O problema do Abel Ferreira não é admitir que os jogadores não jogaram nada contra o Internacional em casa, no empate sem graça de 0 a 0. O que o treinador contou foi o que o torcedor viu no estádio e vaiou no fim. O que ele deveria explicar é por que, durante os 90 minutos, não conseguiu arrumar uma solução para melhor o time e ficar mais perto da vitória. Uma equipe como o Palmeiras não pode se “desculpar” durante 90 minutos por falta de técnica, como disse o técnico. É preciso ter coragem para mudar ou virar do avesso um jogo ruim, quando se percebe algo de muito errado.
O primeiro tempo do Palmeiras neste domingo foi pior do que o segundo, mas porque na etapa final o rival abriu mão do jogo e preferiu se defender, embora ainda tivesse o contra-ataque. E quase ganhou o jogo dessa maneira com Vitinho e o goleiro Carlos Miguel totalmente fora do gol. O torcedor entende que tem dias que um ou outro jogador não vai bem, mas dizer isso dos 11 atletas e mais os reservas que entraram no jogo, é inadmissível.

Abel condenou pesado a condição técnica dos atletas. Ele não citou nomes, mas o torcedor sabe bem quem são eles, como Giay, por exemplo. Errou tudo o que podia. Marlon Freitas e Andreas também se perderam com a bola nos pés. Barboza e Murilo se recuperaram depois de alguns erros de passe. Sosa e Piquerez não fizeram diferente, nem melhor. O treinador tem razão em reclamar, mas Abel precisa explicar as razões dessa lerdeza do time neste domingo. Ele tem de se antecipar a cenários como esse e ter planos para mudá-los. Sim, porque ele é o treinador, e antigamente sempre tinha um plano.
Treinador precisa agir
Comentar o que todos viram é chover no molhado. Todos, afinal, viram. Mas por que o Palmeiras não mudou? O tático poderia ter ajudado? A troca de posições, com Arias na direita, por exemplo? O time melhorou quando ele voltou para o lado que trabalha melhor depois que Allan deixou o jogo. Outro fator que incomoda é usar atacante ou meia-atacante de lateral, como Abel faz com Allan. O garoto ataca e defende. Quando está defendendo, lembra que tem de atacar. E quando está atacando, sabe que precisa defender. Não dá.
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O elenco é bom, alguns jogadores precisam “voltar” ao jogo e melhorar suas condições físicas e aprimorar o técnico nos treinamentos, é fato. Mas Abel não pode abusar tanto dos cruzamentos na área. Esse recurso deve ser eventual, até porque os cruzamentos são feitos sem olhar para os companheiros que estão no ataque. Um erro. São cruzamentos feitos de cabeça baixa. E há três profissionais que não podem trabalhar de cabeça baixa: atacante, jogador que cruza na área e garçom.





