo Garro aproveitou o presente e bateu de primeira para fazer 1 a 0.
Não houve grande jogada coletiva, construção trabalhada ou qualquer sinal de superioridade ofensiva. Houve erro do rival e competência de Garro para aproveitá-lo. Depois do gol, o Corinthians passou a administrar a vantagem. Com a entrada de Carrillo no lugar de Raniele, o time passou a rodar mais a bola com segurança. O Bragantino tentou pressionar, mas também não tinha inspiração para transformar o domínio territorial em perigo real. A partida continuou ruim, truncada, cheia de erros e com pouquíssima qualidade técnica.
Pedro Raul desencantou
O Corinthians, pelo menos, tinha o placar a seu favor. E isso fazia toda a diferença. Depois da eliminação para o Internacional na Copa do Brasil, o time precisava reagir rapidamente. Não havia tempo para lamentar a queda nem espaço para outra frustração. A tabela do Brasileiro exigia resposta imediata. Até que, aos 42 minutos, Pedro Raul saiu do marasmo de mais uma atuação bem apagada para matar o jogo com um belo gol. Obviamente, de cabeça!
Matheuzinho cruzou e o centroavante subiu bem para cabecear e fazer 2 a 0. Foi um gol importante não apenas porque matou a partida, mas porque confirma um momento interessante de Pedro Raul. Depois de passar um período fora dos planos, o atacante marcou e chegou ao segundo jogo consecutivo balançando as redes. É cedo para transformar isso em uma mudança definitiva de cenário. Pedro Raul ainda tem limitações claras quando precisa participar da construção ofensiva, com a bola no chão. Mas existe uma característica que ele continua sabendo explorar: o jogo aéreo.
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Ao término da partida, o atacante reconheceu que vivia um período de baixa produção e festejou a semana com dois gols. “Estou muito feliz. Entendo e aceito as críticas, e faço delas minha motivação diária de trabalhar mais e fazer melhor. Eu estava precisando de uma sequência assim e fico feliz de ter feito dois gols. Glória a Deus!”, disse o atacante, abrindo a perspectiva de dias ainda melhores. E, em um Corinthians que tem encontrado dificuldades para criar, qualquer alternativa ofensiva merece ser observada.





